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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Histórias de 2017. Contos sobre os melhores discos, shows e histórias de vida.

*O mérito todo ainda é de Star Wars com um polêmico novo filme, um ano em que nos apaixonamos por Gal Gadot e vibramos com aias vestidas de vermelho. Claro que Kendrick Lamar reinou e me envolvi em viagens pela América Latina, fui em um baita show do Arcade Fire e tive esperanças de achar uma jóia rara que não existe afinal.

BBC foi com o U2 para o beco do Batman na Vila Madalena. 2017 QUE ANO.


Viver em 2017 foi descobrir a si mesmo de diversas formas e maneiras. A capacidade que temos de lidar com o mundo torna peculiar a nossa propria identidade. Ao invés de imaginar o ano nesse começo de texto sob os filmes, livros e canções que experimentei vou falar sobre o que eu fiz de grande nesse ano. Grandes coisas morrem junto de nós mesmos, exceto se elas falarem por si só. Um instante em que pude dizer 'gosto muito de você' encoberto na indiferença dos tempos em que vivemos seria um ato de grandeza. A paixão se perde na mensagem e vai parar no vacuo das horas de dias. Me apaixonei sim nesse ano, mas foi mais por coisas do que por pessoas, o que me passa a mensagem de que deixei de amar algo real. Duas coisas moldaram a grandeza desse ano para mim: a viagem monumental para Chile e Argentina e ir morar sozinho que vai ter um upgrade em 2018, mas fica aqui os passos iniciais neste ano.

Quando me perguntam como foi o meu ano, eu sei que foi de mudanças. Nessa toada toda sei que a arte em forma de expressão inquieta e indomável esteve presente em tudo aquilo que experimentei nesse ano. Agradeço a Deus por estar vivo em 2017 e ver um show ousado como o do Arcade Fire em São Paulo com a turnê do disco lançado esse ano, o opulente 'Everything Now'. Estive também no show do U2 com a turnê comemorativa dos 30 anos do album The Joshua Tree em que Daniel Lanois esteve no palco recebendo os aplausos merecidos por ser parte dessa obra em um concerto memorável.

Deus me abençoou com o sentimento de inquietação. Estive em uma profusão de necessidades diversas ao buscar ser um homem capaz de responder ao aflito sentimento de busca por experimentar o medo de viver pobre ou morrer sabendo que fez o que precisava. Nesse tempo o que eu fiz foi acordar e perder o ar de repente quando vi ao redor de mim um outro alguém incapaz de ser eu mesmo. Eu lutei contra isso e contra imagens. O que fiz foi criar o meu próprio modelo de pessoa nesse mundo.

Achar um consolo seria um caminho fácil se trouxesse respostas para dores da vida. A solidão tem resposta sobre isso. Ela diz que não somos mais como antes e joias raras nessa vida se escondem na necessidade pelas realizações de algo grandioso. Grande e memorável como os sonhos que ainda carrego das coisas que ainda não vivi. E que com certeza vou estar atrás em 2018.


... Estou perdendo a minha idade, mas eu estive em 2017 e ouvi muita música

Para variar ouvir música significou horas e horas e horas com os aplicativos do Apple Music, Spotify, TIDAL, BBC Radio Player, Popload Radio (Brazil, zil, zil) abertos e botando para quebrar. Ouvi muito mesmo, e em todos os possiveis e impossiveis lugares. No metrô, no ônibus, nas ruas brasileiras, chilenas, argentinas, paulistanas e seja lá onde estava: carregava a pulsação de uma criatividade incrível de produtores, mixadores, engenheiros de som, artistas, músicos.

Em James Murphy com o seu arrebatador retorno com o LCD Soundsystem testemunhamos a capacidade de render um clássico (mais um) mesmo depois da ressurreição da banda. E que retorno. American dream é uma ode sobre esses tempos. Em Kendrick Lamar e o seu DAMN. o sentimento foi de estupendo torpor com um som político, forte e outro clássico instantâneo desse ano. Assim como em St. Vincent que se veste de pop para proclamar um ato de bravura contra nós mesmos e nossos costumes. Na faixa 'New York', ela faz uma canção íntima e pessoal sobre amizades e perdas. Claro que Ryan Adams mostrou aqui quem faz canções sobre perdas e corações partidos de cair o queixo. No seu 'Prisoner', o artista norteamericano desnuda o medo da solidão com tanta intimidade que nos leva junto consigo. Assim como Father John Misty e o seu 'Pure Comedy' que desconstrói a América de Trump e a nossa sociedade como um todo.

