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sábado, 20 de outubro de 2018

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Cobertura marota...

*O retorno daquele que não foi.

Pensando na vida: o filme de Desiree Akhavan que está na mostra paulistana.

Em tempos sombrios, somente o cinema pode nos proporcionar um meio de nos afungentar do medo e da dor de sobreviver a realidade. Como já diria o sábio Albert Camus, "Um homem sem memória é um homem sem passado. Mas um homem que não sabe fantasiar é um homem sem futuro". A fantasia sobre a vida nos pede para visualizar o desejo de alimentar os nossos sonhos, é por esse caminho que o cinema e as artes em geral nos convida a alimentar o intelecto e vislumbrar novas possibilidades e oferecer àqueles que o têm, a esperança de dias melhores. Que pode nunca chegar, mas que nos permite ter esperança de acreditar mesmo assim.

E é nesse clima de medo politico que a Mostra Internacional convida as pessoas a acreditar em histórias que vão contra o medo e nos provoca ousádia e esperança. Vou nesse espaço que deixei aos limbos por tempos em tempos, exercitar o meu senso crítico mas acima de tudo dialogar com as obras que vou ver nesse periodo de exibições ininterruptas de filmes. Filmes como "O mau exemplo de Cameron Post", da diretora Desiree Akhavan, "A Favorita", de Yorgos Lanthimos e os politicos "Infiltrado no Klan", de Spike Lee e o brasileiro "Rasga Coração", de Jorge Furtado e diversos outros.

O cinema, como a música e todo o tipo de arte sempre foi espaço para a manifestação de ideiais para um mundo melhor, seja esse um mundo possivel ou aparentemente impossivel. O mesmo Camus em seu livro Le mythe de Sisyphe (1960), já dizia: "L'absurde c'est la raison lucide qui constate ses limites". O absurdo será a razão lúcida que constata os seus limites. Nada passará incolume, intacto e inteiro. O mundo vai mudar e com ele os filmes estão aqui para contestar esse mundo e nos provocar ao pensamento. Essa Mostra vem a nós em um bom momento.


sábado, 4 de agosto de 2018

"Your mission, should you choose to accept it..."

* "Your mission, should you choose/decide to accept it, ... As always, should you or any of your Force be caught or killed, the Secretary will disavow any knowledge of your actions. This tape/disc will self-destruct in five/ten seconds. Good luck."

5,4,3,2,1...

Mais uma missão aceita... (Em Fallout, 2018)



Tom Cruise para mim é mais do que um simples ator que ganha a vida ao representar a sua arte, e por meio dela divulgar aquilo que deseja transmitir. O seu método de realizar a sua arte não se encontra na expressão da transformação de um personagem ao outro, ao imergir no conteudo que transmite. Cruise se lança em um método de se esforçar ao máximo e entregar personagens únicos. Não vou ficar em uma retrospectiva e analisar cada papel. Vou ficar só com o Ethan Hunt. Porque esse filme me fez vibrar com a ficção, com o cinema como a arte de entreter. Nunca vi a série de TV "Mission: Impossible" (mas pretendo me lançar algum dia a conferir), mas em cada filme feito por Cruise sou sempre o mesmo garoto que deitava no carpete preto do quarto da minha avó diante de uma televisão que passava o primeiro da série de filmes, dirigido pelo grande Brian De Palma. Lembro de assistir ao filme de 1996, com roteiro de David Koepp e Robert Towne e história de Steven Zaillian e David Koepp e aos 6 anos de idade sair extasiado com o tema da série/filme onde não parava de cantarolar pela casa de minha vó. Queria me juntar ao IMF, queria ser um agente secreto. Correr por ruas escuras da Europa e beijar mulheres sedutoras. Recordo do quanto amei o primeiro filme.


Sai a alguns minutos atrás da sessão do mais recente filme de uma série (literalmente) de SEIS filmes. O grande ator norte americano hoje com 56 "fucking" anos nascido em Syracuse, Nova York volta ao mesmo papel, que agora traz uma cadeia de novas histórias ao redor do personagem. O que o filme me causou hoje foi o mesmo tipo de reação do primeiro filme. A taquicardia. Já tive sérias reflexões sobre isso. Tenho que parar de entrar no filme, mas é tentador ser Hunt. Mas por quê? O seu charme e senso de responsabilidade pelo mundo o faz parecer meio pateta as vezes, mas isso o torna único. Em "Efeito Fallout", o ator reprisa o papel ao lado de atores vindos de outros filmes da série. Ving Rhames, o eterno Luther é o maior sobrevivente da série. Simon Pegg vem do terceiro filme, assim como Michelle Monaghan, reprisando o papel respectivamente de Benji e Julia. O alter ego aqui é Henry Cavell, onde em missão anteriores na sequencia delas foi de Jon Voight, Dougray Scott, Philip Seymour Hoffman, a bela Léa Seydoux e o sueco Michael Nyqvist e perigoso Sean Harris, que ainda aparece no novo "Fallout". Todos os vilões fizeram um bom trabalho em expor o por que são do mal, onde em boa parte é o sentimento similar de destruir o mundo. Cliché que sempre funciona, onde os roteiros ageis e bem desenvolvidos dão lugar a uma trama sempre atraente e sedutora.



Recordo-me de um Natal ou ano novo onde passei sozinho na casa do meus pais, uns anos atrás e resovi pegar todos as hisórias para rever até o quarto filme. A taquicardia era recorrente, como se fosse possível eu não sair vivo daquela missão que eu aceitei. O primeiro filme é todo aquele desfile de belos cenários na Europa, aquele aquario se despedaçando. A cena mais clássica da série ainda é do primeiro filme, onde prova que quando De Palma quer criar um ambiente mítico e cenas de tirar todo o fôlego do seu corpo, ele consegue. E como um sádico ele cria lentamente. O segundo filme já é mais porra louca, com as já caracteristicas cenas de ação do diretor chinês John Woo. A bela Thandie Newton e o cabelo cumprido de Cruise são marcantes, assim como aquela cena no final de cortar o oxigênio onde ele salta em uma moto e faz as mais inacreditáveis perseguições do cinema. No terceiro, o melhor filme de todos para mim. JJ Abrams, recém saído daquela série sobre um avião que caí em uma ilha com muitos passageiros, aparece para pegar todo aquele recheio da série, dos filmes anteriores e dos filmes de espionagem e lança Cruise na mais absurda aventura. Nunca saio inteiro desse filme, sempre deixo uma parte da minha alma na sala. Não é para principiantes ou aqueles que sofrem de ataques subitos no coração. Philip Seymour Hoffman define o filme, que começa tão tranquilo para Hunt que depois quando a coisa toda degringola chega a dar pena dos perreiros que ele passa. E o quarto chamado de "Protocolo Fantasma" é uma ode aos filmes de espionagem, com direção do incrível Brad Bird, que se aventura aqui no seu primeiro filme live-action depois de fazer sucesso com os filmes de animação da PIxar. Mulheres lindas em vestidos cortantes da ponta da coxa até os pés, carros estupendos e toda aquela tranquilaria que só poderia existir em filmes de 007. Cruise salta em prédio de Dubai e novamente me tira o ar do corpo. Tão bom rever Ving Rhames aqui. Lembro da nostalgia de o ver desde aquele primeiro filme, onde o clima frio aqui dá lugar a um clima quente.



