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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Mostra Internacional de Cinema turbinada!

*A edição de 2018 estava em total sincronia com os tempos atuais e com produções premiadas além de inéditas!


Em meio a esse espaço e o outro que escrevo no Medium (medium.com/@henriquevoxx), tentei colocar as resenhas dos filmes que vi da Mostra nesse outro blog e aqui deixar os links que escrevi (com comentários adicionais):

The Man Who Killed Don Quixote - clique na imagem

A loucura do Don Quixote.

Uma das grandes surpresas da Mostra, o filme dirigido por Terry Gilliam quase não saiu do papel. Em meio a conturbados eventos, o diretor conhecido por seu papel na trupe inglesa Monty Phyton realiza uma obra atemporal sobre um homem que enlouquece sob a crença de ser de fato Don Quixote e de um cineasta que criou toda a confusão. Com Adam Driver e Jonathan Pryce.


Infiltrados no Klan - clique na imagem 

De olho no perigo atrás da porta.

Spike Lee lança um filme sobre ataques a outros sobre o pretexto da diferença de raças onde o americano branco é o algoz em sempre buscar meios de inferiorizar o cidadão negro, seja na policia, na politica e principalmente na sociedade. John David Washington está muito bem no papel do policial que se infiltra no KKK para descobrir as intenções do grupo na cidade.

A Favorita - clique na imagem

A disputa pelo poder.
Os olhos. As expressões. O som da trilha sonora. O som dos gritos. O som do choro. Em A Favorita, temos diante de nós cada detalhe em uma harmonia que aterroriza e subverte as boas intenções e bons modos de uma sociedade do século XVIII. O terror está nos risos, nas boas intenções. E o que vemos é uma comédia de humor negro que transforma o senso comum em uma barbárie. Yorgos Lanthimos cria um filme absurdo sobre os limites para se conquistar o poder.

Roma - clique na imagem

As dores e alegrias da vida.

O diretor mexicano Alfonso Cuaron nos faz uma homenagem sobre afeto e nostalgia. Dentro de histórias de vida contadas sob uma fotografia primorosa, uma edição de som e atuações profundas, Roma deixa de ser um drama qualquer sobre histórias de vida, mas se torna um espetáculo que nos emociona e cativa. A empregada quando sofre o coração partido. A patroa que sente o mesmo, por seu marido que a deixou. As crianças, a avó. Cada cena nos revela o quão pouco preparados estamos para lidar com o passado. Quando ele nos deixa boas memórias ou más memórias. Sentimos falta e nos apegamos as memórias.

Wildlife - clique na imagem

Atitudes inconsequentes.

Arrependimentos. O modo como realizamos nossos objetivos nos leva a pensar no conquistamos. Se conquistamos algo que nos trouxer arrependimentos, o sofrimento pode fazer a vida tomar caminhos que não desejamos. Em sua estreia como diretor, Paul Dano também escreve o roteiro desse filme junto com a sua parceira de outros filmes como ator, Zoe Kazan. A densidade que o filme possui nos toma de assalto e a forma como os atores Jake Gyllenhaal e Carey Mulligan levam a sério os seus personagens nos coloca como expectadores de uma discussão sem lados certos e errados.

Agora é esperar que Outubro de 1964...ops, de 2019 chegue logo.

sábado, 20 de outubro de 2018

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Cobertura marota...

*O retorno daquele que não foi.

Pensando na vida: o filme de Desiree Akhavan que está na mostra paulistana.

Em tempos sombrios, somente o cinema pode nos proporcionar um meio de nos afungentar do medo e da dor de sobreviver a realidade. Como já diria o sábio Albert Camus, "Um homem sem memória é um homem sem passado. Mas um homem que não sabe fantasiar é um homem sem futuro". A fantasia sobre a vida nos pede para visualizar o desejo de alimentar os nossos sonhos, é por esse caminho que o cinema e as artes em geral nos convida a alimentar o intelecto e vislumbrar novas possibilidades e oferecer àqueles que o têm, a esperança de dias melhores. Que pode nunca chegar, mas que nos permite ter esperança de acreditar mesmo assim.

