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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Histórias de 2017. Contos sobre os melhores discos, shows e histórias de vida.

*O mérito todo ainda é de Star Wars com um polêmico novo filme, um ano em que nos apaixonamos por Gal Gadot e vibramos com aias vestidas de vermelho. Claro que Kendrick Lamar reinou e me envolvi em viagens pela América Latina, fui em um baita show do Arcade Fire e tive esperanças de achar uma jóia rara que não existe afinal.

BBC foi com o U2 para o beco do Batman na Vila Madalena. 2017 QUE ANO.


Viver em 2017 foi descobrir a si mesmo de diversas formas e maneiras. A capacidade que temos de lidar com o mundo torna peculiar a nossa propria identidade. Ao invés de imaginar o ano nesse começo de texto sob os filmes, livros e canções que experimentei vou falar sobre o que eu fiz de grande nesse ano. Grandes coisas morrem junto de nós mesmos, exceto se elas falarem por si só. Um instante em que pude dizer 'gosto muito de você' encoberto na indiferença dos tempos em que vivemos seria um ato de grandeza. A paixão se perde na mensagem e vai parar no vacuo das horas de dias. Me apaixonei sim nesse ano, mas foi mais por coisas do que por pessoas, o que me passa a mensagem de que deixei de amar algo real. Duas coisas moldaram a grandeza desse ano para mim: a viagem monumental para Chile e Argentina e ir morar sozinho que vai ter um upgrade em 2018, mas fica aqui os passos iniciais neste ano.

Quando me perguntam como foi o meu ano, eu sei que foi de mudanças. Nessa toada toda sei que a arte em forma de expressão inquieta e indomável esteve presente em tudo aquilo que experimentei nesse ano. Agradeço a Deus por estar vivo em 2017 e ver um show ousado como o do Arcade Fire em São Paulo com a turnê do disco lançado esse ano, o opulente 'Everything Now'. Estive também no show do U2 com a turnê comemorativa dos 30 anos do album The Joshua Tree em que Daniel Lanois esteve no palco recebendo os aplausos merecidos por ser parte dessa obra em um concerto memorável.

Deus me abençoou com o sentimento de inquietação. Estive em uma profusão de necessidades diversas ao buscar ser um homem capaz de responder ao aflito sentimento de busca por experimentar o medo de viver pobre ou morrer sabendo que fez o que precisava. Nesse tempo o que eu fiz foi acordar e perder o ar de repente quando vi ao redor de mim um outro alguém incapaz de ser eu mesmo. Eu lutei contra isso e contra imagens. O que fiz foi criar o meu próprio modelo de pessoa nesse mundo.

Achar um consolo seria um caminho fácil se trouxesse respostas para dores da vida. A solidão tem resposta sobre isso. Ela diz que não somos mais como antes e joias raras nessa vida se escondem na necessidade pelas realizações de algo grandioso. Grande e memorável como os sonhos que ainda carrego das coisas que ainda não vivi. E que com certeza vou estar atrás em 2018.


... Estou perdendo a minha idade, mas eu estive em 2017 e ouvi muita música

Para variar ouvir música significou horas e horas e horas com os aplicativos do Apple Music, Spotify, TIDAL, BBC Radio Player, Popload Radio (Brazil, zil, zil) abertos e botando para quebrar. Ouvi muito mesmo, e em todos os possiveis e impossiveis lugares. No metrô, no ônibus, nas ruas brasileiras, chilenas, argentinas, paulistanas e seja lá onde estava: carregava a pulsação de uma criatividade incrível de produtores, mixadores, engenheiros de som, artistas, músicos.

