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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Histórias de 2017. Contos sobre os melhores discos, shows e histórias de vida.

*O mérito todo ainda é de Star Wars com um polêmico novo filme, um ano em que nos apaixonamos por Gal Gadot e vibramos com aias vestidas de vermelho. Claro que Kendrick Lamar reinou e me envolvi em viagens pela América Latina, fui em um baita show do Arcade Fire e tive esperanças de achar uma jóia rara que não existe afinal.

BBC foi com o U2 para o beco do Batman na Vila Madalena. 2017 QUE ANO.


Viver em 2017 foi descobrir a si mesmo de diversas formas e maneiras. A capacidade que temos de lidar com o mundo torna peculiar a nossa propria identidade. Ao invés de imaginar o ano nesse começo de texto sob os filmes, livros e canções que experimentei vou falar sobre o que eu fiz de grande nesse ano. Grandes coisas morrem junto de nós mesmos, exceto se elas falarem por si só. Um instante em que pude dizer 'gosto muito de você' encoberto na indiferença dos tempos em que vivemos seria um ato de grandeza. A paixão se perde na mensagem e vai parar no vacuo das horas de dias. Me apaixonei sim nesse ano, mas foi mais por coisas do que por pessoas, o que me passa a mensagem de que deixei de amar algo real. Duas coisas moldaram a grandeza desse ano para mim: a viagem monumental para Chile e Argentina e ir morar sozinho que vai ter um upgrade em 2018, mas fica aqui os passos iniciais neste ano.

Quando me perguntam como foi o meu ano, eu sei que foi de mudanças. Nessa toada toda sei que a arte em forma de expressão inquieta e indomável esteve presente em tudo aquilo que experimentei nesse ano. Agradeço a Deus por estar vivo em 2017 e ver um show ousado como o do Arcade Fire em São Paulo com a turnê do disco lançado esse ano, o opulente 'Everything Now'. Estive também no show do U2 com a turnê comemorativa dos 30 anos do album The Joshua Tree em que Daniel Lanois esteve no palco recebendo os aplausos merecidos por ser parte dessa obra em um concerto memorável.

Deus me abençoou com o sentimento de inquietação. Estive em uma profusão de necessidades diversas ao buscar ser um homem capaz de responder ao aflito sentimento de busca por experimentar o medo de viver pobre ou morrer sabendo que fez o que precisava. Nesse tempo o que eu fiz foi acordar e perder o ar de repente quando vi ao redor de mim um outro alguém incapaz de ser eu mesmo. Eu lutei contra isso e contra imagens. O que fiz foi criar o meu próprio modelo de pessoa nesse mundo.

Achar um consolo seria um caminho fácil se trouxesse respostas para dores da vida. A solidão tem resposta sobre isso. Ela diz que não somos mais como antes e joias raras nessa vida se escondem na necessidade pelas realizações de algo grandioso. Grande e memorável como os sonhos que ainda carrego das coisas que ainda não vivi. E que com certeza vou estar atrás em 2018.


... Estou perdendo a minha idade, mas eu estive em 2017 e ouvi muita música

Para variar ouvir música significou horas e horas e horas com os aplicativos do Apple Music, Spotify, TIDAL, BBC Radio Player, Popload Radio (Brazil, zil, zil) abertos e botando para quebrar. Ouvi muito mesmo, e em todos os possiveis e impossiveis lugares. No metrô, no ônibus, nas ruas brasileiras, chilenas, argentinas, paulistanas e seja lá onde estava: carregava a pulsação de uma criatividade incrível de produtores, mixadores, engenheiros de som, artistas, músicos.

Em James Murphy com o seu arrebatador retorno com o LCD Soundsystem testemunhamos a capacidade de render um clássico (mais um) mesmo depois da ressurreição da banda. E que retorno. American dream é uma ode sobre esses tempos. Em Kendrick Lamar e o seu DAMN. o sentimento foi de estupendo torpor com um som político, forte e outro clássico instantâneo desse ano. Assim como em St. Vincent que se veste de pop para proclamar um ato de bravura contra nós mesmos e nossos costumes. Na faixa 'New York', ela faz uma canção íntima e pessoal sobre amizades e perdas. Claro que Ryan Adams mostrou aqui quem faz canções sobre perdas e corações partidos de cair o queixo. No seu 'Prisoner', o artista norteamericano desnuda o medo da solidão com tanta intimidade que nos leva junto consigo. Assim como Father John Misty e o seu 'Pure Comedy' que desconstrói a América de Trump e a nossa sociedade como um todo.