E é nesse clima de medo politico que a Mostra Internacional convida as pessoas a acreditar em histórias que vão contra o medo e nos provoca ousádia e esperança. Vou nesse espaço que deixei aos limbos por tempos em tempos, exercitar o meu senso crítico mas acima de tudo dialogar com as obras que vou ver nesse periodo de exibições ininterruptas de filmes. Filmes como "O mau exemplo de Cameron Post", da diretora Desiree Akhavan, "A Favorita", de Yorgos Lanthimos e os politicos "Infiltrado no Klan", de Spike Lee e o brasileiro "Rasga Coração", de Jorge Furtado e diversos outros.

O cinema, como a música e todo o tipo de arte sempre foi espaço para a manifestação de ideiais para um mundo melhor, seja esse um mundo possivel ou aparentemente impossivel. O mesmo Camus em seu livro Le mythe de Sisyphe (1960), já dizia: "L'absurde c'est la raison lucide qui constate ses limites". O absurdo será a razão lúcida que constata os seus limites. Nada passará incolume, intacto e inteiro. O mundo vai mudar e com ele os filmes estão aqui para contestar esse mundo e nos provocar ao pensamento. Essa Mostra vem a nós em um bom momento.


sábado, 4 de agosto de 2018

"Your mission, should you choose to accept it..."

* "Your mission, should you choose/decide to accept it, ... As always, should you or any of your Force be caught or killed, the Secretary will disavow any knowledge of your actions. This tape/disc will self-destruct in five/ten seconds. Good luck."

5,4,3,2,1...

Mais uma missão aceita... (Em Fallout, 2018)



Tom Cruise para mim é mais do que um simples ator que ganha a vida ao representar a sua arte, e por meio dela divulgar aquilo que deseja transmitir. O seu método de realizar a sua arte não se encontra na expressão da transformação de um personagem ao outro, ao imergir no conteudo que transmite. Cruise se lança em um método de se esforçar ao máximo e entregar personagens únicos. Não vou ficar em uma retrospectiva e analisar cada papel. Vou ficar só com o Ethan Hunt. Porque esse filme me fez vibrar com a ficção, com o cinema como a arte de entreter. Nunca vi a série de TV "Mission: Impossible" (mas pretendo me lançar algum dia a conferir), mas em cada filme feito por Cruise sou sempre o mesmo garoto que deitava no carpete preto do quarto da minha avó diante de uma televisão que passava o primeiro da série de filmes, dirigido pelo grande Brian De Palma. Lembro de assistir ao filme de 1996, com roteiro de David Koepp e Robert Towne e história de Steven Zaillian e David Koepp e aos 6 anos de idade sair extasiado com o tema da série/filme onde não parava de cantarolar pela casa de minha vó. Queria me juntar ao IMF, queria ser um agente secreto. Correr por ruas escuras da Europa e beijar mulheres sedutoras. Recordo do quanto amei o primeiro filme.


Sai a alguns minutos atrás da sessão do mais recente filme de uma série (literalmente) de SEIS filmes. O grande ator norte americano hoje com 56 "fucking" anos nascido em Syracuse, Nova York volta ao mesmo papel, que agora traz uma cadeia de novas histórias ao redor do personagem. O que o filme me causou hoje foi o mesmo tipo de reação do primeiro filme. A taquicardia. Já tive sérias reflexões sobre isso. Tenho que parar de entrar no filme, mas é tentador ser Hunt. Mas por quê? O seu charme e senso de responsabilidade pelo mundo o faz parecer meio pateta as vezes, mas isso o torna único. Em "Efeito Fallout", o ator reprisa o papel ao lado de atores vindos de outros filmes da série. Ving Rhames, o eterno Luther é o maior sobrevivente da série. Simon Pegg vem do terceiro filme, assim como Michelle Monaghan, reprisando o papel respectivamente de Benji e Julia. O alter ego aqui é Henry Cavell, onde em missão anteriores na sequencia delas foi de Jon Voight, Dougray Scott, Philip Seymour Hoffman, a bela Léa Seydoux e o sueco Michael Nyqvist e perigoso Sean Harris, que ainda aparece no novo "Fallout". Todos os vilões fizeram um bom trabalho em expor o por que são do mal, onde em boa parte é o sentimento similar de destruir o mundo. Cliché que sempre funciona, onde os roteiros ageis e bem desenvolvidos dão lugar a uma trama sempre atraente e sedutora.