Em James Murphy com o seu arrebatador retorno com o LCD Soundsystem testemunhamos a capacidade de render um clássico (mais um) mesmo depois da ressurreição da banda. E que retorno. American dream é uma ode sobre esses tempos. Em Kendrick Lamar e o seu DAMN. o sentimento foi de estupendo torpor com um som político, forte e outro clássico instantâneo desse ano. Assim como em St. Vincent que se veste de pop para proclamar um ato de bravura contra nós mesmos e nossos costumes. Na faixa 'New York', ela faz uma canção íntima e pessoal sobre amizades e perdas. Claro que Ryan Adams mostrou aqui quem faz canções sobre perdas e corações partidos de cair o queixo. No seu 'Prisoner', o artista norteamericano desnuda o medo da solidão com tanta intimidade que nos leva junto consigo. Assim como Father John Misty e o seu 'Pure Comedy' que desconstrói a América de Trump e a nossa sociedade como um todo.

Lamar mostra que é o maior artista dessa década com o seu DAMN.


Um som mais eletrônico, guitarras pesadas e um desejo de libertar-se de si mesmo. Em 'Sleep Well Beast', o The National ainda mantém a mesma sensibilidade nas composições e isso os faz uma banda mais completa com o tempo. Do outro lado do atlântico temos os franceses do Phoenix trazendo um disco novo caloroso como as ruas da Itália no verão. 'Ti Amo' é o sexto álbum da banda liderada pelo saltador de platéias Thomas Mars.

Se o ano de 2017 teve um álbum profundo e envolvente que tente chegar perto do novo do The War On Drugs, o grandioso 'A Deeper Understanding' vai ficar para trás. O vocalista Adam Granduciel, que ao vivo já causa, aqui nesse disco novo explora novos caminhos com melodias mais envolventes e melodias mais interessantes, como na dolorosa e estupenda 'Pain'. Um disco para guardar na parede.

A dupla mais gente boa do indie Kurt Ville e Courtney Barnett juntos fizeram um album genuino em muitos aspectos. 'Lotta Sea Lice' tem a assinatura dos dois, como se eles pudessem ter um filho juntos, unindo o que caracteriza bem o som de ambos, em um resultado bem mais do que satisfatório.

Na categoria sons que falam sobre amor perdido e um certo fim da inocência temos dois segundos álbuns de novos artistas de 2013 que estão de volta. Em 'Something to Tell You' das babies do HAIM e a mega super estrela Lorde com o seu 'Melodrama' trazem o que de melhor sabem explorar. As primeiras trazem aquela pegada Fleetwood Mac com baterias envolventes E a segunda bebendo de Phil Collins e Kate Nash. Dois discos tão dentro de si que fazem um dos mais belos registros da música feita neste ano, com um olhar no passado e caminhando no presente.

Babies HAIM de volta com o seu melhor trabalho em 2017.


Os irmãos Gallagher retornam em um duelo onde ambos saem muito bem em qualidade de seus respectivos álbuns. Liam Gallagher retorna com o seu primeiro album solo carregando boas composições e melodias que remetem ao seu tão amado Oasis. Já Noel Gallagher e o seu High Flying Birds mergulha no que ele próprio chama de um pop cósmico. 'Holy Mountain' e 'If Love is the Law' sem dúvidas já são uma das melhores coisas que o compositor da ex-banda de Manchester criou.

Bandas consagradas também conseguiram retornar a boa forma nesse ano. Neil Young trouxe dois novos trabalhos. Um antigo gravado nos anos 60 que ganhou a vida em 2017 ('Hitchhiker') e outro super recente com a sua banda Promise of the Real, 'The Visitor'. Robert Plant traz um dos seus melhores trabalhos de sua carreira com 'Carry Fire'. Assim como Morrissey que traz o seu 'Low in High School' com incríveis composições. Outro destaque vai para Thurston Moore que apresenta o seu 'Rock'n Roll Consciousness', que inclui uma faixa de somente 16 minutos que já é uma das melhores canções do ano.