Lamar mostra que é o maior artista dessa década com o seu DAMN.


Um som mais eletrônico, guitarras pesadas e um desejo de libertar-se de si mesmo. Em 'Sleep Well Beast', o The National ainda mantém a mesma sensibilidade nas composições e isso os faz uma banda mais completa com o tempo. Do outro lado do atlântico temos os franceses do Phoenix trazendo um disco novo caloroso como as ruas da Itália no verão. 'Ti Amo' é o sexto álbum da banda liderada pelo saltador de platéias Thomas Mars.

Se o ano de 2017 teve um álbum profundo e envolvente que tente chegar perto do novo do The War On Drugs, o grandioso 'A Deeper Understanding' vai ficar para trás. O vocalista Adam Granduciel, que ao vivo já causa, aqui nesse disco novo explora novos caminhos com melodias mais envolventes e melodias mais interessantes, como na dolorosa e estupenda 'Pain'. Um disco para guardar na parede.

A dupla mais gente boa do indie Kurt Ville e Courtney Barnett juntos fizeram um album genuino em muitos aspectos. 'Lotta Sea Lice' tem a assinatura dos dois, como se eles pudessem ter um filho juntos, unindo o que caracteriza bem o som de ambos, em um resultado bem mais do que satisfatório.

Na categoria sons que falam sobre amor perdido e um certo fim da inocência temos dois segundos álbuns de novos artistas de 2013 que estão de volta. Em 'Something to Tell You' das babies do HAIM e a mega super estrela Lorde com o seu 'Melodrama' trazem o que de melhor sabem explorar. As primeiras trazem aquela pegada Fleetwood Mac com baterias envolventes E a segunda bebendo de Phil Collins e Kate Nash. Dois discos tão dentro de si que fazem um dos mais belos registros da música feita neste ano, com um olhar no passado e caminhando no presente.

Babies HAIM de volta com o seu melhor trabalho em 2017.


Os irmãos Gallagher retornam em um duelo onde ambos saem muito bem em qualidade de seus respectivos álbuns. Liam Gallagher retorna com o seu primeiro album solo carregando boas composições e melodias que remetem ao seu tão amado Oasis. Já Noel Gallagher e o seu High Flying Birds mergulha no que ele próprio chama de um pop cósmico. 'Holy Mountain' e 'If Love is the Law' sem dúvidas já são uma das melhores coisas que o compositor da ex-banda de Manchester criou.

Bandas consagradas também conseguiram retornar a boa forma nesse ano. Neil Young trouxe dois novos trabalhos. Um antigo gravado nos anos 60 que ganhou a vida em 2017 ('Hitchhiker') e outro super recente com a sua banda Promise of the Real, 'The Visitor'. Robert Plant traz um dos seus melhores trabalhos de sua carreira com 'Carry Fire'. Assim como Morrissey que traz o seu 'Low in High School' com incríveis composições. Outro destaque vai para Thurston Moore que apresenta o seu 'Rock'n Roll Consciousness', que inclui uma faixa de somente 16 minutos que já é uma das melhores canções do ano.

O Arcade Fire que já virou banda consagrada retorna com o peso de discos extremamente consagrados com um disco ousado e completamente diferente do som anterior da banda. Em 'Everything Now', a banda traz reggae, sintetizadores absurdos e puro som vindo ali de ABBA e bandas dos anos 70 e 80. Uma deliciosa viagem por sentimentos humanos que se perdem com um mundo muito informado e acomodado com seu consumo que acaba perdendo a si mesmo.

Tudo Agora. Arcade Fire retorna em 2017 com o seu trabalho mais ambicioso. 


E claro teve U2 e o seu 'Songs of Experience' que tomou vida após anos em formação. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. desnudam temas como mortalidade, motivações na vida, amor e família em um disco muito poderoso e envolvente.