Recordo-me de um Natal ou ano novo onde passei sozinho na casa do meus pais, uns anos atrás e resovi pegar todos as hisórias para rever até o quarto filme. A taquicardia era recorrente, como se fosse possível eu não sair vivo daquela missão que eu aceitei. O primeiro filme é todo aquele desfile de belos cenários na Europa, aquele aquario se despedaçando. A cena mais clássica da série ainda é do primeiro filme, onde prova que quando De Palma quer criar um ambiente mítico e cenas de tirar todo o fôlego do seu corpo, ele consegue. E como um sádico ele cria lentamente. O segundo filme já é mais porra louca, com as já caracteristicas cenas de ação do diretor chinês John Woo. A bela Thandie Newton e o cabelo cumprido de Cruise são marcantes, assim como aquela cena no final de cortar o oxigênio onde ele salta em uma moto e faz as mais inacreditáveis perseguições do cinema. No terceiro, o melhor filme de todos para mim. JJ Abrams, recém saído daquela série sobre um avião que caí em uma ilha com muitos passageiros, aparece para pegar todo aquele recheio da série, dos filmes anteriores e dos filmes de espionagem e lança Cruise na mais absurda aventura. Nunca saio inteiro desse filme, sempre deixo uma parte da minha alma na sala. Não é para principiantes ou aqueles que sofrem de ataques subitos no coração. Philip Seymour Hoffman define o filme, que começa tão tranquilo para Hunt que depois quando a coisa toda degringola chega a dar pena dos perreiros que ele passa. E o quarto chamado de "Protocolo Fantasma" é uma ode aos filmes de espionagem, com direção do incrível Brad Bird, que se aventura aqui no seu primeiro filme live-action depois de fazer sucesso com os filmes de animação da PIxar. Mulheres lindas em vestidos cortantes da ponta da coxa até os pés, carros estupendos e toda aquela tranquilaria que só poderia existir em filmes de 007. Cruise salta em prédio de Dubai e novamente me tira o ar do corpo. Tão bom rever Ving Rhames aqui. Lembro da nostalgia de o ver desde aquele primeiro filme, onde o clima frio aqui dá lugar a um clima quente.



O quinto filme, "Nação Secreta" talvez peca por parecer ser um recorte de todos os filmes de espionagem em geral, mas nutre uma trama tão envolvente que impossivel não achar tudo sensacional. Com direção de Christopher McQuarrie (o mesmo sujeito que dirige o novo filme, "Fallout" e os filmes de Jack Reacher, também com Cruise). No novo filme, Ethan Hunt é "o mesmo velho Ethan, de sempre", como confessa Luther para Julia em dado momento. Ele é o cara que "get the things done" ("faz as coisas darem certo"), sempre pensando no melhor para os seus companheiros. O sujeito se lança em uma espiral de momentos que eu achei estar em algum experimento de apnéia. E o faço simplesmente por não ver outra alternativa, ao entrar dentro da história com tudo (sempre faço isso) e ver tudo naquele limiar do fim. A vibração de sentir o pulsar daquele sujeito que por seis filmes se lança com tanto afinco, correndo no alto dos seus 56 anos de idade, pulando, saltando, machucando e salvando a todos quando a faísca no fio de polvora está próximo da bomba. Quando o relógio do detonador corre nos 15 minutos e só é interrompido nos 0,1 segundos. Impossível é sair vivo de uma sessão de Missão Impossível, onde com muito orgulho, confesso ter sobrevivido a cada um deles, apesar das taquicardias.


Uma curiosidade: o tema da série/filmes foi arranjada e conduzida por um argentino. O seu nome é Lalo Schifrin. Ele fez esse grande tema em 1967 para a série criada por Bruce Geller. Além disso, fez as trilhas sonoras de diversos filmes, como os inesqueciveis dos filmes dos filmes de Dirty Harry, para Clint Eastwood.







quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Historias de 2017. Contos sobre os filmes que fizeram o ano.