O quinto filme, "Nação Secreta" talvez peca por parecer ser um recorte de todos os filmes de espionagem em geral, mas nutre uma trama tão envolvente que impossivel não achar tudo sensacional. Com direção de Christopher McQuarrie (o mesmo sujeito que dirige o novo filme, "Fallout" e os filmes de Jack Reacher, também com Cruise). No novo filme, Ethan Hunt é "o mesmo velho Ethan, de sempre", como confessa Luther para Julia em dado momento. Ele é o cara que "get the things done" ("faz as coisas darem certo"), sempre pensando no melhor para os seus companheiros. O sujeito se lança em uma espiral de momentos que eu achei estar em algum experimento de apnéia. E o faço simplesmente por não ver outra alternativa, ao entrar dentro da história com tudo (sempre faço isso) e ver tudo naquele limiar do fim. A vibração de sentir o pulsar daquele sujeito que por seis filmes se lança com tanto afinco, correndo no alto dos seus 56 anos de idade, pulando, saltando, machucando e salvando a todos quando a faísca no fio de polvora está próximo da bomba. Quando o relógio do detonador corre nos 15 minutos e só é interrompido nos 0,1 segundos. Impossível é sair vivo de uma sessão de Missão Impossível, onde com muito orgulho, confesso ter sobrevivido a cada um deles, apesar das taquicardias.


Uma curiosidade: o tema da série/filmes foi arranjada e conduzida por um argentino. O seu nome é Lalo Schifrin. Ele fez esse grande tema em 1967 para a série criada por Bruce Geller. Além disso, fez as trilhas sonoras de diversos filmes, como os inesqueciveis dos filmes dos filmes de Dirty Harry, para Clint Eastwood.







domingo, 4 de março de 2018

Os prêmios da Academia. O ano dos cinéfilos começa hoje.



* Por que raios ainda é tão atrativo assistir o Oscar?

Permita brevemente discorrer sobre o que significa pra mim escrever sobre uma premiação como o da Academia, ou o de Cannes, ou simplesmente sobre Mostras pela cidade, blockbusters e filmes independentes. Falar sobre cinema é um modo de canalizar a nossa propria fascinação por uma obra de arte que capta o nosso ser para fora do corpo. Como em uma magia somos levados a encarar sentimentos de outros em tela, sobretudo quando o diretor e atores trabalham tão bem e por isso o apreeço pelos filmes de premiação, pelo constante trabalho exepcional.

Julgar os melhores beira a um trabalho injusto. Premiar um bom trabalho significa ignorar aspectos que os outros podem ter e que o vencedor não possui. Por esse motivo, obras com conotação politica ou social tendem a levar os prêmios principais, mas esse é o intuito do cinema: transmitir uma visão da realidade também. Multiplas visões, capazes de dialogar com um evento e nos fazer ter reflexões sobre. O mais brilhante momento de filmes como o documentário "Os Ultimos Homens em Aleppo", de Feras Fayyad significa nos oferecer uma visão mais acurada e precisa do horrendo conflito na Siria. Ao ser indicado no Oscar desse ano, nos faz observar que o cinema e a realidade tem que estar em sintonia sempre, pois o mundo do cinema deve ser lúdico, mas acima de tudo real.

E nessa realidade temos os filmes principais do prêmio de número 90 da Academia de Artes Cinematográficas dialogando com um mundo cujos temas são o racismo, segregação, ameaça a imprensa, entre outros. Em "A Forma da Agua", de Guillermo Del Toro, o cenário é a imagem de um ser mágico que se vê preso em uma instalação americana do exército. Uma moça muda que trabalha na limpeza do lugar observa o ser anfibio e se apaixona. O amor e todo o trabalho de roteiro nos conduz a um retrato do próprio tempo de Hollywood nos anos dourados do cinema norte-americano. No outro lado temos uma mãe que ainda não recebeu justiça por um crime odioso emperpetrado contra sua própria filha. No espetácular "Três Anuncios para um Crime", o serviço do diretor Martin McDonagh é criar um espaço para grandes atores recriarem dramas passados dentro de uma ficticia cidade chamada Ebbing, no Estado do Missouri. Outro grande destaque recai sobre Dunkirk, do diretor Christopher Nolan, que em uma obra atemporal nos lança em um filme sem afeto ou sentimentalismo sobre os eventos que tomaram conta na praia francesa que dá nome ao filme, onde soldados ingleses e franceses buscavam sobreviver a morte. E claro, o filme de Jordan Peele, "Corra!", que redefine o gênero de filmes de suspense.

Nesse post vou colocar os meus favoritos em todas as categorias dessa premiação de hoje. Diferentemente de outros anos, me propus a ver literalmente os filmes de todas as categorias da premiação da Academia, para ter uma experiência ainda maior sobre os indicados. Como citei acima, vencer um prêmio significa pouco, diante do que está em jogo mas como eu adoro 1 - uma festa; 2- sobre filmes; 3 - com apelo a um glamour que enche sempre os olhos, me encanta participar, sem a pressão de ser um dos cerca de 6.000 votante da premiação, da premiação pela TV, julgando a tudo e a todos. Boa premiação para todos!