Queens of the Stone Age e Foo Fighters que farão uma tour pela América Latina em 2018 retornam com os melhores discos de suas carreiras em 2017. Os primeiros trazem o seu de inicio polêmico album com o renomado produtor e DJ Mark Ronson chamado 'Villains' que acabou carregando o espírito da banda, desde os seus primordios. E o segundo com o seu 'Concrete and Gold' volta às origens de seu passado mesclando um som mais rock como o que era feito nos anos 90 por eles proprios.

Top 5 - Albuns do ano
1 - Ryan Adams - Prisoner
2 - Arcade Fire - Everything Now
3 - St. Vincent - MASSEDUCTION
4 - Spoon - Hot Thoughts
5 - Phoenix - Ti Amo

Ryan Adams fez o melhor álbum de 2017 muito pela sua capacidade de saber destrinchar sentimentos. Em 'Prisoner' vemos um compositor exímio e consciente de sua genialidade em divagar sobre o que amar significa de uma forma clara e por vezes sem quaisquer filtros. Na faixa 'Haunted House', Adams nos permite observar atentamente cada detalhe do lugar deixado pela amada no espaço real ou metafórico do relacionamento entre eles. Em outra faixa, a grandiosa 'Outbound Train' temos Adams trazendo em sua letras a sua visão moldada sob guitarras bem construídas e que crescem a medida que forma uma certa urgência, ao passo em que a canção encaminha-se ao refrão. Impossível não imaginar o que significa um coração partido ao ouvir esse disco, um dos retratos mais íntimos já realizados por um artista.

O show do ano foi o do Arcade Fire com a turnê Infinite Content. Em São Paulo, a banda de Win Butler faz um dos mais empolgantes shows ao vivo já visto por esse interlocutor. O mundo anda de mal a pior com tanta informação que nos perdemos ao redor de pessoas que não conseguem nutrir discernimento com o que é real ou não. No trabalho da banda vemos sobretudo no recente disco lançado esse ano, o monumental e muito subestimado 'Everything Now' essas fissuras expostas onde as pessoas não conseguem amar, viver, compreender informações. Ao vivo, a banda em um dos raros momentos em que somente o Arcade Fire conseguiria tal proeza vemos pura energia saindo do palco, onde nas letras desse disco inspirado por Talking Heads, Abba e na melodia entoada pelo público ali presente no Anhembi entregou um dos mais honestos retratos da simbiose música e sua importância com a do transmissor da mensagem a banda ali em cima de um palco com telões gigantes e cordas percorrendo o palco como em um ringue de luta. A banda ainda no término desceu o palco e foi batucar com a escola de samba Acadêmicos de Tatuapé. Em pleno Anhembi. Que show.

E feliz 2018 para todos!


sábado, 18 de março de 2017

Ryan Adams nos torna prisioneiros do amor

* Nenhum outro artista traduz tanta melancolia em canções tão profundas sobre o maior sentimento do ser humano: o amor.


Em casa. Ryan Adams mostra o que tem mais de intimo nele proprio em seu novo album 'Prisoner'

O garoto prodigio.

É raro para quem está descobrindo o artista nascido em Jacksonville, Carolina do Norte, dono de discos que já estão entre os mais vendidos e venerados por milhares de fãs, ter a capacidade de não se ver parado refletindo sobre a propria vida. As letras que carregam dramas e sentimentos profundos desarmam corações pesados e conquista um degrau junto de outros artistas que buscam a mesma sensação através da música, tais como Neil Young e Bruce Springsteen. Para entender o nascido David Ryan Adams, em 5 de Novembro de 1974, hoje com 42 anos de idade, é preciso entender a sua vida cheia de percalços. Na música se vê a propria redenção.