Logan (dir. James Mangold) não entra na lista porque foram somente dez filmes que selecionei, mas é um filme inesquecivel e merece menção honrrosa na foto do post. 


O ano que se foi deixou um legado de filmes autorais cada vez mais autênticos. Em outros anos a quantidade foi menor, ou pelo menos a impressão deixada fosse essa. O mundo mudou muito desde aquele ano de 2016 onde muitos condenaram a falta de negros e gays entre os indicados ao Oscar. Em 2017, Moonlight, de Barry Jenkins levou a estatueta de melhor filme... Ou quase já que devido a uma gafe homérica, os realizadores do Oscar entregaram os envelopes errados nas mãos de Warren Betty e Faye Dunaway, que desconcertados foram corrigidos pelo diretor de La La Land, filme anunciado pelo o par no palco ao vivo para milhões. Moonlight conta a história de um garoto em três épocas distintas, percorrendo sua história de vida e descobertas sexuais e pessoais.

Esse ano para o cinema pode ser dividido em filmes que contam a história de indivíduos em busca de uma saida de algo que os prende. Seja dentro da mente (Get Out), seja de uma força policial que aflige (Detroit), seja de uma praia em meio a bombardeios nazistas (Dunkirk). O medo percorre as histórias dos melhores filmes do ano. Talvez o medo do presente com um presidente como Donald Trump na Casa Branca ajude a compreender a angústia que se transmite nas telas. Em Okja, filme do sul coreano Bong Joon-ho temos o medo presente nos olhos de uma garota que vê o seu bicho, um gigante porco sendo preso e levado para o abate, onde a dona de grande conglomerado alimentício (interpretado brilhantemente pela atriz Tilda Swinton) deseja fabricar um produto com a carne dos muitos porcos gigantes assim como okja, o animal da garota. E esse medo chega até Asgard onde o Thor dos quadrinhos da Marvel vê o seu planeta invadido e subjugado por uma filha de seu pai e deusa da morte interpretada por Cate Blanchett. 

Se o cinema expressa sentimentos de nossas miseráveis vidas, por meio de histórias sobre vidas que percorrem surreais caminhos e nos leva a atentar para o passado e futuro com os olhos para o presente, significa que o trabalho do diretor e equipe técnica foi feita com esmero. O poder dos filmes é subestimado. Além de um entretenimento que nos leva a percorrer filas para a compra de bilhetes e pipocas, cada tela que se acende abre buracos misteriosos que podem carregar enormes reflexões sobre a nossa existência nessa vida, apaziguar corações que foram machucados ou feridos, dar impulso a realizar sonhos que a vida pode ter os desencorajados. Em 2017, filmes atrás de filmes tocaram pessoas mais fundo dentro delas e as mostrou que o medo não resiste a força que está dentro de cada um dos que se deixaram levar pelas histórias contadas nas telas, seja as do cinema ou as do Netflix.

Aqui vou colocar os filmes que eu vi nesse ano, com muitas ausencias devido a agenda dos filmes cujas estreias nos Estados Unidos deixa de fora o Brasil somente para uma estreia em 2018. Aqui coloco alguns filmes que fizeram a minha cabeça e entra em certo dez melhores do ano. Voilá...

  • Star Wars: The Last Jedi (Os Ultimos Jedi)

Rian Johnson fez bem mais do que mostrar o porque é um diretor que abraça os filmes com o desafio de os tornar algo maior do que a média. O seu Star Wars se torna um filme ousado, que mantém o clima dos antecessores, sem perder a ousadia de mudar toda a história. Carrie Fisher se despede do papel que a eternizou. Um filme memorável e emocionante. 

  • Detroit 

A história que ocorreu em 1967 em um hotel em Detroit em meio a uma rebelião racial que ocorreu por todo a cidade por cinco dias, chocou o mundo. Policiais invadiram o local e fizeram pessoas inocentes em reféns onde por um mal entendido, boa parte dos ocupantes do hotel foram assassinados. As familias desses ocupantes que eram negros nunca viram justiça, já que todos os policiais foram absolvidos. A diretora de Guerra ao Terror, Katheryn Bigelow vai fundo e cria uma obra muito bem filmada, com uma ótima trilha sonora. 