A festa será comandada pelo apresentador Jimmy Kimmel mais uma vez. Podemos esperar mais piadas com Matt Damon esse ano. Além de referências a politica americana e sobre o movimento Times Up e os escândalos de assédio.



clique no video abaixo:




Atriz Coadjuvante


Mary J. Blige, Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi

Octavia Spencer, A Forma da Água

Allison Janney, Eu, Tonya



Eu pessoalmente a recordo mais por uma série de TV que ela fez chamada "Masters of Sex", e de filmes como Juno e The Help. Aqui ela assombra. O papel da mãe da patinadora Tonya Harding (Margot Robbie) te faz rir e se assustar ao mesmo tempo, no mesmo momento em que a sua voz e trejeitos levam a personagem para um lugar obscuro.

Laurie Metcalf, Lady Bird: É Hora de Voar


Lesley Manville, Trama Fantasma



Longa-metragem de Animação 


O Poderoso Chefinho

The Breadwinner

Viva – A Vida É uma Festa (Lee Unkrich and Darla K. Anderson)


O que a Pixar sempre faz nos seus filmes é criar um mundo completamente diferente do que esperamos estar. Em "Coco" - "Viva - A Vida é uma festa" somos apresentados a um dos mundos mais interessantes de se contar: o da morte, e nele o personagem Miguel tenta encontrar uma saida do mundo dos mortos ao mesmo tempo que deseja ser um músico no mundo dos vivos. Uma bela homenagem a cultura do México.

O Touro Ferdinando

Com Amor, Van Gogh



Filme em Língua Estrangeira



Uma Mulher Fantástica (Chile) (Dirigido por Sebastián Lelio)


O cinema chileno anda cada vez melhor. Depois do esplêndido "Gloria", de 2013, o cineasta Sebastián Lelio cria um filme sobre perdas e conquistas. "Una Mujer Fantastica" utiliza do lúdico e de belos dialogos para tratar de preconceitos. Dificil sair do cinema da mesma maneira como entramos depois do final lindo, que propõe uma ode a quem somos. 

O Insulto (Líbano)

Loveless: Sem Amor (Russia)

Corpo e Alma (Hungria)

The Square: A Arte da Discórdia (Suécia)



Roteiro Original


Doentes de Amor

Corra! (escrito por Jordan Peele)



PRESENT DAY - INT. MISSY’S OFFICE. NIGHT 

Chris nods and cries. 

CHRIS --Found it. 

MISSY (realizing) You think it was your fault. 

Chris nods. 

TING TING. TING TING. MISSY (CONT’D) 

I want you to feel that fear again, Chris. 

CHRIS I don't want to. 

MISSY It's okay. I'm here. 

Chris trembles anxiously.

Baixe aqui todo o roteiro de "Get Out" ("Corra!") - DOWNLOAD

Jordan Peele escreve um roteiro que se formos observar a sua própria estrutura, cria uma sequência de momentos aterrorizantes sem nada muito simples de entender. O plot twist aqui faz com que a própria narrativa se adequasse a tudo o que haviamos visto desde o começo do filme. Um belo filme de suspense, com doses de humor, em um filme puramente dramático. Merece vencer pois seria uma categoria que mesmo na ausência de outros prêmio, o filme merece sair com um Oscar para Peele. (Diretor se tornou impossivel). 

Lady Bird: É Hora de Voar

Três Anúncios para Um Crime

A Forma da Água




Roteiro Adaptado




Me Chame pelo Seu Nome (escrito por James Ivory. Baseado no livro de André Aciman)



OLIVER listens, now looking at Elio straight in the face. 

OLIVER 
That voice of wisdom is your most winning trait. Do you like me that much, Elio? 

ELIO 
Do I like you? Do I like you, Oliver? I worship you. 

OLIVER’s face softens. He is touched by Elio’s forthright and brave avowal. 

OLIVER 
I’ll go with you but - no speeches. 

ELIO 
No speeches, not a word

Baixe aqui o roteiro de "Call Me By Your Name" ("Me Chame pelo seu Nome") - DOWNLOAD

O filme retrata as descobertas do amor. Que tipo de amor seria esse? James Ivory já ganhou um Oscar por roteiro adaptado pelo filme "A Room With a View", acredito que seja Uma Janela para o Amor, nos anos oitenta. Aqui temos um filme tão intenso na sua condução que beira a um dos mais belos trabalhos de romance do cinema.

O Artista do Desastre

Logan

A Grande Jogada

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi



Direção de arte


A Bela e a Fera

Blade Runner 2049

O Destino de Uma Nação

Dunkirk

A Forma da Água (Paul Denham Austerberry (Production Design); Shane Vieau and Jeffrey A. Melvin (Set Decoration))



Bela recriação de cenários, sobretudo nas cenas na casa da personagem e nos momentos com o ser anfibio.


Direção de Fotografia

Blade Runner 2049 (realizado por Roger Deakins)



Depois de 14 indicações, se o brilhante diretor de fotográfia Roger Deakins não levar o Oscar, podemos todos chamar essa premiação de golpe?

O Destino de Uma Nação

Dunkirk

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi

A Forma da Água



Figurino


A Bela e a Fera


O Destino de Uma Nação

Trama Fantasma (criado por Mark Bridges)


Inglaterra. Pós Segunda Guerra Mundial. O trabalho de Mark Bridges novamente em filme de época ("O Artista", "Inherent Vice", entre outros) é de encher os olhos. Em um filme cuja temática se trata justamente do mundo da moda, o estilista da vida real cria grandes figurinos.

A Forma da Água

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha



Mixagem de Som


Baby Driver - Em Ritmo de Fuga

Blade Runner 2049

Dunkirk (realizado por Gregg Landaker, Gary A. Rizzo and Mark Weingarten)


O mais incrível de assistir "Dunkirk" em uma sala XD ou IMAX é justamente ser tomado pela sensação de que a equipe por trás da edição e mixagem de som do filme deu um passo a frente não somente nos indicados desse ano, mas no cinema recente.



A Forma da Água

Star Wars: Os Últimos Jedi



Edição de Som

Baby Driver - Em Ritmo de Fuga

Blade Runner 2049

Dunkirk (realizado por Richard King and Alex Gibson)



Sem dúvida. Deve ganhar, eu espero. Junto com mixagem de som. "Dunkirk" merece ganhar todos prêmios técnicos possivel.