O Arcade Fire que já virou banda consagrada retorna com o peso de discos extremamente consagrados com um disco ousado e completamente diferente do som anterior da banda. Em 'Everything Now', a banda traz reggae, sintetizadores absurdos e puro som vindo ali de ABBA e bandas dos anos 70 e 80. Uma deliciosa viagem por sentimentos humanos que se perdem com um mundo muito informado e acomodado com seu consumo que acaba perdendo a si mesmo.

Tudo Agora. Arcade Fire retorna em 2017 com o seu trabalho mais ambicioso. 


E claro teve U2 e o seu 'Songs of Experience' que tomou vida após anos em formação. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. desnudam temas como mortalidade, motivações na vida, amor e família em um disco muito poderoso e envolvente.

Queens of the Stone Age e Foo Fighters que farão uma tour pela América Latina em 2018 retornam com os melhores discos de suas carreiras em 2017. Os primeiros trazem o seu de inicio polêmico album com o renomado produtor e DJ Mark Ronson chamado 'Villains' que acabou carregando o espírito da banda, desde os seus primordios. E o segundo com o seu 'Concrete and Gold' volta às origens de seu passado mesclando um som mais rock como o que era feito nos anos 90 por eles proprios.

Top 5 - Albuns do ano
1 - Ryan Adams - Prisoner
2 - Arcade Fire - Everything Now
3 - St. Vincent - MASSEDUCTION
4 - Spoon - Hot Thoughts
5 - Phoenix - Ti Amo

Ryan Adams fez o melhor álbum de 2017 muito pela sua capacidade de saber destrinchar sentimentos. Em 'Prisoner' vemos um compositor exímio e consciente de sua genialidade em divagar sobre o que amar significa de uma forma clara e por vezes sem quaisquer filtros. Na faixa 'Haunted House', Adams nos permite observar atentamente cada detalhe do lugar deixado pela amada no espaço real ou metafórico do relacionamento entre eles. Em outra faixa, a grandiosa 'Outbound Train' temos Adams trazendo em sua letras a sua visão moldada sob guitarras bem construídas e que crescem a medida que forma uma certa urgência, ao passo em que a canção encaminha-se ao refrão. Impossível não imaginar o que significa um coração partido ao ouvir esse disco, um dos retratos mais íntimos já realizados por um artista.

O show do ano foi o do Arcade Fire com a turnê Infinite Content. Em São Paulo, a banda de Win Butler faz um dos mais empolgantes shows ao vivo já visto por esse interlocutor. O mundo anda de mal a pior com tanta informação que nos perdemos ao redor de pessoas que não conseguem nutrir discernimento com o que é real ou não. No trabalho da banda vemos sobretudo no recente disco lançado esse ano, o monumental e muito subestimado 'Everything Now' essas fissuras expostas onde as pessoas não conseguem amar, viver, compreender informações. Ao vivo, a banda em um dos raros momentos em que somente o Arcade Fire conseguiria tal proeza vemos pura energia saindo do palco, onde nas letras desse disco inspirado por Talking Heads, Abba e na melodia entoada pelo público ali presente no Anhembi entregou um dos mais honestos retratos da simbiose música e sua importância com a do transmissor da mensagem a banda ali em cima de um palco com telões gigantes e cordas percorrendo o palco como em um ringue de luta. A banda ainda no término desceu o palco e foi batucar com a escola de samba Acadêmicos de Tatuapé. Em pleno Anhembi. Que show.

E feliz 2018 para todos!


quarta-feira, 30 de março de 2016

A música ficou chata, ela vai mudar e nunca mais será a mesma

* Essa vai para os corações cheios de vontades de não ouvir mais os mesmos top 20 nunca mais na vida


Um Kevin Parker ouvindo sons e fazendo sons. Photos by Photographed by Matt Sav


O som mudou mas ainda continua o mesmo. Dançamos, choramos e corremos atrás de sons que definam nossos momentos nessa vida na Terra. Vida sem sentido, cheio de vazios. Ouvir canções se tornaram uma forma de reagir as dores dessa vida. A expressão de fúria, calma e vertigem. O som que era blues, virou rock, que ficou chato e virou um rock ainda mais rápido e curto, o punk, que trouxe o grunge, que antecedeu o rock progressivo e new wave. A certeza é que não somos mais compostos por gêneros - sejam musicais, políticos ou sexuais - digo no presente, o presente de fato. O ano de 2016 pode ser definidor para os rumos da música, como expressão artística e para a relações e reações entre indivíduos.