Em sua pré adolescencia, passava os fins de semana sozinho indo a um shopping onde havia uma loja de discos. "Embora fosse muito longe de casa..." admite, ele juntava o dinheiro do almoço durante semana (em torno de $ 1 dolar) para na sexta comprar um disco, se tudo desse certo e não fosse preciso gastar. Lá fez amizade com um funcionário da loja, chamado Jere Mcilwean. "Ele fazia de tudo para ser parecido com Mike Ness do Social Distortion", brinca. Com ele, confessa em uma entrevista a revista Rolling Stone australiana, teve muitas conversas sobre suas bandas prediletas Sonic Youth e Meat Puppets. O seu primeiro contato com uma guitarra foi na mesma época de adolescência em Jacksonville. Adams trocou o seu skate e mais $ 75 dolares por uma guitarra, uma Les Paul falsa, de um amigo do seu irmão Chris, embora confessa nunca ter dado os $ 75 dolares ("Não porque eu sou um bastardo, mas porque era pobre"). A paixão pelo instrumento veio de forma inesperada e gradual. "Eu lembro de ter pensado, deve ter algo de errado com essa coisa, porque não soa como deveria aparentemente soar", confessa. "Ninguém me ensinou nada (como tocar). E eu realmente olhava para isso (a guitarra) como um homem das cavernas olharia uma calculadora". Adams hoje entende melhor do que ningém como soa uma guitarra. E como criar sons etéreos.




Dos anos 80 para o ano de 2017, muito nele se transformou de feridas, decepções e alegrias. Sua relação com os seus pais nunca foi um motivo de orgulho. Adams foi criado por uma mãe solteira e seus avós após o pai abandonar ele aos cinco anos de idade. A relação com sua mãe não era boa, levando o garoto a buscar passar o tempo com os seus avós. Após a morte do seu avô, do qual guarda o modelo de pessoa que deseja ser, por enfisema pulmonar, ele resolve tomar novos passos para sua vida. Um dos vicios do avô, o cigarro, por anos foi o que manteve ele proximo das lembranças dele. "O cheiro me fazia lembrar dele, as fumaças me faziam lembrar dele. Esse era o meu jeito de estar proximo dele."

Adams passa a morar sozinho e se muda para Raleigh, Carolina do Norte e se vê diante dos momentos mais assustadores de sua vida. "Eu não tinha mais parentes. Muitos não gostavam de mim". Em meio a 'bicos' como lavador de pratos e trabalhador de construção civil, ele passa anos depois, em 1994, a tocar em uma banda de alt-country chamada Whiskytown, que em meio ao boom da cena Americana de musica country, assinam em 1997, um contrato com uma grande gravadora. Entretanto, ele se arrepende dessa época: "Eu comecei essa maldita banda country, porque punk rock era bem dificil de tocar.", confessa em uma entrevista para a revista inglesa Q. "Eu estava sob aquela influência musical quando eu tocava aquilo. Era tipo, 'Eu preciso fazer isso, porque eu tenho esse trabalho terrivel cantando nessa porcaria de banda horrivel' - quando isso vai acabar?". Até que um dia Adams demitiu metade da banda em uma apresentação em Kansas City. Era o fim de um ciclo.







Ele por ele mesmo.

Ao se mudar para Nova York, Adams passa a viver com sua namorada a uns blocos de Greenwich Village. Foi onde, após terminar com sua então garota, ele começa a escrever e compor o que viria a ser o primeiro disco de sua carreira. Tendo permanecido no mesmo apartamento, envolto com as lembranças dela ele compôs 'Heartbreaker' sobre ela.


Na época de 'Heartbreaker': 17 anos depois


Ryan Adams passa a ser o artista prodigio. É considerado o novo Bruce Springsteen. Vira o xodó de Elton John. Revistas como Rolling Stone passa a considera-lo um dos grandes artistas de sua época. Foi com o album 'Gold' que ele passa a se tornar um dos maiores artistas de fato. Com a etérea 'New York, New York', os holofotes passam a se movimentar em seu rosto. Uma das canções que mais embalaram o tributo as vitimas do 11/09. Com o sucesso de 'Gold', ele embarca no sucesso de The Strokes e The White Stripes, com um rock progressivo e grandes canções, namora as maiores beldades da época como Winona Ryder, Beth Orton e Parker Posey. Produzido por Ethan Johns, filho do legendário produtor dos The Rolling Stones e The Who Glyn Johns, o disco se torna uma mudança de 180° na sua carreira.