A Forma da Água

Star Wars: Os Últimos Jedi




Trilha Sonora Original


Três Anúncios para Um Crime

Dunkirk (composto por Hans Zimmer)




Hans Zimmer cria uma trilha sonora que consiste em um som que emula os tique-taque de um relógio. Agora pensa ouvir uma trilha sonora como essa assistindo soldados ingleses e franceses sobrevivendo em uma praia cercada por nazistas.
Trama Fantasma

A Forma da Água

Star Wars: Os Últimos Jedi


Edição

Baby Driver - Em Ritmo de Fuga

Dunkirk (realizado por Lee Smith)



Em um filme de Christopher Nolan, sua equipe técnica tende a ser a mesma. Aqui em "Dunkirk o trabalho é de Lee Smith. Um dos grandes trabalhos do ano. "Baby Driver", aqui seria um vencedor que ficaria feliz.

Eu, Tonya

A Forma da Água

Três Anúncios para Um Crime



Efeitos Visuais

Blade Runner 2049 (criado por John Nelson, Gerd Nefzer, Paul Lambert and Richard R. Hoover)


Em um sublime mundo criado por uma equipe que leva além o mundo futuristico do primeiro "Blade Runner"

Guardiões da Galáxia Vol. 2

Kong: A Ilha da Caveira

Star Wars: Os Últimos Jedi

Planeta dos Macacos: A Guerra



Maquiagem e Cabelo


O Destino de Uma Nação (realizado por Kazuhiro Tsuji, David Malinowski and Lucy Sibbick)


Os concorrentes (que são menores aqui do que em outras categorias), são igualmente bons exemplos de um belo trabalho com maquiagem, mas a transformação de Gary Oldman em Winston Churchill será memorável para anos a frente.

Extraordinário

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha



Canção Original


"Mighty River", Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi (Música e Letras compostas por Mary J. Blige, Raphael Saadiq e Taura Stinson)



Uma canção que fala sobre a união, mesmo que isso doa. Mary J. Blidge (também indicada a melhor atriz coadjuvante), cria um belo retrato do filme e do racismo na América.

Mystery of Love, de Me Chame pelo Seu Nome

Remember Me, de Viva – A Vida É uma Festa

This Is Me, de O Rei do Show

Stand Up for Something, de Marshall



Documentário em longa-metragem



Abacus: Pequeno o Bastante Para Condenar

Visages, Villages (dirigido e realizado por Agnès Varda e JR)


Um filme que merecia ser indicado a Melhor Filme e não a melhor Documentário em longa-metragem. Aqui é barbada. Um dos melhores filmes desse Oscar. Segue a resenha que fiz desse filme. LEIA AQUI.

Ícaro

Últimos Homens em Aleppo

Strong Island



Documentário em curta-metragem

Edith+Eddie

Heaven Is a Traffic Jam on the 405 (dirigido por Frank Stiefel)


Quem deve levar o Oscar aqui é Heroin(e), mas "Heaven Is a Traffic Jam on the 405" conseguiu me chamar mais atenção que os outros indicados por tratar de forma afetuosa e emocionante a luta de uma notável artista plástica que luta contra doenças mentais. SEGUE O FILME COMPLETO ACIMA. 

Heroin(e)


Knife Skills

Traffic Stop



Curta-metragem

DeKalb Elementary (dirigido por Reed Van Dyk)


Confesso que não consegui ficar sem o meu coração batendo forte nesse filme. O filme que tem vinte minutos está para aluguel no serviço Vimeo OnDemand. Baseado em uma história veridica sobre chamada para o 911 nos Estados Unidos que mostra a fragilidade da questão sobre o controle de armas no país.

The Eleven O’Clock

My Nephew Emmett

The Silent Child

Watu Wote/All of Us



Curta-metragem de animação


Dear Basketball

Garden Party

Lou

Negative Space (dirigida por Max Porter e Ru Kuwuhata)


Quem deve ganhar nessa categoria do Oscar não esse filme, "Negative Space", mas o filme da Pixar, "Lou". Se o mundo fosse justo gostaria que essa animação francesa vencesse. Max Porter e Ru Kuwuhata, os criadores do filme contam uma história sobre objetos que carregamos na vida (inclusive em um caixão, um dos ulimos objetos que temos na vida).

Revolting Rhymes



Ator Coadjuvante

Christopher Plummer, Todo o Dinheiro do Mundo

Willem Dafoe, Projeto Flórida

Richard Jenkins, A Forma da Água

Woody Harrelson, Três Anúncios para Um Crime

Sam Rockwell, Três Anúncios para Um Crime


Merece ganhar porque Sam Rockwell é um ator brilhante e ganhou no papel de Jason Dixon um sujeito que age de maneira inconsequente mas se redime e mostra que o ser humano assim como para o pensador Rousseau não nasceu um homem mal, mas o mundo o tornou assim. Ele nos deixa com raiva dele e ao mesmo tempo sentimos toda a sua dor proximo do final de "Três Anuncios para um Crime".


Melhor ator

Daniel Day-Lewis, Trama Fantasma

Daniel Kaluuya, Corra!

Gary Oldman, O Destino de Uma Nação


Daniel Day-Lewis é o meu favorito nesse prêmio, pelo seu papel em 'Trama Fantasma", entretanto Gary Oldman nunca venceu um Oscar e o seu papel merece toda a nossa atenção. Sua voz no personagem e os trejeitos de Winston Churchill parecem muito verdadeiros.

Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.


Timothée Chalamet, Me Chame pelo Seu Nome



Melhor Atriz

Frances McDormand, Três Anúncios para Um Crime


Sempre vou lembrar da Frances McDormand do filme que a levou a ganhar o seu primeiro Oscar, por Fargo (filme de 1996 escrito pelos irmãos Coen). Aqui com o diretor inglês Martin McDonagh em "Três Anuncios para um Crime" ela se eleva a um patamar ainda maior. Seu rosto frio de uma mãe que perde a filha e guarda rancor e ódio no coração nos conquista, por demonstrar ao mesmo tempo uma garrafa e busca por alguma justiça, seja ela qual for.

Margot Robbie, Eu, Tonya


Meryl Streep, The Post: A Guerra Secreta

Sally Hawkins, A Forma da Água

Saoirse Ronan, Lady Bird: É Hora de Voar



Melhor Direção


Christopher Nolan, Dunkirk

Greta Gerwig, Lady Bird: É Hora de Voar

Guillermo del Toro, A Forma da Água


Del Toro tem que se juntar aos seus colegas mexicanos Alfonso Cuaron e Alejandro Gonzalez Iñarritu e levar o Oscar de melhor direção pelo seu filme mais ambicioso, o mágico e politico "A Forma da Agua". Sua direção cria um ambiente fácil de entrar uma vez que a tela se acende e emocionante quando a tela se apaga. Uma homenagem ao cinema como Hollywood gosta, mas uma das grandes histórias nunca contadas.