  • Get Out (Corra!)

Vibrante, assustador e dilacerante. A obra prima do estreante Jordan Peele nos pega desprevenidos a todo o momento. Com um humor que se mostra presente na capacidade de nos chocar com a critica social e no preconceito racial, o casal Chris e Rose são tudo aquilo que você não espera que seja, com frames e fotografias que nos traga para dentro de uma história surreal. Melhor filme de 2017, indiscutível. 

  • The Lost City of Z (A Cidade Perdida de Z)

Por dentro da ambição humana, vemos como o desejo de se tornar algo maior do que nós mesmo nos transforma em algo que nunca esperavámos ser. Nesse filme de James Gray somos levados para uma obra que apresenta as muitas épocas em que o explorador Major Percy Fawcett (Charlie Hunnam) viveu em busca de achar sua glória maior em meio a floresta amazônica. Visualmente o filme é um delirio e o roteiro busca uma profundidade de uma epopéia monumental, ao final sendo uma obra muito bem realizada com muitas intenções e dentre elas a maior parte realizada. Esplêndido. 

  • Baby Driver  

Edgar Wright conhece os meandros de um filme pop até a medula. Em 'Baby Driver', o diretor nos entrega uma trilha-sonora matadora, em um filme extremamente bem editado e com atores muito bem em cena. O timing do filme nos deixa sem ar, da mesma maneira como o motorista de nome Baby sabe sair bem das fugas nos assaltos que participa. 

  • Colossal 

Aqui está um filme que hesitei em colocar mas parece improvável deixar de lado uma obra que aparentemente é uma comédia sem nenhum trunfo, quando na realidade deixa em seu humor negro uma história que envolve uma moral bem contada e extremamente engraçada. Anne Hathaway entre uma de suas melhores performances e o diretor Nacho Vigalondo captura bem a mensagem do filme por meio das surreais aparições dos monstros.

  • Dunkirk 

Christopher Nolan mostra um filme que retrata a guerra sem uma mensagem de vencedores e perdedores, e onde não se vê  no horizonte nada além de sobrevivencia ao invés de vitoria. As cenas filmadas na praia deixam atônitos os mais profundos apaixonados por cinema. Em um ambiente cloustrofóbico, a trilha sonora que soa com tiques de um relógio e a determinação de simples individuos em busca de mostrar solidariedade humana torna o filme uma experiência transcedental.


  • The Square 

Um curador de um museu promove uma exposição sobre a indiferença humana entre os individuos de uma sociedade. O que ele não percebe é que a propria arte que ele conhece não retrata aquilo em que ele acredita. Em um misto de situações completamente absurdas vemos de propagandas com mensagens suspeitas a um ator imitando um simio e provocando as mais viscerais reações de uma platéia. O diretor Ruben Ostlund nos arranca uma das mais surreias experiências do ano no cinema.

  • The Discovery 

O que vem depois da morte? Uma pergunta respondida pelo diretor Charlie McDowell em The Discovery, um filme que conta a história de duas pessoas que se encontram acidentalmente e criam laços. Rooney Mara e Jason Segel criam atuações viscerais em um filme com uma boa história. 

  • Blade Runner 2049

Denis Villeneuve embarca em um desafio cinematografico muito maior do que qualquer outro já desafiado por um diretor de cinema depois dele: realizar uma boa continuação do classico filme de Ridley Scott (aqui como produtor) Blade Runner (1982) adaptação para o cinema da obra de Philip K. Dick. E o resultado é um filme tão imenso quanto. Tão forte quanto. Ryan Gosling agora é o policial e Harrison Ford mantem vivo o seu sarcasmo de antes. 2049 exagera na medida e é deslumbrante. Roger Deakins na fotografia tem o mérito todo.


Claro que tem mais filmes e esses aqui não é nem de longe o reflexo dos dez melhores, mas foram os que mais me impactaram e de certa forma foram os meus favoritos no ano (até o momento, já que devido a agenda de lançamentos no Brasil ainda não vi Call Me By Your Name, Darkest Hour, Three Billboards Outside, Ebbing, Missouri, Coco, entre outros).

