quarta-feira, 1 de maio de 2013

Lambida: Phoenix - Bankrupt!

"Como é grande meu amor por você!"
Depois de quatro belos álbuns  o quarteto de indie pop rock francês, Phoenix agora tá no topo. E não digo pura e simplesmente por terem feito o disco mais incrível da ultima década, - pra mim "o" melhor -, e sim por também terem marcado presença por todo canto a todo momento. No seu imponente e cinzento novo álbum lançado a algumas semana, "Bankrupt!" temos o trabalho que pode consolidar uma carreira. O último, o já citado melhor álbum da década, "Wolfgang Amadeus Phoenix" é algo insuperável na aparência  Canções pop ligeiras e na medida para dançar sozinho. Letras afiadas e de um senso de realismo no âmbito de relações amorosas, solidão e vivências. "Lizstomania", "Fences", "1901", "Lasso" e todas as outras canções que compõe o álbum formam algo único e singelo. De uma graça que ao final fica a vontade de conspirar para que nossa vida tenha a trilha sonora de suas canções.



Os outros três álbuns, o primeiro de 2000, "United", o segundo de 2004, "Alphabetical" e o terceiro de 2006 "It's never been like that" compõe a discografia de quem hoje colhe os louros de banda do momento. São headliners dos maiores festivais do mundo, e ai estão o Coachella que rolou duas semanas atrás e o Lollapalooza de Chicago em agosto. O show que fizeram no primeiro fim de semana do festival de Indio CA, dá uma boa noção do que eles são no mundo da música. Tudo sem dúvida graças ao último álbum que rendeu a fama global e presença maciça nas rádios.
O grupo que se formou nos subúrbios franceses próximo de Versailles em 1995 é formado pelo vocalista Thomas Mars, dândi que lidera a banda como um dos salvadores da música e que é casado com a diretora Sofia Coppola, pelo baixista Deck d'Arcy, e pelos guitarristas Chris Mazzalai e Laurent Brancowitz. Juntos aos poucos foram tomando influencia de gente como Air, Daft Punk e Cassius e ascendeu aos poucos assinando com gravadoras e tocando em programas de TV.

Hoje próximos do infinito e além causam e acabam de lançar um albúm todo cheio de pêssegos na arte de capa. O resultado é menor do que o antecessor, mas impressiona. "Bankrupt!" tem ingredientes que viciam, mas busca algumas experimentações novas, como nas estruturas músicas que carregam "SOS in Bel Air", que abusa de um mudanças sonoras repentinas e saltam com mensagens bacanas, assim como todo o álbum que no fim não deve nada com sacadas legais de Mars e trupe. "When you can't cross the line / But you can't stop trying / Alone" A faixa título é instrumental e finaliza toda bonita. Imponente e interessante. "People in fashion / Rattle, don't hesitate / A look of my own, your chances are slim / Victory lap, formal with feathery eyes / Dating vendetta win small / Spray pesticide /Justice done" O disco não possui muitos hits, mas não deve na concepção que arrisca bonito e fica encorpado com canções dançantes deliciosas como "Trying to be Cool", "Don't" e "Oblique City". Pra não dizer que uma música dificilmente não sairá da cabeça está aqui "Enterteinment", hit com pegadas de canções do último álbum e toda uma aura oriental / japonesa que percorre o álbum em muitos momentos. "Entertainment / Show them what you do with me / When everyone here knows better / What I once refused to beIs everything they long together / I'd rather be alone".




Um trabalho competente e bem feito, inspirado e nem tanto ambicioso. Que prefere apostar em músicas que são pontuais e gostosas de ouvir. Nada mais certo, depois de fazerem um álbum tão fantástico como o foi o anterior a esse novo. Resta esperar qual a próxima cartada desses franceses que mostram cada dia mais estarem num nível acima. Por enquanto, a jogada é mostrar que eles ainda estão com as cartas na mão. Nesse meio tempo ninguém é mais cheio de marra que eles.

Gosto: Muito bom.


...

Os vampiros que não tem medo do sol.