E nesse vai e vem dos dias de hoje, fazer música virou uma expressão de construir a mistura exata do que se ouvir. O hip hop teve um papel tão importante quanto o jazz e o blus nessa mistura. Assim como sons eletrônicos, provenientes dos anos 80 em diante. O jornal inglês The Guardian postou nesse mês uma reportagem sobre esse tema escrita por Peter Robinson, editor do site Popjustice e que contribui para a NME. A música feita hoje, numa rápida observação panorâmica pode ser muitos sons em uma só música. David Bowie, sempre a frente do seu tempo, pareceu em seus últimos discos em vida, querer mostrar como a música é no futuro: sem rótulos.

Músicos novos e os mais contemporâneos buscam não mais um som, como o rock'n roll e o hip hop. Buscam a expressão de sons que ouvem e se identificam. A neo-zelandesa Lorde, aposta de Bowie como uma imagem do futuro da música, mescla o rap com o rock, transitando pelo pop e fazendo sons que invadem pistas eletrônicas. Seu som pode ser rotulado de Alternativo, o que nada mais é do que um rotulo que simplifica a essência desse som modificado presente hoje. O Indie, que na realidade, não é independente, já que Florence + the Machine deixou de ser indie depois de seu segundo disco. O que marca a música, como expressão artística, é a sua multiculturalidade. O Arcade Fire, ao expressar na música de seu último disco, "Normal Person", antes de iniciar a canção, o desabafo: "Oh man, Do you like rock and roll music? 'Cause I don't know if I do", indica bem o que a música é hoje em dia, quando uma das maiores bandas de 'rock' expõe isso, em um disco repleto de influencias caribenhas.


Finestra e sua busca pelo som de rock perfeito. Vinyl/HBO.


A Rihanna hoje faz cover do Tame Impala e o Ryan Adams faz um disco todo de cover da Taylor Swift. Justin Bieber tem hits que não são pop convencional, e sim belas gravações moldadas por Diplo, o produtor influenciado por tudo quanto é gênero. A NME é uma revista gratuita que coloca o Bieber na capa, porque não diz mais o que se dizia décadas atrás. As batidas, o furor e a energia criativa das músicas feitas no passado representam exatamente aquilo que não existe mais. Gêneros musicais são importantes hoje como ingredientes, e não mais como o prato principal. Quem busca referencias no Every Noise at Once, que acha playlists no Spotify ou Tidal, não mais se orienta por tipos. O que buscava Richie Finestra, na série produzida por Martin Scorsese e Mick Jagger, na HBO, em sua gravadora, é o som de um tempo que se misturou a todos os tempos até aqui. O rock se sedimentou, como já confessou Sergio Pizzorno, guitarrista do Kasabian. "O rock está morrendo." Outro que seguiu nesse desabafo foi o guitarrista da lendária banda de rock Kiss, Gene Simmons, em uma entrevista para 'Esquire':

"There was an entire industry to help the next Beatles, Stones, Prince, Hendrix, to prop them up and support them every step of the way. There are still record companies, and it does apply to pop, rap, and country to an extent. But for performers who are also songwriters — the creators — for rock music, for soul, for the blues — it's finally dead. Rock is finally dead."