Outros grandes discos passam a vir mantendo a mesma qualidade unica de suas composições e letras. 'Demolition', de 2002, 'Rock'n Roll', de 2003 e 'Love is Hell', de 2004 foram lançados em sequencia tornando ele um dos artistas mais criativos e geniais de sua geração. O problema surge quando ele mantem o ritmo anual de lançamento de discos, mas soa saturado pelo processo criativo que sucumbe a discos não ruins, mas não tão bons e que vem a coincidir com o periodo em que esteve sob a influencia de bebidas e drogas . Após se unir a banda The Cardinals, Adams passa por um momento de transição para aquilo que se tornou, longe dos vicios. Com os albuns 'Easy Tiger', em 2007, 'Cardinology' de 2008 e 'III/IV' de 2010, ele passa a canalisar sua emoções através das canções. "Foi na realidade tão saudável partir nessa, é um lugar seguro para examinar você mesmo, e eu realmente o fiz. Eu usei esse tempo, minhas amizades ali, e eu comecei a ter bons momentos, que era inacreditável.", confessa para a Rolling Stone australiana. "Eu ia para o estudio todos os dias e aquilo me curou."


Com a ex-esposa Mandy Moore.

Em 2011, sob o efeito do amor por sua esposa, a atriz Mandy Moore, ele traz 'Ashes and Fire', um dos seus maiores discos. Com canções alegres e belas, como 'Chains of Love' e 'Lucky Now', foi a fase do redescobrimento de si mesmo mais uma vez. Após trabalhar num album mais parecido com esse último, Adams vê dentro de si um desejo de contar um pouco mais sobre sua vida pessoal e sobre a si mesmo. Vem então o bombástico e fantástico disco com o seu nome no titulo. 'Ryan Adams', 2014. "Aquele disco foi eu mesmo começando a me sentir eu mesmo. Era eu mesmo indo, eu posso tocar uma guitarra acustica e é sobre isso do que se trata. Mas eu sei tocar uma canção como 'Gimme Something Good' e essa é a minha chance de mostrar como eu sei tocar uma guitarra elétrica. Eu ainda posso ter aquele momento do Grateful Dead, e momentos de Daydream Nation do Sonic Youth e aqueles todos envoltos em Don Henleyisims"




O sentimento mais humano.

Houve diversos EPs lançados nos ultimos anos e um LP de canções punk rock num experimento muito bem sucedido, o album '1984' e além de um cover de todo o album de synth-pop da cantora Taylor Swift, '1989'. A versão de Adams foi além e trouxe o seu talento a uma visibilidade do qual ele não tinha até então, tornando-se um sucesso. O resultado traz ecos de um 'Nebraska' de Bruce Springsteen. Soturno e tocante. Em meio a sua separação traumatizante com Mandy Moore, ele confessou certa vez que o album de Swift falava mais sobre o que sentia do que qualquer outra coisa que havia feito em toda sua carreira. A resposta ao seu momento de separação o fez ficar recluso ainda mais e gravar por dias e noite produzindo um enorme material. Todo o material é feito por meio de sua propria gravadora, a Pax-Am, que fundou para se livrar de problemas que teve no passado com gravadoras.

Doze canções desse enorme material estão no seu novo disco lançado mês passado. 'Prisoner'. O que vemos aqui é o melhor trabalho desde 'Gold', com canções que são extremamente bem trabalhadas, com letras dilacerantes. As guitarras elétricas estão presentes como nunca, com sequências em riffs inacreditaveis como na 80's canção 'Anything I Say To You Now'. A faixa titulo é outra demonstração de como as baterias tornam de certa forma um disco de rock que trata de amor com a furia do rock oitentista. O primeiro single 'Do You Still Love?' é puro Bruce Springsteen, assim como 'Haunted House', que soa a fase 'Tunnel of Love'. 'To Be Without You', como nota bem a revista Q inglesa, traz bem realmente ecos do disco Sea Change, do Beck. 'Outbaund Train' é uma canção que te conforta em como uma separação deve causar em um coração partido, com um ritmo envolvente. Em 'Breakdown' estamos novamente com as guitarras elétricas dilacerantes.


Na Rolling Stone: Sua maior paixão são gatos.