Fazendo um sonzinho.
As batidas mezzo africanas, com guitarras eficientes e uma performance bacana ao vivo fazem dos "Vampiros de Fim de Semana" uma rica mistura de experiencias para quem os acompanha. Nascidos no berço de Nova York, conseguiram gravadora e disco em 2006, quando assinaram com a XL Recordings. Veio o álbum de estreia, o fantástico "Vampire Weekend", de 2008. Vou ser honesto o ritmo é contagiante, empolgante e só não dança quem não quer ou tá emburrado.
"Oxford Comma", "A-Punk", "Cape Cod Kwassa Kwassa" são obras primas tão marcantes que logo nos primeiros riffs delas já dá pra saber que a banda é poderosa. E vem outras que endossam o burburinho que eles causaram nas massas cefálicas de muitos pelo mundo afora. "Oxford..." é apaixonante. "Check your handbook / It's no trick / Take the chapstick / Put it on your lips / Crack a smile / Adjust my tie/ Know your boyfriend, unlike other guys."  O que mais acho interessante neles é a forma tão honesta como representam as músicas, as letras tão divertidas e dançantes. É um convite para dançar com os pés, no minimo.
O quarteto de NY é formado pelo vocalista e guitarrista Ezra Koenig, judeu nova iorquino que frequentou a Columbia University, onde se formou em literatura inglesa, pelo guitarrista e vocalista de apoio Rostam Batmanglij, pelo percussionista e baterista Chris Tomson e pelo baixista Chris Baio. O grupo que já tocou nos mais badalados festivais do globo, entre eles o de Glastonbury, Coachella já tá entre as maiores bandas do cenário indie nos dias de hoje. E se observarmos a atenção de todos, o céu é o limite para que é vampiro em NY. E cria canções tão legais, vai!
Em 2010, surge o segundo filho. Uma bela moça na capa e temos "Contra". Nos tophits,  as maravilhosas "Holiday", "Cousins", "Diplomats Son" e "Giving Up The Gun". O album inteiro quando ouvi pela primeira vez, vou confessar: dá vontade de não tirar do repeat mode on. Tem elementos típicos da banda, que aqui viraram marcas registradas. O balaio de ritmos que vão de sintetizadores, chocalhos, percussão, sons africanos e algo primitivo registrado com alegria e sorrisos. A minha do coração é "Cousins". "Interest in colors I discovered myself / If your art life is gritty / You'll be toasting my health / If an interest in coats, / You should be lining the walls. / When your birth right is interest / You could just screw it all." Num dia cinzento, nada como ouvi-la e dar um sorriso. Assim como "Holiday" que é uma graça: "But if I wait for a holiday/ Could it stop my fear? / To go away on a summer's day / Never seemed so clear."as O melhor é que eu ainda não consegui parar de ouvi-la, o que significa. Disco fantástico.
Está pra sair em 14 de maio desse ano, o terceiro. "Modern Vampires Of The City". Se o primeiro single lançado pelos garotos refletir o que está pra vir segura-se ô da poltrona. Vem coisa boa. "Diane Young" é uma das melhores coisas já feitas pela banda. A mais viciante. Pensa em algo que vicia como petit gateau com bolas de sorvete de creme, no meu caso, viciante e irresistível. Segue só o que tem a declarar, sr. Koenig: "Nobody knows what the future holds on /Said it’s bad enough just getting old / Live my life, they say it’s too fast /You know I love the past, ’cause I hate suspense..." Já me tomou de assalto e tá entre as que mais ouço no ranking do meu Last.fm. A música tem muitos dos sons da banda, que aqui toma uma forma mais apoteótica e bonitona. Me amarrei.



Pra deixar aquele gostinho do retorno da banda, no ultimo sábado rolou mais um show da série patrocinado por uma marca de cartões de crédito que sempre bota um diretor de responsa para comandar o show de uma banda as voltas de lançar um album. Foi assim com The Killers, entre outros. Dirigido pelo ator, diretor Steve Buscemi, o protagonista da série "Boardwalk Empire", da HBO, o show foi um espetáculo de primeira, realizado no auditório Roseland Ballroom com a apresentação de mais duas canções do novo albúm: "Obvious Bicycle" e "Everlasting Arms". Boas demais. Vou falar aqui do novo album e o que achei dele. O Vampire Weekend voltou. E quer que você saia da frente.


Vampiros que tocam de fim de semana.


Tá servido?
...