A música está chata. Estivemos um tanto de tempo parados olhando para o pop do final dos anos 90 até o inicio dos anos 2000, o rock, o hipo hop, a mídia musical segmentando gêneros. Esse tempo acabou, mais ainda respiramos a incompreensão do barulho que ainda causa a falta de criatividade. Não ouvimos mais canções com o peso do passado, entretanto esse é o futuro. Não houve mais bandas que expressassem a atitude de um tempo. O Kanye West tem atitude, mas é burra - não desmerecendo sua genialidade. Tudo está distribuído entre nós. A solução, se essa é a solução, talvez seja não separar artistas e abraçar uma época que redefine o som, como abrangente forma de fazer sons. Será uma bela opção a ser dada.

Os Stones fazendo sons de uma geração. Fotos da Olympic Studios.

domingo, 29 de dezembro de 2013

As cinco versões de 'Afterlife' em videoclipes...

Win Butler comandando a festa.


A bombada faixa do novo disco dos canadenses e cada vez mais haitianos do Arcade Fire, "Afterlife" de versos lindos como esses: "Afterlife, oh, my God, what an awful word. After all the breath and the dirt and the fires are burnt. And after all this time, and after all the ambulances go. And after all the hangers-on are done hanging in the dead light", foi uma das melhores faixas de 2013, se não a melhor.

Para tanto fizeram não só um video mais 3 clipes. E como a faixa é linda, tem versões ao vivo em programas de auditorio dos EUA que ficaram bem legais.

Seguem os videos:

5 - Versão Oficial da música, criada pelo The Creators Project e dirigida por Emily Kai Bock.




4 -  Primeiro video divulgado, as cenas foram estraidas do filme franco-brasileiro Orfeu Negro (1969), dirigido por Marcel Camus.





3 - A canção interpretada no programa britânico The Graham Norton Show no final de novembro.





2 -  Ela agora interpretada no programa badalado Saturday Night Live.




1 -  A faixa Afterlife numa deslumbrante versão dirigida por Spike Jonze na abertura do primeiro YouTube Music Awards há dois meses atrás. Interpretada pela atriz Greta Gerwig (Frances Ha), o resultado tudo gravado ao vivo é lindo. 


Thats it.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Refletindo um novo som épico. Arcade Fire atrás da batida perfeita.

* O som dançante vindo das festas do Haiti


O carnaval que influenciou o som da banda canadense.

A hipnótica banda de Montreal se distancia das inspirações que os conduziram até aqui e fazem sua obra máxima indo até as raízes da música caribenha. Win Butler, Regine Chassagne, William Butler (irmão de Win), Sarah Neufeld, Richard Parry, Jeremy Gara, Tim Kingsbury, Howard Bilerman, Brendan Reed, Tim Kyle. Sim todos são integrantes do Arcade Fire. Uma das bandas mais incríveis da música hoje.

A música é algo que se transmite e que variando de culturas diferentes possui sentimentos e significados variados. Faz parte de uma mensagem, de um significado para todos numa comunidade. Na concepção dos integrantes do Arcade Fire, a música transcende pré-concepções e simulacros. Pertence a ideia geral que conduz o que a música pode significar para nós enquanto seres espirituais, que sofrem, que amam e se alegra. Talvez uma das suas maiores virtudes seja esse caráter único que se vê em suas composições e versos das canções. Adicionando a isso a forma apoteótica que torna suas canções lindas e majestosas. O que eles trazem agora nesse quarto disco bebe da fonte da cultura haitiana e caribenha, uma cultura que se aproxima do que a música produz nos nossos espíritos e de que forma ela nos atinge. Influenciada pelo som dos RAM, um grupo musical criado por compositor e músico Richard A. Morse (de onde deriva as iniciais), famoso no Haiti que une o rock'n'roll moderno, com instrumentos de vodoo, como rara e petwo, eles se inspiraram para fazerem o som que pode ser notado em faixas como "Here Comes The Night Time" e "Reflektor".  