Lamar mostra que é o maior artista dessa década com o seu DAMN.


Um som mais eletrônico, guitarras pesadas e um desejo de libertar-se de si mesmo. Em 'Sleep Well Beast', o The National ainda mantém a mesma sensibilidade nas composições e isso os faz uma banda mais completa com o tempo. Do outro lado do atlântico temos os franceses do Phoenix trazendo um disco novo caloroso como as ruas da Itália no verão. 'Ti Amo' é o sexto álbum da banda liderada pelo saltador de platéias Thomas Mars.

Se o ano de 2017 teve um álbum profundo e envolvente que tente chegar perto do novo do The War On Drugs, o grandioso 'A Deeper Understanding' vai ficar para trás. O vocalista Adam Granduciel, que ao vivo já causa, aqui nesse disco novo explora novos caminhos com melodias mais envolventes e melodias mais interessantes, como na dolorosa e estupenda 'Pain'. Um disco para guardar na parede.

A dupla mais gente boa do indie Kurt Ville e Courtney Barnett juntos fizeram um album genuino em muitos aspectos. 'Lotta Sea Lice' tem a assinatura dos dois, como se eles pudessem ter um filho juntos, unindo o que caracteriza bem o som de ambos, em um resultado bem mais do que satisfatório.

Na categoria sons que falam sobre amor perdido e um certo fim da inocência temos dois segundos álbuns de novos artistas de 2013 que estão de volta. Em 'Something to Tell You' das babies do HAIM e a mega super estrela Lorde com o seu 'Melodrama' trazem o que de melhor sabem explorar. As primeiras trazem aquela pegada Fleetwood Mac com baterias envolventes E a segunda bebendo de Phil Collins e Kate Nash. Dois discos tão dentro de si que fazem um dos mais belos registros da música feita neste ano, com um olhar no passado e caminhando no presente.

Babies HAIM de volta com o seu melhor trabalho em 2017.


Os irmãos Gallagher retornam em um duelo onde ambos saem muito bem em qualidade de seus respectivos álbuns. Liam Gallagher retorna com o seu primeiro album solo carregando boas composições e melodias que remetem ao seu tão amado Oasis. Já Noel Gallagher e o seu High Flying Birds mergulha no que ele próprio chama de um pop cósmico. 'Holy Mountain' e 'If Love is the Law' sem dúvidas já são uma das melhores coisas que o compositor da ex-banda de Manchester criou.

Bandas consagradas também conseguiram retornar a boa forma nesse ano. Neil Young trouxe dois novos trabalhos. Um antigo gravado nos anos 60 que ganhou a vida em 2017 ('Hitchhiker') e outro super recente com a sua banda Promise of the Real, 'The Visitor'. Robert Plant traz um dos seus melhores trabalhos de sua carreira com 'Carry Fire'. Assim como Morrissey que traz o seu 'Low in High School' com incríveis composições. Outro destaque vai para Thurston Moore que apresenta o seu 'Rock'n Roll Consciousness', que inclui uma faixa de somente 16 minutos que já é uma das melhores canções do ano.

O Arcade Fire que já virou banda consagrada retorna com o peso de discos extremamente consagrados com um disco ousado e completamente diferente do som anterior da banda. Em 'Everything Now', a banda traz reggae, sintetizadores absurdos e puro som vindo ali de ABBA e bandas dos anos 70 e 80. Uma deliciosa viagem por sentimentos humanos que se perdem com um mundo muito informado e acomodado com seu consumo que acaba perdendo a si mesmo.

Tudo Agora. Arcade Fire retorna em 2017 com o seu trabalho mais ambicioso. 


E claro teve U2 e o seu 'Songs of Experience' que tomou vida após anos em formação. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. desnudam temas como mortalidade, motivações na vida, amor e família em um disco muito poderoso e envolvente.

Queens of the Stone Age e Foo Fighters que farão uma tour pela América Latina em 2018 retornam com os melhores discos de suas carreiras em 2017. Os primeiros trazem o seu de inicio polêmico album com o renomado produtor e DJ Mark Ronson chamado 'Villains' que acabou carregando o espírito da banda, desde os seus primordios. E o segundo com o seu 'Concrete and Gold' volta às origens de seu passado mesclando um som mais rock como o que era feito nos anos 90 por eles proprios.