Lambida: James Blake - Overgrown

Toca um Raul!
No momento em que volto com esse blog, comecei a ouvir o segundo álbum do jovem promessa James Blake, "Overgrown". Ele faz um certo som de musica eletrônica  aos moldes de um Radiohead misturado com algo próprio e bacana de ver. Seu primeiro álbum  cujo título é seu próprio nome traz canções belas como "The Wilhelm Scream". Aqui temos um misto de belas músicas com um misto de experiencias sonoras dificeis de explicar. Sua forma singela de soltar sintetizadores nas músicas, jogar batidas viciantes faz toda a diferença.
Em "Voyeur", uma das melhores do disco, vamos além do compromisso de ouvir e caimos logo na magia do compositor.  "Cause I am flawed / When I am through those doors / Cause I am flawed / Times unsure / I should do whatever will make you feel secure. " Letras tão dilacerantes quanto impossíveis de não se render a dor que ela transmite. O som dele não empolga com o ritmo, que traz em sua essencia o seu melhor, ser capaz de com um piano e algumas batidas eletronicas, conduzir a lugares inimagináveis. Em "To the last", temos corações partidos lentamente implorando por algo a mais: "To the last / You ans I / If Only". 
Na canção título "Overgrown" é comovente. Achei de arrepiar. Sua voz  tão marcante, dizendo que "I dont wanna be a star / But a stone on the shore." E emenda com a frase lindona: "Time passes in constant state". Outros destaques do album são "I'm sold" e "Digital Lion". Essa última ganhou a presença de Brian Eno numa versão. Poderia ser mais incrível? Tá, veja a letra e se derreta ouvindo a canção. "I will see you probably / And even if you ask right / My heart feels like love / Whispering this in his days / For all feels like mine / Whispering this in his days" . Sem palavras.

Gosto: Excelente.



Fim.

Começar e recomeçar. Sempre demorado para não errar. Sempre lento e impaciente. Começar algo revela nossa disposição em saber o que estamos realmente a fim. Até quando vivemos e vemos que há duas coisas a fazer: Olhar para tudo o que começamos e simplesmente deixar de lado ou ir até o fim, sendo esse fim determinado por nossa vontade, como já trazia a grande obra de Schopenhauer "O Mundo como Vontade e Representação." Nesse fim, venho ressuscitar o blog de coisas que escrevo com mil propostas desde 2010. Três anos se passaram desde o primeiro post e venho postando raramente algo aqui e agora volto com uma proposta diferente. Quero regularmente escrever sobre coisas que me pedem uma opinião. Algo que não caiba em 140 caracteres do meu twitter @henriquevoxx, algo que peça uma analise, mesmo que seja de um pouco mais dos já citados caracteres. Quero colocar pra mim mesmo esses eventos. Quero compartilhar, mas acima de tudo quero escrever algo que eu possa ler um dia e saber o que se passou.
A vida é cheia de maneirismos. Cheio de esquizofrenias. Cheio de medos e pavores. Até quando o mundo nos põe sob a perspectiva do fim tudo fica mais gelado e mais necessário. Usamos nossos sentidos para algo que vai além do que pode ser representado. Fugimos, nos escondemos, erramos, e no limite da estrada olhamos ao redor pedindo um pouco de sentido. O sentido está no começo dos nossos atos, das nossas ações. Por isso, chega de bancar o tolo, o bobo. Comece a agir de acordo com o que realmente queremos, ou chegaremos um dia num estágio em que tudo ao redor não fará sentido. Como num carro em alta velocidade. Para chegar a esse nível, ele toma gradativamente uma velocidade maior. Até se ver desgovernado e incapaz de desviar a mil por hora.
O que quero aqui é dizer que não dá para ignorar o que acontece. Reduzi-los a uma perspectiva e ignorar todo o resto. Temos que ser meticulosos e evitar erros. Penteie o cabelo, arrume a gravata. Abre o blog e tente entender o que acontece com o mundo. Se você não entender o que acontece aqui, tente. Eu não vou complicar. Isso não é um blog público ou direcionado a convencer ninguém. Isso é pessoal. Não posso ignorar o mundo. Isso tá intrínseco demais. Os ponteiros rodam. A mãe alimenta o filho. Alguém corre para se exercitar. A manhã traz o sol novamente. Até o dia em que ele se esconder de nós mesmos. Até chegar nosso fim.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Henriquevoxx nos festivais - Lollapalooza Brasil 2013

- Direto do Jockey Club...