Isso tudo ocorreu em 2010, quando cada membro da banda experimentou o poder da música para os haitianos e como isso está presente no cotidiano e em suas vidas. Eles estiveram no Haiti no período de karnaval, uma celebração carnavalesca das ilhas, onde as pessoas se vestiam com roupas repletas de alegorias diferentes. "É 10 vezes mais elaborado que qualquer show de rock que eu já estive um dia", disse Win Butler para a NME, "e são só pessoas com papelão, um pouco de tinta e algumas flores feitas de papel maché e conduzindo isso ao extremo, num show visceral". 

O quarto álbum da banda foi descrito pela mesma New Musical Express como uma mistura de influencia que vão de The Cure, Michael Jackson, Talking Heads e The Clash. Ao contrário dos discos anteriores da banda, ("Funeral", "Neon Bible", e o premiado "The Suburbs"), "Reflektor" não possui uma unica concepção narrativa, diferente de "Suburbs" que ganhou vida quando Win viu uma foto de um amigo de infância com uma criança nos ombros no bairro onde viviam. Aqui só os ritmos jamaicanos e haitianos se sobressaem. O disco acabou se tornando duplo, com canções de oito minutos. Tecnicamente, eles tinham a intenção de gravar tudo em um único disco, mas Will diz que eles estavam temerosos de que o disco soaria "pesado demais". "Houve uma conversa para fazer um álbum curto com uma temática realmente bem substancial, como o "Remain In Light", do Talking Heads", ele disse. "Nós até brincamos com a ideia de fazer um "Sandinista!" ou um "White Album", completa.

Qual o lugar da banda no Rock nos dias de hoje? Win Butler, confrontado quando citam o verso de "Normal Person", quando ele antes de começar a canção ele comenta para a platéia num tom de voz bêbado e exausto: "Do you like rock'n'roll music? Because I don't know if i do", o que é o rock para ele nos dias de hoje? Ele responde: "Eu achei engraçado, começar uma canção de rádio com isso",  e continua: "Há muita visceral simplicidade na música de rock'n roll, mas ha tempos o "roll" se perdeu. Nós estamos tentando manter isso (na expressão)". A banda é vista por muitos como indie e esquisita por muitos meios de midia ainda, mesmo tendo alcançado o mainstream com o Grammy pelo disco "The Suburbs". Muitos o consideram uma banda de rock fraca. "Nós somos uma banda esquisita muito nesse contexto mainstream, um pouco como uma ovelha negra, entende?", desabafa Win sobre o lugar que reservam para a banda até mesmo na hora de tocar nas rádios como veio a reclamar da BBC Radio 1, que na Inglaterra não tocaram "Reflektor".



Após uma massiva propaganda espalhando símbolos de inspiração haitiana em diversos lugares do mundo, eles fizeram dois shows secretos em Montreal no clube Salsatheque no começo de setembro, se auto denominando The Reflektors. Eles alertaram para que todos viessem fantasiados. Para que fossem "parte das performances da banda", para que pudesse haver uma interação entre a banda e o publico. 

"Reflektor" foi produzido pelo bamba James Murphy (ex-LCD Soundsystem) nas gravações feitas no estúdio Electric Lady em Nova York. Antes houveram gravações feitas pela banda na Jamaica, num castelo chamado Trident Castle, onde o produtor Markus Dravs conduziu as performances ali feitas, no clima da experiencia que tiveram no karnaval. Dravs já havia trabalhado com eles em "Neon Bible" e "The Suburbs". Todos os produtores que auxiliaram a banda concordam com uma coisa em comum: todos citam o perfeccionismo de Win Butler e da banda em criar um trabalho único. "Para eles, só está terminado até o momento em que o disco chegar nas lojas", James Murphy disse a NME. Enquanto isso, toda a dedicação faz produtores dizerem que eles seguem uma "metodologia U2" para finalizar um álbum. Não estão tão preocupados com tempo ou dinheiro, e sim com o que o disco tem a dizer."