Top 5 - Albuns do ano
1 - Ryan Adams - Prisoner
2 - Arcade Fire - Everything Now
3 - St. Vincent - MASSEDUCTION
4 - Spoon - Hot Thoughts
5 - Phoenix - Ti Amo

Ryan Adams fez o melhor álbum de 2017 muito pela sua capacidade de saber destrinchar sentimentos. Em 'Prisoner' vemos um compositor exímio e consciente de sua genialidade em divagar sobre o que amar significa de uma forma clara e por vezes sem quaisquer filtros. Na faixa 'Haunted House', Adams nos permite observar atentamente cada detalhe do lugar deixado pela amada no espaço real ou metafórico do relacionamento entre eles. Em outra faixa, a grandiosa 'Outbound Train' temos Adams trazendo em sua letras a sua visão moldada sob guitarras bem construídas e que crescem a medida que forma uma certa urgência, ao passo em que a canção encaminha-se ao refrão. Impossível não imaginar o que significa um coração partido ao ouvir esse disco, um dos retratos mais íntimos já realizados por um artista.

O show do ano foi o do Arcade Fire com a turnê Infinite Content. Em São Paulo, a banda de Win Butler faz um dos mais empolgantes shows ao vivo já visto por esse interlocutor. O mundo anda de mal a pior com tanta informação que nos perdemos ao redor de pessoas que não conseguem nutrir discernimento com o que é real ou não. No trabalho da banda vemos sobretudo no recente disco lançado esse ano, o monumental e muito subestimado 'Everything Now' essas fissuras expostas onde as pessoas não conseguem amar, viver, compreender informações. Ao vivo, a banda em um dos raros momentos em que somente o Arcade Fire conseguiria tal proeza vemos pura energia saindo do palco, onde nas letras desse disco inspirado por Talking Heads, Abba e na melodia entoada pelo público ali presente no Anhembi entregou um dos mais honestos retratos da simbiose música e sua importância com a do transmissor da mensagem a banda ali em cima de um palco com telões gigantes e cordas percorrendo o palco como em um ringue de luta. A banda ainda no término desceu o palco e foi batucar com a escola de samba Acadêmicos de Tatuapé. Em pleno Anhembi. Que show.

E feliz 2018 para todos!


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os 60 maiores discos de 2014

20 - Broken Bells
After The Disco





19 - Morrissey
World Peace Is None Of Your Business





18 - Spoon
They Want My Soul


 
17 - Chet Faker
Built On Glass





16- Goat
Commune 



O som cru e ritualistico do Goat encontra em guitarras algo diferente em termos de som, o que torna esse um dos discos mais legais de 2014. Nas repetições do som dos chocalhos, baixo e guitarras, trazendo lentamente as percussões é delirante em 'Words', a segunda faixa do album. O som dançante, tenebroso e cativante vem e vai, sempre com bons riffs. 



Uma faixa: 'The Light Within'


http://open.spotify.com/album/7uQp0QiuQzOblVPfNQhczi




15 - James
La Petite Mort






14 - Ryan Adams
Ryan Adams



Não se contentando em ter lançado um dos discos do ano, o bem comentado '1984', o cantor norte-americano que adora nos surpreender com um som country sem esquecer do rock'n roll bom de ouvir vem com canções que vao mais fundo em letras intimas que falam de erros humanos, problemas e bravuras. Não tem como escapar, a não ser aumentar o volume e deixar as faixas passarem em melodias que com certeza vão fazer muito bem.


Uma faixa: 'Am I Safe'


http://open.spotify.com/album/69K1Pef7hoy91Q81F6WPey



13 - TV On The Radio
Seeds 



A cabeça de David Andrew Sitek é uma caixa de surpresa maravilhosa. Nela há batidas que realmente são diferentes, belas e originais. A banda formada no Brooklyn que abusando de experimentalismos no desejo de encontrar novos sons, se tornou um dos grandes nomes da musica na década passada retorna nesse ano com um novo disco que beira ao brilhante feito de merecer ser ouvido todos os dias. Só não é o melhor do ano porque esse ano foi incrivel. A atmosfera e as vibrantes canções do disco fecham com a faixa-titulo 'Seeds', um ode a vida. Fantástico.