Devo fazer uma lista dos filmes que mais gostei do Oscar que terá todos esses.

domingo, 19 de março de 2017

A fé em Deus testada por dois grandes diretores de cinema

Em 'Silence', o grande Martin Scorsese realiza um projeto ambicioso.

Em sua primeira série de TV, o italiano Paolo Sorrentino mostra a grande beleza da Igreja Catolica

Deus existe? A pergunta que norteia a humanidade desde que foi descoberta as escrituras sagradas e onde desta toda a existência humana baseou-se sob o prisma de que de fato Deus existe. Entretanto há uma comunicação direta como o Todo Poderoso? Como se daria esse contato direto? Em momentos que mais desejamos como clamar por essa visão? Muitos acreditam que a fé é testada sobre nós e que somente dessa forma Deus sabe distinguir os que crêem de verdade e de coração. Mas para as respostas humanas, no calor da vivência da carne pode parecer mais dificil de aceitar tal tarefa. Essa pergunta milenar está presente nas histórias contadas pelos provaveis dois maiores diretores de cinema vivos.

O primeiro é Martin Scorsese. Um dos maiores diretores do século XXI, que já tratou de religião em outros filmes, sobretudo em A Ultima Tentação de Cristo, de 1988, baseado no livro de Nikos Kazantzakis, traz a tona um projeto que levou décadas para finalmente ser realizado. Em 'Silencio', cujo filme foi baseado no livro de mesmo nome escrito por Shusaku Endo, a fé é testada nos limites mais profundos do ser humano em suportar a dor pela verdade, tal qual Cristo sofreu em nome da humanidade, como se mostra no Novo Testamento. O projeto que Scorsese mais tinha paixão se mostra agora concluida, uma obra muito bem filmada, com cenários incriveis. A fotografia de Rodrigo Prieto é um deslumbre, das cenas nas cruzes no mar ao modo como as cenas são levadas do alto nas escadas de igrejas, até aos momentos de tensão nos vilarejos.

Aqui Scorsese chama a atenção a um tema ocorrido no século 17, quando dois jesuitas portugueses (Adam Driver e Andrew Garfield) resolvem ir atrás do paradeiro do mestre (Liam Neeson) que não deu mais noticias após visitar um Japão sombrio sob uma lei que proibi com pena de morte a pratica do cristianismo. Ao se ver no fim do mundo, a fé é colocada a prova para os dois jesuitas. Largar a fé em Cristo passa a ser necessário para suas proprias sobrevivências, assim como para os proprios japoneses que seguem a religião proibida. A escolha pela morte por muitos que se recusam a pisar na imagem sagrada mostram o preço a se pagar pela fé no desconhecido, pelo preço de uma vida eterna.

Já o segundo diretor, Paolo Sorrentino, italiano, vencedor do Oscar por seu maginifico retrado da alta sociedade na delirante vida noturna de Roma, em A Grande Beleza, traz o seu ousado novo projeto. Em 'The Young Pope', Sorrentino filma imagens do Vaticano de tirar o fôlego, assim como injeta uma alta dose de cultura pop sob uma imagem tão pouca dissecada (tirando claro o otimo 'Habemus Papam', do diretor Nanni Moretti). O papa jovem é Jude Law que emprega uma baita interpretação no papel do soberano da Igreja Catolica Romana. Destaques no elenco aqui para Diane Keaton, Silvio Orlando e Scott Shepherd.

O mérito de The Young Pope é nos mostrar que nem mesmo o Papa está imune de uma imagem satirica. O modo como o cômico se mostra presente no secretario geral que é um enorme entusiasta do time do Napoli, até aos vicios maiores dissecados de forma contundente tais como o homossexualismo e a pedofilia. O papa aqui é o Pio XIII, que se mostra um Trump de batinas, fumante compulsivo, que adora Cherry Coke. Seu desprezo por tudo aquilo que deveria servir para unir a todos, se torna indiscutivel, sobretudo a forma como encara temas espinhosos como aborto, divorcio, etc. A crença em Deus é negada em seu intimo o que causa espanto nos clérigos ao seu redor (Como o Papa não crê em Deus?).