Ryan Adams retorna com o coração costurado prometendo distância na faixa que fecha o disco 'We Dissapear'. Animado com a turnê do disco, e a vontade em fazer shows para grandes arenas, já estão marcados diversos shows pela Europa, Australia e EUA... quem sabe até América Latina ano que vem ou final do ano? :-) O mais importante é essa nova fase em que ele se apresenta. Renovado e com todo uma nova energia, cercado de seus gatos e de sua nova namorada.


Na capa da Rolling Stone australiana.


Em uma entrevista para a radio KCRW, Adams decifra o que significa amar nos dias de hoje. Ele conta que não devemos nos privar do amor, e que sim se lançar sempre para amar as pessoas. Que somos assim, é de nossa natureza humana amar e estar preso a isso. "Aquilo que eu vivi foi o máximo do meu esforço em estar vivo. Ser romântico é estar consciente da propria existência de nós como seres humanos." E completa. "(As guitarras elétricas no disco fazendo muitas canções soarem alegras apesar de melancolicas) foram o meio de celebrar essa consciência humana em estar vivo e poder amar". Por mais que doa eventualmente a separação. Ainda para a Q inglesa ele declara "Eu tenho 42 anos, você não pode me parar nem ferrando. Eu não tenho que pedir para ninguém permissão para ir para lugar nenhum." ele comenta por possui sua propria gravadora, a Pax-Am. "Eu não sou essa celebridade que aparece na TV toda hora. Eu não tenho paciência para isso." O cantor que não sabia mexer direiro em uma guitarra foi além e hoje usa ela para reparar sentimentos perdidos e achados.

No clipe de 'Do You Still Love Me?': clipe sobre a turnê do músico.

 Para os que não querem ter somente o novo disco nos serviços de streaming (esquece o box com as miniaturas do cantor e discos de vinil com diversas capas para cada canção - está esgotado, uma pena)...







Sim, um box com miniaturas do Ryan Adams e banda (e gatos, claro).


Abaixo a entrevista incrível de Ryan Adams com o bamba Zane Lowe no Beats1 da Apple Music, e o album 'Prisoner' na plataforma TIDAL.





segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os 60 maiores discos de 2014

20 - Broken Bells
After The Disco





19 - Morrissey
World Peace Is None Of Your Business





18 - Spoon
They Want My Soul


 
17 - Chet Faker
Built On Glass





16- Goat
Commune 



O som cru e ritualistico do Goat encontra em guitarras algo diferente em termos de som, o que torna esse um dos discos mais legais de 2014. Nas repetições do som dos chocalhos, baixo e guitarras, trazendo lentamente as percussões é delirante em 'Words', a segunda faixa do album. O som dançante, tenebroso e cativante vem e vai, sempre com bons riffs. 



Uma faixa: 'The Light Within'


http://open.spotify.com/album/7uQp0QiuQzOblVPfNQhczi




15 - James
La Petite Mort






14 - Ryan Adams
Ryan Adams



Não se contentando em ter lançado um dos discos do ano, o bem comentado '1984', o cantor norte-americano que adora nos surpreender com um som country sem esquecer do rock'n roll bom de ouvir vem com canções que vao mais fundo em letras intimas que falam de erros humanos, problemas e bravuras. Não tem como escapar, a não ser aumentar o volume e deixar as faixas passarem em melodias que com certeza vão fazer muito bem.


Uma faixa: 'Am I Safe'


http://open.spotify.com/album/69K1Pef7hoy91Q81F6WPey



13 - TV On The Radio
Seeds 



A cabeça de David Andrew Sitek é uma caixa de surpresa maravilhosa. Nela há batidas que realmente são diferentes, belas e originais. A banda formada no Brooklyn que abusando de experimentalismos no desejo de encontrar novos sons, se tornou um dos grandes nomes da musica na década passada retorna nesse ano com um novo disco que beira ao brilhante feito de merecer ser ouvido todos os dias. Só não é o melhor do ano porque esse ano foi incrivel. A atmosfera e as vibrantes canções do disco fecham com a faixa-titulo 'Seeds', um ode a vida. Fantástico.