Paul Thomas Anderson, Trama Fantasma

Jordan Peele, Corra!



Melhor Filme



Me Chame pelo Seu Nome

O Destino de Uma Nação

Dunkirk

Corra!

Lady Bird: É Hora de Voar

Trama Fantasma

The Post: A Guerra Secreta

A Forma da Água

Três Anúncios para Um Crime (Graham Broadbent, Pete Czernin and Martin McDonagh



Quando sai da sessão de "Três Anuncios para um Crime" ("Three Billboards outside Ebbing, Missouri") exibida no Espaço Itaú na Augusta em janeiro tive a sensação de ter visto um filme sobre provocações. Nós sentados nos assentos fomos os mais provocados por testemunhar um filme que dialoga todo o instante sobre moral, ética. Pensadores viriam esse filme e conseguiria uma análise profunda sobre a condição humana. O diretor Martin McDonagh deixa uma obra-prima que se constroi para o seu final, que não nos entrega respostas do que aconteceu, mas nos faz imaginar o que pode acontecer afinal. Na vida por mais que tentamos ter resultados, as vezes morremos com uma ideia subjetiva de tudo. Muito bem filmado, com um roteiro afiado, esse filme merece muito vencer o prêmio pela Academia hoje.
Meus centavos a mais sobre o filme - LEIA AQUI


"E o Oscar vai para..." Warren Beatty e Faye Dunaway retornam no dia de hoje para anunciar o prêmio de Melhor Filme

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Historias de 2017. Contos sobre os filmes que fizeram o ano.


Logan (dir. James Mangold) não entra na lista porque foram somente dez filmes que selecionei, mas é um filme inesquecivel e merece menção honrrosa na foto do post. 


O ano que se foi deixou um legado de filmes autorais cada vez mais autênticos. Em outros anos a quantidade foi menor, ou pelo menos a impressão deixada fosse essa. O mundo mudou muito desde aquele ano de 2016 onde muitos condenaram a falta de negros e gays entre os indicados ao Oscar. Em 2017, Moonlight, de Barry Jenkins levou a estatueta de melhor filme... Ou quase já que devido a uma gafe homérica, os realizadores do Oscar entregaram os envelopes errados nas mãos de Warren Betty e Faye Dunaway, que desconcertados foram corrigidos pelo diretor de La La Land, filme anunciado pelo o par no palco ao vivo para milhões. Moonlight conta a história de um garoto em três épocas distintas, percorrendo sua história de vida e descobertas sexuais e pessoais.

Esse ano para o cinema pode ser dividido em filmes que contam a história de indivíduos em busca de uma saida de algo que os prende. Seja dentro da mente (Get Out), seja de uma força policial que aflige (Detroit), seja de uma praia em meio a bombardeios nazistas (Dunkirk). O medo percorre as histórias dos melhores filmes do ano. Talvez o medo do presente com um presidente como Donald Trump na Casa Branca ajude a compreender a angústia que se transmite nas telas. Em Okja, filme do sul coreano Bong Joon-ho temos o medo presente nos olhos de uma garota que vê o seu bicho, um gigante porco sendo preso e levado para o abate, onde a dona de grande conglomerado alimentício (interpretado brilhantemente pela atriz Tilda Swinton) deseja fabricar um produto com a carne dos muitos porcos gigantes assim como okja, o animal da garota. E esse medo chega até Asgard onde o Thor dos quadrinhos da Marvel vê o seu planeta invadido e subjugado por uma filha de seu pai e deusa da morte interpretada por Cate Blanchett. 

Se o cinema expressa sentimentos de nossas miseráveis vidas, por meio de histórias sobre vidas que percorrem surreais caminhos e nos leva a atentar para o passado e futuro com os olhos para o presente, significa que o trabalho do diretor e equipe técnica foi feita com esmero. O poder dos filmes é subestimado. Além de um entretenimento que nos leva a percorrer filas para a compra de bilhetes e pipocas, cada tela que se acende abre buracos misteriosos que podem carregar enormes reflexões sobre a nossa existência nessa vida, apaziguar corações que foram machucados ou feridos, dar impulso a realizar sonhos que a vida pode ter os desencorajados. Em 2017, filmes atrás de filmes tocaram pessoas mais fundo dentro delas e as mostrou que o medo não resiste a força que está dentro de cada um dos que se deixaram levar pelas histórias contadas nas telas, seja as do cinema ou as do Netflix.

Aqui vou colocar os filmes que eu vi nesse ano, com muitas ausencias devido a agenda dos filmes cujas estreias nos Estados Unidos deixa de fora o Brasil somente para uma estreia em 2018. Aqui coloco alguns filmes que fizeram a minha cabeça e entra em certo dez melhores do ano. Voilá...

  • Star Wars: The Last Jedi (Os Ultimos Jedi)

Rian Johnson fez bem mais do que mostrar o porque é um diretor que abraça os filmes com o desafio de os tornar algo maior do que a média. O seu Star Wars se torna um filme ousado, que mantém o clima dos antecessores, sem perder a ousadia de mudar toda a história. Carrie Fisher se despede do papel que a eternizou. Um filme memorável e emocionante. 

  • Detroit 

A história que ocorreu em 1967 em um hotel em Detroit em meio a uma rebelião racial que ocorreu por todo a cidade por cinco dias, chocou o mundo. Policiais invadiram o local e fizeram pessoas inocentes em reféns onde por um mal entendido, boa parte dos ocupantes do hotel foram assassinados. As familias desses ocupantes que eram negros nunca viram justiça, já que todos os policiais foram absolvidos. A diretora de Guerra ao Terror, Katheryn Bigelow vai fundo e cria uma obra muito bem filmada, com uma ótima trilha sonora. 

  • Get Out (Corra!)

Vibrante, assustador e dilacerante. A obra prima do estreante Jordan Peele nos pega desprevenidos a todo o momento. Com um humor que se mostra presente na capacidade de nos chocar com a critica social e no preconceito racial, o casal Chris e Rose são tudo aquilo que você não espera que seja, com frames e fotografias que nos traga para dentro de uma história surreal. Melhor filme de 2017, indiscutível. 