De longe uma obra prima da banda, que despeja aqui influencias que vão do mito de Orfeu e Eurídice (da arte conceptual da capa do disco, às letras e canções do disco, principalmente no segundo disco), aos ritmos dançantes e contagiantes trazidos do Haiti e Jamaica. O Arcade Fire vai além e traz um trabalho mais humano, do que jamais eles haviam trazido até então. Os discos anteriores todos brilhantes e extremamente bem feitos só fez aqui esse disco ser tão aguardado. E justamente por esse motivo tão esmiuçado provocando algumas criticas a esse trabalho. Em 2007, como lembra a NME, a critica musical do The New Yorker Sasha Frere-Jones se queixou de que "se a banda trazia traços de influencias de soul, blues, reggae ou funk só poderia ser filosofico, porque não poderia ser ouvido", sempre ouve a preocupação de trazer ritmos que pudessem ser tocados pelo mundo e que sonoramente fosse curtido em diferentes culturas.

A faixa-titulo que abre o disco é uma alegoria que representa bem o que eles acham do mundo hoje em dia, onde não se observa o que está bem diante dos nossos olhos. "Now, the signals we send. Are deflected again. We’re still connected. But are we even friends?", canta Win Butler. "I thought I found the connector. It’s just a reflektor (it’s just a reflektor, just a reflektor)". As faixas que no total somam treze faixas, cujas as sete primeiras faixas formam o primeiro disco e as seis restantes o segundo disco que focam na ideia de vida e morte, tão presente no mito de Orfeu e a faixa "Porno", uma das melhores do disco. "We Exist", parece querer chamar atenção para alguma dificuldade de se enxergar o outro. "Walking around. Head full of sound. Acting like. We don't exist.Walk in a room. Stare after you. Talking like. We don't exist", diz Win que tem baixos bem presentes. Reggae aqui e acolá. As faixas seguintes, "Flashbulb Eyes", "Here Comes The Night Time", "Normal Person" e "You Already Know" tem essa pega dançante pop carnavalesca e deliciosa. Ritmos africanos, pega dançante anos setenta talvez. Um primor. "Joan Of Arc" é uma balada que traz uma atmosfera com batidas e swing dançante. "Now they tell you that you're their museYeah, they're so inspired. But where were they when they called your name. And they lit the fire?"

A segunda parte do disco começa com sussurros de "Here Comes The Night Time II", uma transição do lado dançante para o lado sombrio e épico. Que trazem as românticas "Awful Sound (Oh Eurydice)" e "It's Never Over (Oh Orpheus)". "Porno", uma das mais brilhantes músicas da banda (e olha que não é facil dizer isso de uma música só) fala da falta de sentimentos humanos num mundo tomado pelo individualismo e indiferença alheia. O pornô superior ao sexo, por exemplo. "And all your make up. Just take it all off. I've got to find you. Before the line is lost. I know I hurt you. I won't deny it. When I reach for you. You say, "I'm over it. "But I know.", canta um Win Butler sussurrando como se estivesse sem folego muitas vezes.

A majestosa e melhor faixa do disco, "Afterlife", é uma sintese talvez do que o proprio disco quer tratar. Até onde vai o amor quando ele morre?, se pergunta a música ao tentar se aproximar do momento em que alguém parte, o que resta? As relações humanas esticadas e colocadas sob os nossos olhos parece ser o que a banda quer, e consegue exito ao fazer isso com tamanha beleza e encanto. "Afterlife, oh, my God, what an awful word. After all the breath and the dirt and the fires are burnt. And after all this time, and after all the ambulances go. And after all the hangers on are done hanging in the dead light. Of the afterglow.", diz Win que grita: "I've gotta know. Can we work it out? We scream and shout 'till we work it out. Can we just work it out? Scream and shout 'till we work it out? 'till we work it out, 'till we work it out.". Linda, sem mais. E o disco termina com a incrivel "Supersymmetry", com ecos de que o fim é só o começo se formos fortes o bastante, e reagirmos as reações do corpo.