Uma faixa: 'Careful You'


http://open.spotify.com/album/093xy0P5h7elpQQMiNyQuD



12 - Kasabian
48:13

Os ingleses de Leicester já é uma das maiores bandas do país, vende e lota estadios. O que poderia vir num novo disco do Kasabian, depois do estrondoso sucesso de 'Velociraptor!', de 2011? Muitos jornalistas musicais se surpreenderam quando a primeira faixa divulgada do novo disco 'Eez-eh' surgiu. Uma balada chiclete que lembrava um pouco a banda no seu começo, mas meio que alternava ao que eles faziam até aqui. Caiam de cabeça em baladas frenéticas, agitadas e viciantes. O nome vem do tempo de duração do disco. As faixas com nomes bastante orginais trazem um dos melhores discos da banda, que traçando um caminho mais festivo, olha para o passado com a agitação de uma banda que olha o horizonte em busca de novos desafios.


Uma faixa: 'bumblebeee'






11- The War On Drugs
Lost In The Dream


https://www.rdio.com/artist/The_War_On_Drugs/album/Lost_In_The_Dream/




10 - Foo Fighters
Sonic Highways





9 - Interpol
El Pintor




8 - Jack White 
Lazaretto





7 - Weezer
Everything Will Be Alright In The End 




6 - Future Islands
Singles


Com um electro-pop aliando letras dilacerantes como a faixa que abre o disco, a banda americana que se formou em programa de arte da East California University, já está aqui em um de seus muitos discos (o quarto) com a mesma boa sonoridade. Um dos mais belos discos desse ano.


Uma faixa: 'Seasons (Waiting On You)' 

https://www.rdio.com/artist/Future_Islands/album/Singles/




5 - Coldplay
Ghost Stories 




4 -  The Black Keys
Turn Blue




3 - Damon Albarn
Everyday Robots









2 - St. Vincent
St. Vincent


https://www.rdio.com/artist/St._Vincent/album/St._Vincent/


1 - U2
Songs Of Innocence


Bono, Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. tiveram algo próximo a três discos concluídos. As gravações com o produtor Danger Mouse foram produtivas e levaram a banda a explorar novos e antigos ritmos que dariam uma cara inovadora a banda que a cinco anos não apresenta um album novo. No inicio desse ano, enquanto todos esperavam que o recem lançado single 'Invisible' seria um prenuncio de um album pelos proximos meses, a banda decidiu que 2015 seria o momento certo de lançar algo.

Surpreendendo a todos, a banda de subito divulga de forma controversa seu novo disco. De graça, e disponivel a todos os Itunes do mundo, seja por meio de IPhones ou por meio de usuarios Mac ou PC. Gerando um marketing difuso em cima do mais recente IPhone 6, a banda se desculpou num video feito pela banda, e mais recentemente pediu desculpa por pedir desculpa em uma entrevista a revista inglesa Mojo, “I’m already working on the apology… for the apology, because I’m very proud of what we did. It’s one of the proudest moments in U2’s history", disse Bono a revista. ("Eu já estou trabalhando em uma desculpa... pela desculpa dada, porque eu estou orgulhoso do que fizemos. Foi um dos momentos mais recompensantes da historia do U2.").

Polemica a parte, se referindo ao trabalho da banda, as criticas foram do céu ao inferno. A NME deu nota 4 dizendo que o disco não faz jus a historia da banda que sempre apresentou diferentes sons; já a Rolling Stone elegeu o album o melhor do ano, por redefinir a historia da banda e do proprio Rock'n Roll em uma homenagem explicita a Jonny Ramone na faixa que abre o disco.

Eu proprio achei um trabalho unico. Não é o melhor da carreira da banda, mas redefine uma trajetoria que não busca quebrar paradigmas e trazer novos sons. Acima de tudo é o apice de uma historia que já passou por diferentes décadas e não busca por afirmação. Ao mesmo tempo que não se mostra cansada e exausta, pelo contrario, a energia em 'Songs Of Innocence', é a mesma que tiveram em 'Boy' e isso fica nitido da primeira a barbara ultima faixa 'The Troubles', que divide a voz com a cantora Lykke Li. É um trabalho mais que honesto, é de abrir o coração. Aqui não só o deles que estão claramente abertos para quem ouve, mas para nós que acabamos nos entusiasmando com os sentimentos das canções.


Uma faixa: 'Every Breaking Wave'




Até mais em 2015!

:-)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Para quê precisamos de mais um disco do U2?

Don't play with irish people: um retorno ao passado misturando rock com eletrônica.