  • The Lost City of Z (A Cidade Perdida de Z)

Por dentro da ambição humana, vemos como o desejo de se tornar algo maior do que nós mesmo nos transforma em algo que nunca esperavámos ser. Nesse filme de James Gray somos levados para uma obra que apresenta as muitas épocas em que o explorador Major Percy Fawcett (Charlie Hunnam) viveu em busca de achar sua glória maior em meio a floresta amazônica. Visualmente o filme é um delirio e o roteiro busca uma profundidade de uma epopéia monumental, ao final sendo uma obra muito bem realizada com muitas intenções e dentre elas a maior parte realizada. Esplêndido. 

  • Baby Driver  

Edgar Wright conhece os meandros de um filme pop até a medula. Em 'Baby Driver', o diretor nos entrega uma trilha-sonora matadora, em um filme extremamente bem editado e com atores muito bem em cena. O timing do filme nos deixa sem ar, da mesma maneira como o motorista de nome Baby sabe sair bem das fugas nos assaltos que participa. 

  • Colossal 

Aqui está um filme que hesitei em colocar mas parece improvável deixar de lado uma obra que aparentemente é uma comédia sem nenhum trunfo, quando na realidade deixa em seu humor negro uma história que envolve uma moral bem contada e extremamente engraçada. Anne Hathaway entre uma de suas melhores performances e o diretor Nacho Vigalondo captura bem a mensagem do filme por meio das surreais aparições dos monstros.

  • Dunkirk 

Christopher Nolan mostra um filme que retrata a guerra sem uma mensagem de vencedores e perdedores, e onde não se vê  no horizonte nada além de sobrevivencia ao invés de vitoria. As cenas filmadas na praia deixam atônitos os mais profundos apaixonados por cinema. Em um ambiente cloustrofóbico, a trilha sonora que soa com tiques de um relógio e a determinação de simples individuos em busca de mostrar solidariedade humana torna o filme uma experiência transcedental.


  • The Square 

Um curador de um museu promove uma exposição sobre a indiferença humana entre os individuos de uma sociedade. O que ele não percebe é que a propria arte que ele conhece não retrata aquilo em que ele acredita. Em um misto de situações completamente absurdas vemos de propagandas com mensagens suspeitas a um ator imitando um simio e provocando as mais viscerais reações de uma platéia. O diretor Ruben Ostlund nos arranca uma das mais surreias experiências do ano no cinema.

  • The Discovery 

O que vem depois da morte? Uma pergunta respondida pelo diretor Charlie McDowell em The Discovery, um filme que conta a história de duas pessoas que se encontram acidentalmente e criam laços. Rooney Mara e Jason Segel criam atuações viscerais em um filme com uma boa história. 

  • Blade Runner 2049

Denis Villeneuve embarca em um desafio cinematografico muito maior do que qualquer outro já desafiado por um diretor de cinema depois dele: realizar uma boa continuação do classico filme de Ridley Scott (aqui como produtor) Blade Runner (1982) adaptação para o cinema da obra de Philip K. Dick. E o resultado é um filme tão imenso quanto. Tão forte quanto. Ryan Gosling agora é o policial e Harrison Ford mantem vivo o seu sarcasmo de antes. 2049 exagera na medida e é deslumbrante. Roger Deakins na fotografia tem o mérito todo.


Claro que tem mais filmes e esses aqui não é nem de longe o reflexo dos dez melhores, mas foram os que mais me impactaram e de certa forma foram os meus favoritos no ano (até o momento, já que devido a agenda de lançamentos no Brasil ainda não vi Call Me By Your Name, Darkest Hour, Three Billboards Outside, Ebbing, Missouri, Coco, entre outros).

Devo fazer uma lista dos filmes que mais gostei do Oscar que terá todos esses.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Histórias de 2016. Contos sobre os melhores discos, filmes, séries e histórias de vida.

*Nada vai tirar o mérito de que tivemos um ano com novo disco do Wilco, show(s) do Wilco em São Paulo, Louis CK fazendo a melhor série dos ultimos tempos e um Star Wars tão majestoso.


Alec Baldwin imitando Trump. Os EUA foram a loucura. 


Vou começar a lista que todos os anos faço juntando tudo o que me impressionou e quero ser breve. Não houve um 2016 ruim. Não concordo com esse julgamento feito em todo canto. Separar frustrações e decepções numa caixa de 365 dias nos faz crer que haverá uma outra caixa que vai ser aberta e por ai vai até o virarmos pó de estrelas novamente. É uma forma de ver o mundo em caixas e não numa longa pista de corrida, que no meio do caminho tropeçamos, caimos, liberamos nossas endorfinas e conquistamos muitos podios e ficamos atras as vezes. O que aconteceu ano passado nos faz estar mais preparados para viver e não a aceitar que vivemos para sempre. Pessoas morrem, queridas como David Bowie, Leonard Cohen, Carrie Fisher, Prince, por ai vai. Pessoas elegem e apoiam figuras que nos dão nenhuma inspiração, pelo contrário, lideres que vieram para causar discordia. Pessoas ficam tristes. Eu fiquei muito. No final, isso tudo nos faz despertar do medo e da frustração e necessário para aprendermos a cultivar as nossas esperanças e confiança. Duas frases de dois pensadores do país que mais nos decepcionou em 2016 nos servem de espelho para terminar essa introdução minha do que foi os 365 dias que se passaram. A primeira de um pastor e uma das vozes mais influentes do protestantismo nos Estados Unidos, Henry Ward Beecher. "Our best successes often come after our greatest disappointments." ("Nossos melhores sucessos vêm depois de nossas maiores decepções") e a de Martin Luther King, que disse "We must accept finite disappointment, but never lose infinite hope." ("Nós devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a nossa esperança infinita").

O que eu lembro dos filmes que eu vi...

The Lobster. De longe uma das obras mais inteligentes e interessantes do ano que se passou.


Apesar de estar de saco cheio de filmes de super-herois, Deadpool e Guerra Civil: Capitão América foi boas surpresas. O primeiro é um dos melhores filmes já feito nessa safra (original, corajoso e nenhum pouco censurado). Os filmes que venceram o Oscar, O Regresso sem duvida virou já um clássico, pela forma como foi filmado e pelos efeitos e a camera do diretor Alejandro Gonzalez Inarritu. Zootopia me chamou muita atenção também, filme de animação com tema de adulto que vai de se aproveitar dos outros a mostrar como não é facil a vida. O novo do Nicolas Winding Refn, "The Neon Demon" é uma das coisas mais vicerais e profundas do ano, que só perde para "Elle", do Paul Verhoeven. Desconstroi todas as nossas boas intenções e formas de lidar com o certo e o errado. Colin Farrell faz a mais brilhante interpretação de sua carreira no genial "The Lobster", do diretor grego Yorgos Lanthimos.