Seja no tom mais ameno da já obra prima de Sorrentino, para a obra pessoal de Scorsese, a fé aqui é o tema principal. Como lidar com as incerteza do mundo? O que fica é a certeza que crer é mais importante do que saber a verdade, porque afinal é o que nos resta enquanto seres mortais habitantes em um planeta no Universo vasto que paira sob algum lugar.


Um papa diabolico: Jude Law em um de seus melhores papéis da carreira.


segunda-feira, 28 de março de 2016

Como salvar os super-heróis?

*Uma reflexão sobre o momento cinematográfico em que vivemos.



Image via Empire


O cinema, como arte barata feita para o proletário se entreter - o que nisso não há nada de ruim e sim de bom já que arte muito conceitual e seletiva é chata e esquecível - vem trazendo nos filmes de super heróis um nicho de centenas de produções para encher salas multiplex de shoppings. Se o passado do começo do século passado era dominado por faroestes/filmes bíblicos, comédias pastelão e romances épicos, o começo desse século só tem quadrinhos.

O problema disso é que os heróis não cabem mais na fantasia e são demasiadamente realísticos. Essa afirmação tem seu lado verdade, mas não sobrevive a ideia de que não vivemos no mundo de fantasia dos EUA na Guerra Fria, onde o outro lado socialista ditava o mal. A mitologia dos heróis que vemos nas telas ainda baseados naquele cenário, promove em sua versão atual no cinema essa aproximação com a realidade que até é positivo.

O novo filme 'Batman Vs Superman - A Origem da Justiça' trata-se de uma reflexão acerca sobre heróis no cinema hoje em dia, ou pelo menos soou para a minha pessoa. O confronto entre dois seres anormais em uma realidade onde a humanidade dá espaço para grandes corporações com poderes ilimitados, como a LexCorp, não é verossímil. O bom do filme é justamente pensar nos super-heróis como responsáveis por defender a humanidade do mal, seja esse qual for, nos dando o conforto de que em meio a Estado Islâmico e terroristas, há seres com poderes capazes de derrotar essas ameaças. A própria humanidade, como fica explicito no filme, se torna a maior ameaça. E nesse responsável, a figura de todos os que sentiam repulsão pelo ser alienígena Super Humano.

Passado o frenesi, 'BvS' é um filme inacabado, justamente por não propor um enredo que funcione para lermos o filme em um formato. O filme todo não ganha um formato. O que Zack Snyder faz é entuchar em um só filme o que a Marvel levou anos de filmes para fazer: apresentar os super-herois de forma compreensível. Buracos no roteiro, soluções risíveis para dilemas entre os personagens, um começo de filme que poderia ser facilmente cortado do filme. No final, desejamos ter visto mais de uma só história que fizesse sentido, uma em que de preferencia colocasse um protagonismo em um embate prometido e que não se concretiza. Qual o sentido desse filme?

O que importa é achar que esses super humanos podem existir. No caminho, pode haver exageros, desde que não nos soe forçado demais, caricaturístico demais. Os filmes do Batman, dirigido pelo mestre dos exageros Tim Burton foi um retrato dos exageros dos anos 90. Ainda soava plausível crer no surreal no que se tratava de homens morcegos. Hoje, só pode soar antiquado e sem graça. As versões do diretor Christopher Nolan ensinou para a critica e publico que lugar de super heróis é no mundo real sombrio e cruel.




Na visão da Marvel ainda podemos sonhar, já que seus personagens são atemporais (ou pelo menos, muitos deles), tais como Homem Aranha e Hulk. O que não deixa de fora a profundidade de temas atuais como vistos nos recentes Vingadores e Capitão América. Ainda assim, as histórias parecem soar tudo o mesmo saco de tramas. Os filmes do Thor são um saco. Assim como os novos Homem Aranha. Já não há mais espaço para historias tradicionais de super heróis. É preciso radicalizar e mostrar algo interessante. Projetos como Deadpool são um frescor ao marasmo de sacos cheios de uma platéia sem paciência para esse gênero monótono.

A salvação para os super-heróis é não ser super-heróis. Ser, no lugar de messias da humanidade, figuras apaixonantes por construir o fantástico em cima de fracassados. Como nós.