Agora vamos falar de uma banda de mais de trinta anos, de quatro sujeitos que dominaram o cenário pop e rock com um som que variou muito indo do punk rock ao folk, passando pelo blues, misturando com a musica eletrônica dos anos 90, chegando ao som pop da década passada. Estou falando do U2, aquela banda que lota estádios, faz discos milionários e fãs fiéis ao redor do mundo. A mesma banda que ficou famosa por músicas que não são fáceis de se ouvir com frequência, a maior parte delas baladas românticas que falam de amor, e a busca por um certo tipo de amor que parece transcender e ser utópico. E eles esgotam shows em estádios de 70 mil lugares em minutos, com esse repertório, que vem inspirando uma legião de bandas que fazem sucesso hoje tais como Keane, Coldplay e The Killers. E agora eu pergunto, após tanto tempo e depois de eu citar brevemente as principais características da banda, eu pergunto, ainda há lugar para uma banda como eles nos dias de hoje? Por que essa pergunta? Vamos nos ater ao que eles representaram no passado. E agora, o que podem representar para uma geração que busca novidades que sejam ao mesmo tempo relevantes e atuais.

"Nós vínhamos tentando compreender, 'Por que alguém poderia querer um outro álbum do U2'? E então dissemos: 'Bem, por que nós iríamos querer um outro álbum?' Existiam alguns negócios inacabados. Nós sentíamos como se nós estivéssemos a beira da irrelevância.", desabafou Bono essa semana em uma entrevista ao apresentador Zane Lowe, da rádio BBC Radio 1, da Inglaterra. E é interessante ele ter consciencia dessa questão que não só parece ser uma preocupação dele, mas como de toda a banda, do guitarrista The Edge, do baixista Adam Clayton e do baterista Larry Mullen Jr., e a resposta a essa questão pode ser fácil de responder sobre uma perspectiva, por outro ainda gera outra escalada de duvidas.





É o medo de estar a beira da irrelevância e fazer um som cansativo, de certa forma como soou para muitos críticos, fãs e o publico em geral o ultimo álbum deles, "No Line On The Horizon", de 2009 que de fato foi uma parada brusca naquele som que vencia Grammys, dos dois discos anteriores, repleto de melodias pop rock e refrões apoteóticos. O ultimo disco realmente carecia de hits que fizessem mais barulho. Ou não, talvez aquele som realmente fosse muito bom, tinha hits interessantes como "Breathe", "Unknown Caller" e "I Know I'll Go Crazy if You Don't Go Crazy Tonight", mas que não chamaram muito atenção da mídia e em parte pela arte conceitual que é bem monótona mesma, porém não é um disco ruim, não a ponto de eles repensarem a carreira, mas talvez a urgência para serem relevantes tenha sido o motor desse novo processo criativo da banda, que testou diversos produtores, não teve sucesso com boa parte deles até achar o produtor Danger Mouse, responsável pelos últimos álbum do The Black Keys. E realmente parece ter sido esse o caminho correto, de acordo com pessoas que estiveram no lendário Eletric Lady Studios, em Nova York onde a banda grava e parece já estar fazendo as mixagens de alguns sons do décimo terceiro disco da carreira, que ouviram o som disseram que realmente anda ficando além das expectativas do grupo.

Eles estão longe de estarem datados. São uma das poucas bandas que souberam se reinventar e não fazer um som que definisse a carreira deles. Como citei no inicio do texto, eles não ficaram num estilo único de música, exceto é claro pelo que os marcou, como criadores de canções, ou se preferir hinos que exaltam o amor platônico, aquele que nunca se alcança, que sempre se encontra perdido e inalcançável. Do disco de estréia "Boy", aos seguintes "War" e "Octuber" que falavam de dramas adolescentes e som de protesto, deram inicio ao tom apoteótico de arenas em "Unforgettable Fire" e "Joshua Tree". Em "Achtung Baby" se reinventou visualmente e sonoramente, abandonando canções carregadas de blues em letras que pareciam desesperadamente tentar descobrir o sentido das coisas, e embarcaram num som cheio de sintetizadores e ambiente techno pop, que seguiu em "Zooropa" e "Pop". Até fazer um mix de toda a carreira nos discos seguintes "All The Things That You Can't Left Behind" e "How To Dismontle an Atomic Bomb", carregado no pop dos anos 2000. O que se pode tirar aqui é que eles sempre procuraram estar relevantes, fazendo o som que marcaram as décadas, não de maneira simplista mas trazendo os riffs marcantes de The Edge, as letras dilacerantes de Bono e o talento da banda que sempre esteve juntas nas megalomaniacas turnês que sempre fez parte da história da banda.