Rogue One, de Gareth Edwards é um filme muito bem feito e que nos enche das melhores sensações que um filme de Star Wars pode proporcionar: emoção, nostalgia e personagens muito bem feitos.


"There's a 97.6 percent chance of failure". K2SO melhor personagem.


O que mais me chamou a atenção sem duvida foi Manchester a Beira Mar. Drama poderoso, bem escrito e capaz de nos tirar do chão quando Casey Affleck e Michelle Williams discutem, depois quando se encontram anos depois. Poderoso e profundo. A Chegada faz algo assim também, mas aos poucos. Dennis Villenueve faz uma obra sobre nos mesmos e nossos conflitos internos, quando uma invasão alienigina parece ser capaz de despertar nossas reações mais profundas. Sing Street, um filme modesto feito pelo grande diretor irlandês John Carney, sobre garotos que formam uma banda parece ser um baita filme, quando termina um filme avassalador. O singelo torna gigantesco. Sem contar "La La Land" que estreou no começo já desse ano, mas é um filme que saiu ano passado e chegou aqui esse ano antes de eu escrever aqui. Ryan Gosling e Emma Stone vão ganhar todos os prêmios (e devem) pela forma unica de despertar o gênero de musicais para uma outra dimensão. Damien Chazelle, o mesmo garoto que dirigiu e escreveu "Whiplash" engata um filme que eleva o seu nome como a mais bela mente criativa de Hollywood.
 
Menções especiais ainda para: Sully, do Clint Eastwood, A 13ª emenda, documentário da Ava DuVernay, Dois Caras Legais, de Shane Black e Slow West, de John McLean que só vi ano passado.



O que eu lembro dos discos que eu ouvi...

Bowie nos deixa com uma obra prima. Blackstar é um adeus ao mundo em forma de música.


Começo pelo disco que abalou o ano. 'Blackstar' seria apenas o novo disco do grande David Bowie, se não acabasse sendo o seu derradeiro e postumo album. Com canções como 'Lazarus', que é uma confissão de sua morte, Bowie nos avisa "Look up here man I am in heaven. I got scars it can be seen." O seu ultimo disco é uma obra prima acidental. Traz a beleza da vida e da morte, em versos que caminham para nos levar para a finitude de toda uma vida e o que nos espera. Com oito musicas, o disco já entra para um dos melhores dos seus discos.

Sem duvida houve outros discos tão impressionantes quanto o de Bowie. Beyoncé realizou um dos seus mais ousados discos. LEMONADE tem o vigor de um discurso de protesto a favor de feminismo e preconceitos raciais. Faixas como DONT LOSE YOURSELF, parceria com Jack White soa como um Led Zeppelin junto de sua voz marcante. FREEDOM talvez a mais poderosa canção. Radiohead voltou com um disco profundo, com letras que norteiam a nossa busca por respostas. 'True Love Waits' assim como outras canções já haviam aparecido em shows, mas aqui no disco 'A Moon Shaped Pool' se torna um hino. Destaque para 'Daydreaming'. O rebelde Kanye West pode ser um completo perdido na vida real, mas nos seus discos ele dá o seu melhor. 'The Life Of Pablo' é uma obra prima cheia de nuances e com canções unicas. 'Ultralight Beam' é um hino gospel que abre o disco majestosamente. 'Famous' e 'Waves' são ótimas canções.

Angel Olsen fez um baita disco. Quem é ela? "My Women" é um instantaneo disco que catapultou a carreira dela. Dizem que os seus shows são ainda melhores. Um dos melhores discos de rock do ano. Em se tratando de rock, o melhor sem duvida é dos Car Seat Headrest, o brilhante "Teens of Denial". O disco é repleto de sons que vão até nove minutos, mas não fica chato. As guitarras e baixos constroem sutilezas, sons etéreos e a capacidade de transcender o sentidos. Wilco retornou com o excelente "Schmilco", trazendo menos a profundidade do ser humano, para tratar de sentimentos que nos remetem a mémorias de infancia, primeiros amores, decepções, vitorias.

Os ingleses do The 1975, e o seu "I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It" alardeado como melhor disco de 2016 pela NME é um dos belos discos do ano, com canções muito boas. A banda Fat White Family trouxe o arrebatador "Songs For Our Mothers" com a já inesquecivel "Whistest Boy on the Beach". Os The Last Shadow Puppets fizeram um disco incrivel, o 'Everything You Come to Expect' e o EP fantastico com direito a cover de Leonard Cohen, 'The Dream Synopsis". Ao falar de Leonard Cohen, esse foi outro grande nome da música a nos deixar com um recente disco. "You Want It Darker" fecha uma discografia inigualavel de canções que já ficaram para sempre guardadas em nossas mentes.

Parquet Courts vai fundo no novo disco num tom mais pop que os experimentais ultimos discos. "Humam Performance" dialoga com a vida ordinaria do dia a dia, aos molde de Talking Heads, cria hinos capazes de nos levar a compreender as nossas vidas através do espelho. Um dos maiores retornos desse ano foi dos rappers do A Trible Called Quest. Com o discaço "We Got From Here... Thank You 4 Your Service" eles foram além do comum mais uma vez e entregam canções poderosas para esses tempos sombrios que surgem.

Fonte: Scream Yell - Show do ano: Wilco no Auditorio Ibirapuera.


Menções especiais para: Iggy Pop e o seu "Post Pop Depression", Blood Orange trazendo o lindo "Freetown Sound", PJ Harvey e o seu disco de protesto "The Hope Six Demolition Project", Kings Of Leon e o pop interessante "WALLS", o retorno de Richard Ashcroft com o belo "These People", Pixies trazendo o som poderoso em "Head Carrier", Band Of Horses e o bem divertido "Why Are You OK" e o brilhante novo album do Jimmy Eat World, "Integrity Blues".


O que eu lembro das séries de TV que eu vi...


As crianças e seu RPG. O mundo que saiu do jogo e virou realidade. 'Stranger Things' marca a cultura pop do ano.