Repleto de momentos apoteóticos, "Reflektor" é a melhor coisa feita nesse ano, e olha que isso é na minha opinião pois esse foi um ano em que muitos artistas lançaram novos materiais. O próprio David Bowie que surge ao fundo em "Reflektor", a faixa titulo do disco dos canadenses, lançou o excelente "The Next Day". Não consigo não me emocionar com discos do Arcade Fire, sempre tão impecáveis. Esse não fugiu a regra e por momentos se supera a tudo que fizeram até aqui. Bravo!




  
E um visual dançante e embalado em ritmos africanos. Sons cada vez melhores.





domingo, 8 de setembro de 2013

R-E-F-L-E-K-T-O-R. 9PM 9-9.












É o seguinte: como já deu para perceber os canadenses do Arcade Fire estão misteriosos nesse retorno com seu quarto disco. O enigmatico "Reflektor", nome do novo album dos rapazes vem lançando sinais pelo mundo em lugares conhecidos de diversas cidades com um circulo e o nome r-e-f-l-e-k-t-o-r dividido em losangos preenchidos nesse circulo. O vídeo divulgado por eles só traz mais mistério e nada de revelador. O som ao fundo meio fantasmagorico, nada de novo.

Como bem salientou o jornalista bamba Lucio Ribeiro no seu blog Popload, três coisas estão claras sobre esse retorno:

O nome do disco: “Reflektor” / Lançamento: 29 de outubro
O nome do single: “Reflektor” / Lançamento: 9 de setembro
O diretor do vídeo do single: Anton Corbijn
E os shows anunciados: Big Day Out, festival na Austrália/Nova Zelânia, em janeiro e fevereiro de 2014.

O resto é vento. Corre por ali e por lá, ninguém sabe ao certo. Mais novidades virão amanhã. No aguardo.



Link do primeiro single do quarto album da banda que vazou ontem. Nada confirmado, mas leva-se a crer que se chama "Reflektor", e que o single que será lançado amanhã com esse nome virá num EP com mais músicas. No aguardo. A nova canção do Arcade Fire tem uns 8 minutos e achei bem bacana. Parece ser uma fase (dançante?) da banda que parece contar com participações especiais legais (David Bowie?), além do produtor dandi James Murphy que parece ter conduzido um pouco de seu estilo a banda pelo que se pode extrair desse primeiro single misterioso até amanhã. Como sou afoito e impaciente, já tá ai o post.

Link para ouvir o single "Reflektor"

Num show secreto que a banda fez mês atrás em Toronto, em que foi terminante proibida qualquer gravação ou registro sob a pena de ser expulso, boatos disseram que o som trazia algo como "um Talking Heads, Once a Lifetime, como se tivesse sido escrita e feita por um David Bowie". Pela demonstração aqui, não deve fugir dessa descrição. Ansiedade indie pelo que se pode sentir nas redes sociais. No aguardo.

Solta logo essas informações Win Butler!!

Possíveis capas do EP? Disco? Single?

Mistérios...

Talking Heads? David Bowie? Visual bacana da banda do Canadá.



Sombras e mais mistério...

sexta-feira, 12 de julho de 2013

29 de Outubro. O quarto disco do Arcade Fire a caminho.

Mistério. O que essa foto diz sobre o novo Arcade Fire.


Em resposta a um fã no twitter, a mega banda interplanetária do Canadá, o Arcade Fire divulga a data em que o novo álbum ainda sem nome chega entre nós. 29 de Outubro. Save the date. Dedos cruzados.

O novo disco conta com a produção de James Murphy, o dandi ex-lider da extinta banda LCD Soundsystem que vos meces bem sabem de cor e saltiado. Eles veem trabalhando no novo disco em Nova York no DFA Studios.

Oremos.

Segue o tweet revelador. 10/29.