As séries da Marvel no Netflix parece seguir o caminho certo. Essa é uma época em que o protagonista de filmes assim mora em lugares atípicos, tais como o herói da série Mr. Robot. Pode ser qualquer um, não precisa ser rico ou ter super poderes.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Crítica: Argo




Observando de longe, há algum tempo atras, Ben Affleck era um ator mediano e sem muita consistência. Fazia o tipo de um galã que assumia a frente de filmes com pouco conteudo e que não fazia muita a diferença frente as cameras com a atuações que o detacasse. Bem, isso não mudou aqui e nem é algo que veio a melhorar, mas ele cresceu. Não como ator, que venha a ficar bem claro, nada contra afinal tenho por ele grande estima. Apenas o reconheço como um ator bom e regular. Os roteiros fazem a diferença e aqui não quero deixar de fora e nem ao menos ocultar que tendo escrito um roteiro com o também ator Matt Damon,  venceu o Oscar de melhor roteiro original por Gênio Indomável. Sua reputação talvez tenha sido manchado um pouco sua trajetória, ou engrandecido seu leque de experiencias em diversos tipos de generos. Sua ambição talvez sempre esteve enquanto filmava Demolidor - O Homem sem medo ou A Sombra de Todos os Medos. Dois blockbusters que definiram sua filmografia ao lado de outros tantos. Almejava se tornar um diretor de cinema. E se voltarmos àquele Ben Affleck capaz de escrever roteiros oscarizados, não devemos subestima-lo. 

Após dois filmes muito bons. Medo da Verdade (2009) e Atração Perigosa (2010) são duas espécimes que possuem algo de catártico, intrigante e que prende a atenção. Adoro o clima frio e ágil que conduz sua câmera  E aqui em Argo (2012), Ben, ator que atualmente é casado na vida real com a linda atriz Jennifer Garner, vai além de suas ambições, até mesma aquelas suas em que devia pensar enquanto almoçava no seu trailer no intervalo das filmagens de seus antigos blockbusters. A dimensão que seu filme anda tomando pode levá-lo a ganhar o Oscar de melhor diretor ano que vem. E não é pouco. O filme é brilhante. Conta a história de um grupo de diplomatas americanos que escapam da embaixada em Teerã, no ano de 1979 em meio ao tumulto causado pela revolução islâmica no Irã, cuja a causa é a decisão de os Estados Unidos dar asilo ao seu antigo aliado, o xá Reza Pahlavi, despertando o ódio e a fúria de toda a população pelos EUA. Sem ter para onde ir, os diplomatas encontram abrigo as escondidas na embaixada do Canadá. Sob o risco de comprometer o país vizinho, a CIA convoca seu melhor agente para desempenhar o papel de socorrer os diplomatas americanos que ali se viam prestes a serem executados pelo regime de Ali Khamenei, radical que dominou o país. Esse agente interpretado por Ben Affleck tem a ideia de socorre-los fazendo um filme fictício que tenha como cenário o ambiente iraniano, para servir de desculpa para o plano ser posto em prática. Ai é que o filme degringola.
Com uma edição de arte e maquiagem impressionantes, somos tragados para os anos 70 em sua plenitude (desde a trilha sonora, passando de Aerosmith a Led Zeppellin), aos cabelos grandes e costeletas. Tudo nada superficial, mas verossimil. 

A tensão que o diretor Ben Affleck nos causa é sufocante e conduz o espectador a um deslumbre sem precedentes. O contraponto é a história referente a trama de Argo, o filme falso, que traz a tona atores brilhantes como John Goodman e Alan Arkin. O primeiro interpreta o maquiado vencedor de um Oscar, por o Planeta dos Macacos, John Chambers, já Arkin, faz o produtor Lester Siegel. Ambos nos brindam com dialogos hilários sobre a Hollywood que se desdobrava já naqueles tempos. Um humor que não contradiz, nem minimiza a tensão do filme, mas engrandece o filme. 
O ator Ben Affleck agora um dos mais interessantes diretores da nova safra, pode ver sua carreira deslanchar se vencer mesmo o prêmio da Academia ano que vem. Tô gostando do que ando vendo, desejo boa sorte a ele e que faça jus a tanta expectativa que deposito nele.