A "eleven" ou simplesmente "él" deixou as nossas cabeças cheias de questões mal resolvidas. A série 'Strange Things' foi um dos maiores acontecimentos na cultura pop no ano que se passou. Graças aos irmãos Matt e Rosss Duffer e do produtor e diretor Shawn Levy, uma história saida dos anos 80 com direito a referencias da época (da trilha sonora as citações de filmes), três garotos mais a misteriosa "eleven" saem em busca de pistas que levem ao paradeiro do amigo deles que desapareceu por razões misteriosas.

O ano que se passou mostra sem duvida que estamos na era de ouro da TV, com produções criativas e com um peso maior que o cinema, como palco para as grandes obras audiovisual. O maior exemplo disso são séries como Atlanta, criada pelo músico, ator, futuro Lando Calrissian Donald Glover, que mostra um rapper, um amigo e seu primo em dialogos existenciais em busca de sucesso em meio a dura realidade que vivem. A profundidade só é vista de longe, nas cenas, dialogos. BoJack Horseman, desenho do Netflix e This Is Us seguem pelo mesmo caminho.

Os gigantes da transmissão por streaming dominaram mais uma vez o ano. Netflix, Amazon Prime e Hulu (ainda não presente no Brasil), mostram que as gigante tem de competir o máximo que podem. A HBO, Fox, Showtime, Starz, entre outras mostram estarem trabalhando bem o suficiente para competirem.

O mega estrondo Game Of Thrones foi a grande série da HBO, que agora deixa mais duas temporadas antes do final da série para sempre. O final da ultima temporada mostra que as coisas estão chegando a um final incerto. Os ecos de poder em mãos erradas ao final lembra bem o que os proprios norte-americanos estão vivendo. A rainha dos dragões agora segue para a maior batalha de todas pelo trono. Aonde isso vai nos levar?

Em paralelo, a HBO já deixou as cartas expostas para a sucessão de GoT com o western futuristico Westworld. A série de Jonathan Nolan, JJ Abrams e Lisa Joy tem um roteiro absurdo, atuações acima da média. A trama nos coloca dentro de uma métafora sobre a nossa vida humana em paralelo a de um mero robô. A trilha sonora com Radiohead, The Rolling Stones no piano é um dos pontos alto. O compositor da trilha é o mesmo de GoT, Ramin Djawadi. Outros destaques execelentes da HBO foi Veep, com uma surpresa no final da temporada. Julia Louis-Dreyfuss continua acima da média; The Night Of, trazendo debates raciais em meio a um crime sem solução. A genial Silicon Valley, na sua melhor temporada até aqui. Girls na penultima temporada. A sensacional série 'Vinyl' com Martin Scorsese, Mick Jagger e Terrence Winter não sobreviveu a uma segunda temporada, mas deixou uma incrivel experiencia visual, auditiva vibrante. O ator Bobby Cannavale está absurdo como o dono de uma gravadora em meio a efervecente Nova York dos anos 70.

Claire Foy estonteante.


A Netflix teve o seu ponto alto, além da série da "eleven", com a história da rainha Elizabeth no começo de seu reino como rainha. 'The Crown' escrita por Peter Morgan expõe os dramas vividos pela ainda jovem rainha (vivida pela atriz absurda de boa Claire Foy) em busca de dialogos com o parlamento, seus problemas em familia, primeiro com sua irmã e posteriormente com seu marido. Um requinte em fotografia, trilha-sonora, edição, figurino, cenários estonteantes. É impossivel estar indiferente a essa série.

Outra atração da plataforma de streaming foi a nova temporada de Black Mirror com um primeiro episodio já classico, sobre os vicios na exposição causada pelas redes sociais. Destaque ainda para Love, escrita por Judd Apatow, Master Of None, escrita e estrelada pelo ator Aziz Ansari. The OA, produzida pela produtora de Brad Pitt.

Louie é uma série incrivel do gênio do stand up Louie CK, mas se podemos dizer que ele esteve em um projeto que beira a uma obra prima é a série 'Baskets' da FX. Com Zach Galifianakis no papel principal se dividindo em dois papéis hilários, ainda não chega perto do quão é hilário sua mãe na série. O ator Louis Anderson faz Christine Baskets, uma dona de casa gorda a ponto de entrar em coma por causa de uma diabetes contraida pela dieta comum a todo norte-americana (baseada em fast-food e comidas cheias de calorias). Outro destaque é a Martha (interpretada por Martha Kelly). Chip Baskets (Zach) é um palhaço que estuda como ser palhaço na França. Lá ele se apaixona por uma francesa ambiciosa. O seu destino acaba sendo a de um drama sem fim, mas no fundo de tanta coisa ruim, os roteiristas aqui extraem o melhor da comédia no ano.


Louis CK atrás das camaras e Zack Galifianakis. Geniais em 'Baskets'

Menções especiais para: Mozart in the Jungle, da Amazon Prime, com Gabriel Garcia Bernal; Halt and Catch Fire da AMC, com uma terceira temporada boa; Red Oaks, da Amazon Prime, produzida por Steven Soderberg, a assustadora 11.22.63, com James Franco e produzida por JJ Abrams junto com Stephen King, baseado em sua obra; Animals, desenho da HBO sobre pombos, gatos, cães; Catastrophe, brilhante série inglesa com os atores Rob Delaney e Sharon Horgan como um casal e um bebê em dialogos cheios de referencias e situações hilárias; Fleabag, outra série inglesa com a revelação Phoebe Waller-Bridge no papel de uma mulher na casa dos trinta superando tragédias pessoais; High Maintenance, da HBO baseada numa série de curtas exibidas pela internet sobre um sujeito vendendo maconha; Outcast, da Fox, criado por Robert Kirkman, o mesmo de The Walking Dead. Creppy as hell; a segunda temporada de Mr. Robot, com uma trama não tão interessante quanto a primeira, mas vele a pena dar continuar vendo; The Night Manager, série incrivel com Tom Hiddleston e Hugh Laurie, da BBC com a AMC; The Get Down, uma grande surpresa vinda do diretor Baz Luhrman, australiano diretor de Moulin Rouge, O Grande Gatsby, que cria uma história brilhante sobre o hip hop em meio a um carrossel de musicas, danças e improvisos de hip hop; Ash Vs Evid Dead, Blunt Talk, Insecure, You're the Worst, Man Seeking Woman fecham a lista.

E claro ainda tivemos o futebol brasileiro...

Fonte R7 - É campeão, rs