Uma faixa: 'Careful You'


http://open.spotify.com/album/093xy0P5h7elpQQMiNyQuD



12 - Kasabian
48:13

Os ingleses de Leicester já é uma das maiores bandas do país, vende e lota estadios. O que poderia vir num novo disco do Kasabian, depois do estrondoso sucesso de 'Velociraptor!', de 2011? Muitos jornalistas musicais se surpreenderam quando a primeira faixa divulgada do novo disco 'Eez-eh' surgiu. Uma balada chiclete que lembrava um pouco a banda no seu começo, mas meio que alternava ao que eles faziam até aqui. Caiam de cabeça em baladas frenéticas, agitadas e viciantes. O nome vem do tempo de duração do disco. As faixas com nomes bastante orginais trazem um dos melhores discos da banda, que traçando um caminho mais festivo, olha para o passado com a agitação de uma banda que olha o horizonte em busca de novos desafios.


Uma faixa: 'bumblebeee'






11- The War On Drugs
Lost In The Dream


https://www.rdio.com/artist/The_War_On_Drugs/album/Lost_In_The_Dream/




10 - Foo Fighters
Sonic Highways





9 - Interpol
El Pintor




8 - Jack White 
Lazaretto





7 - Weezer
Everything Will Be Alright In The End 




6 - Future Islands
Singles


Com um electro-pop aliando letras dilacerantes como a faixa que abre o disco, a banda americana que se formou em programa de arte da East California University, já está aqui em um de seus muitos discos (o quarto) com a mesma boa sonoridade. Um dos mais belos discos desse ano.


Uma faixa: 'Seasons (Waiting On You)' 

https://www.rdio.com/artist/Future_Islands/album/Singles/




5 - Coldplay
Ghost Stories 




4 -  The Black Keys
Turn Blue




3 - Damon Albarn
Everyday Robots









2 - St. Vincent
St. Vincent


https://www.rdio.com/artist/St._Vincent/album/St._Vincent/


1 - U2
Songs Of Innocence


Bono, Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. tiveram algo próximo a três discos concluídos. As gravações com o produtor Danger Mouse foram produtivas e levaram a banda a explorar novos e antigos ritmos que dariam uma cara inovadora a banda que a cinco anos não apresenta um album novo. No inicio desse ano, enquanto todos esperavam que o recem lançado single 'Invisible' seria um prenuncio de um album pelos proximos meses, a banda decidiu que 2015 seria o momento certo de lançar algo.

Surpreendendo a todos, a banda de subito divulga de forma controversa seu novo disco. De graça, e disponivel a todos os Itunes do mundo, seja por meio de IPhones ou por meio de usuarios Mac ou PC. Gerando um marketing difuso em cima do mais recente IPhone 6, a banda se desculpou num video feito pela banda, e mais recentemente pediu desculpa por pedir desculpa em uma entrevista a revista inglesa Mojo, “I’m already working on the apology… for the apology, because I’m very proud of what we did. It’s one of the proudest moments in U2’s history", disse Bono a revista. ("Eu já estou trabalhando em uma desculpa... pela desculpa dada, porque eu estou orgulhoso do que fizemos. Foi um dos momentos mais recompensantes da historia do U2.").

Polemica a parte, se referindo ao trabalho da banda, as criticas foram do céu ao inferno. A NME deu nota 4 dizendo que o disco não faz jus a historia da banda que sempre apresentou diferentes sons; já a Rolling Stone elegeu o album o melhor do ano, por redefinir a historia da banda e do proprio Rock'n Roll em uma homenagem explicita a Jonny Ramone na faixa que abre o disco.

Eu proprio achei um trabalho unico. Não é o melhor da carreira da banda, mas redefine uma trajetoria que não busca quebrar paradigmas e trazer novos sons. Acima de tudo é o apice de uma historia que já passou por diferentes décadas e não busca por afirmação. Ao mesmo tempo que não se mostra cansada e exausta, pelo contrario, a energia em 'Songs Of Innocence', é a mesma que tiveram em 'Boy' e isso fica nitido da primeira a barbara ultima faixa 'The Troubles', que divide a voz com a cantora Lykke Li. É um trabalho mais que honesto, é de abrir o coração. Aqui não só o deles que estão claramente abertos para quem ouve, mas para nós que acabamos nos entusiasmando com os sentimentos das canções.


Uma faixa: 'Every Breaking Wave'




Até mais em 2015!

:-)