Com o Globo de Ouro em mãos: consagração da canção "Ordinary Love"

Talvez seja a grandeza das turnês seja uma das razões da banda pode estar saturada. Entretanto parece ser desejo da banda fazer shows indoor na turnê desse novo disco que sai esse ano. Pelo primeiro single do novo disco, a recém lançada "Invisible", podemos constatar que as influencias aqui são claramente daquele período da banda entre "Zooropa" e "Pop". Eles não querem se reinventar aqui, parecem querer serem a banda que eles sempre quiseram ser, e isso pode ser uma boa para a banda. Bono disse a BBC Radio 1 que eles vem ouvindo muito Ramones e Kraftwerk para esse novo disco. Um traço disso dá pra sentir já aqui nesse single, que foi lançado domingo passado durante o Super Bowl e promoveu uma doação de cada download do Itunes que esteve gratuito por 24 horas para a instituição da banda, RED, que cuida de crianças aidéticas na África. Toda uma doação feita num acordo com o Bank of America.

A banda que se reinventa disco a disco parece surpreender aqui de novo, por essa amostra que foi lançada agora. Vamos esperar pelo que vai trazer o novo disco da banda, que desde já parece ser a coroação do ano da banda, esse de 2014, já que ganharam Globo de Ouro e são favoritos ao Oscar pela canção tema "Ordinary Love", do filme biográfico "Mandela: Long Walk to Freedom".



It’s like the room just cleared of smoke
I didn’t even want the heart you broke
It’s yours to keep
You just might need one

I finally found my real name
I won’t be me when you see me again
No, I won’t be my father’s son

I’m more than you know
I’m more than you see here
More than you let me be
I’m more than you know
A body in a soul
You don’t see me but you will
I am not invisible

That's right
I’ll be in the invisible world

I don’t dream, not as such
I don’t even think about you that much
Unless I start to think at all

All those frozen days
And your frozen ways
They melt away your face like snow

I’m more than you know
I’m more than you see here
I’m more than you let me be
I’m more than you know
A body in a soul
You don’t see me but you will
I am not invisible
I am here

I am here

There is no them
There is no them
There’s only us
There’s only us
There is no them
There is no them
There’s only us
There’s only us
There is no them
There is no them
There’s only you
And there’s only me
There is no them



ATUALIZAÇÃO: A revista Billboard adiantou a noticia de que a banda adiou o lançamento do novo disco, prometido pela própria banda para esse ano, para 2015, devido a novos reajustes no disco, agora nas mãos dos produtores Paul Epworth e Ryan Tedder, conhecido por sua banda One Republic. Até o momento, sem previsão para quando se será no inicio ou no fim do próximo ano.

domingo, 8 de dezembro de 2013

U2 lançando nova canção é motivo para prestar atenção...

Bono apontando para você: o retorno do U2 com álbum pro ano que vem.

Passados quatro anos, a banda irlandesa U2 lança novo single. Tudo bem que Bono e Edge fizeram canções para a peça da Broadway "Spider Man: Turn Off The Dark", mas aquilo nem era propriamente canções da banda. Agora em razão do filme sobre a vida do líder e ex-presidente Nelson Mandela eles lançaram sua nova canção. Como era de se esperar, "Ordinary Love" é de partir o coração, com letras que continuam belas como só a banda sabe produzir. "The sea wants to kiss the golden shore. The sunlight warms your skin. All the beauty that's been lost before. Wants to find us again. I can't fight you anymore. It's you I'm fighting for. The sea throws rocks together. But time, leave us polished stones", solta Bono em crescente até chegar ao refrão tocante. "We can't fall any further. If we can't feel ordinary love. And we cannot reach any higher. If we can't deal with ordinary love".

Uma das melhores coisas na banda é que ela sabe surpreender com letras belas sem cairem no ralo comum de tons emotivos e afetadas. São lindas e poéticas, e Bono é um eximio letrista como poucos. O arranjo aqui, a presença de The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. numa canção nova como essa é de se notar.

Agora fica o aguardo para o disco novo da banda que sai em abril do ano que vem. Está prometida a divulgação do album no Super Bowl próximo. A produção do novo disco está a cargo do produtor do momento Danger Mouse. As gravações parecem que estão na reta final, em comentários de Adam Clayton para a imprensa. Elas foram feitas no Electric Lady Studios, em NY, estudio fundado pelo guitarrista Jimi Hendrix.


Em tempo, minha solidariedades a perda do ex-presidente Nelson Mandela que morreu quinta passada.