Como já diz a sabedoria popular, a primeira vez você nunca esquece. Nesse ritmo de perda da virgindade, embarquei no primeiro festival de minha vida e as divertidas recordações são o que vão ficar de duradouro, no que de acordo com muitos jornalistas, blogueiros e gente atônita de Heineken e tals, foi um dos melhores festivais de música dos últimos tempos aqui no país tupiniquim, se não o maior. Isso no que se pode dizer do numero de bandas ao mesmo tempo tocando e causando dores na consciência naqueles que se veem perdidos em meio a maré de atrações. Digo isso porque o Lollapalooza tupiniquim de resto foi um show a parte de logística ruim, lama feia e cheiro de esterco pegando forte, liberando aquele cheiro tão característico de Jockey...ok, ok. Além do som ruim em algumas apresentações como a do The Black Keys, que muitos que estavam de lado reclamaram que pouco se ouvia. Sem essa de pesares e lamentações, o que deu para sentir ali foi uma primeira vez para muitos que ali estavam pela primeira vez embarcando em um festival, já que São Paulo de fato nunca teve algo grande e bonito, como em outros lugares do mundo. Foi a caravana de Perry Ferrell, o lendário vocalista do Jane's Addiction e criador da brincadeira nos áureos anos 90, aportar ao país ano passado, mais precisamente aqui na capital financeira do país, para conheceremos o que é um festival de verdade.




Entre magoas e alegrias.

Ano passado acho que antes de realizar o primeiro Lolla aqui, o Ferrell tava mais empolgado acá do que agora. Pode ser impressão, mas deu pra perceber que no Chile a recepção foi mais acalorada, com a própria figura percorrendo o festival, que lá rola num parque. Talvez seja impressão também, ou paranoia desse senhor mas ouve um climão entre eles com o nosso evento com uma notável e acalorada receptividade na imprensa com o vizinho, mas nada que tenha feito do nosso aqui um evento menor ou menosprezado de qualquer maneira. De forma alguma. O que rolou para que isso pudesse acontecer com os realizadores do festival foram diversas situações dentre as quais a polemica Lobão, e as ferozes criticas que foram feitas ao festival e ao Sr. Jane's Addiction por um comentário que ele fez ano passado. No fim, com a qualidade de um line up lindo e uma infra-estrutura nunca vista aqui de festival gringo, fez a massa revoltada se render a incrível celebração que rolou.



O primeiro dia: Flowers e seu Killers fazendo a festa.

O único dia que choveu um pouco. A estimativa oficial foi de 52 mil, e pelo que pude ver encheu. Foi o dia do The Killers mostrar seu poder de grande banda, deadmou5, Passion Pit, Temper Trap, Flaming Lips, Of Monsters and Men. Apesar do deslumbramento com coisas bacanas, tipo aquelas maravilhas chamadas MINI CHURROS, HOT DOG LINDO E RODA GIGANTE VERDE ILUMINADO INCRIVEL, o line up do dia realmente não era algo comparado com o que viria, mas em nenhum momento o que se viu foi abaixo do excelente.
Passion Pit no palco alternativo tocando as maravilhosas canções do novo disco e da carreira, foi um momento muito legal. "Carried Away" arrebatando, sem mais. Além das outras tantas, como "Take a Walk", "Little Secrets". Lindas. Além do sempre bem vestido Michael Angelakos, conduzindo bem o publico meio tipo celebração. Bacana.
Temper Trap um pouco fraco, Of Monsters and Men bacaninha. Não vi muito esses, só o que eu pude. The Flaming Lips foi o show tipo inacreditável. Muito devido ao show maluco do senhor Wayne Coyne, que em meio a psicodelia de suas canções entregou um show cheio de luzes e pouco ritmo.
E para tornar tudo um momento redentor, The Killers e seu dandi Brandon Flowers traziam todos seus enormes sucessos de sua estrada já de uma década. Impossível escapar de boa parte de suas musicas. São tipo hinos, algo que faria Bono e The Edge ficar corado de encanto. Nada que vá se comparar tanto assim, já que vejo o segundo e terceiro álbum da banda bem coxinha demais pro meu gosto, o que salvou mesmo foi essa nova cria que até que é bacana, o "Battle Born", o disco novo que saiu ano passado. Crias como "Somebody Told Me", "Mr. Brightside", "When You Were Young" deram aos famigerados coxinhas de plantão e eternos fãs de hinos grandiosos nas ondas do Lolla nesse dia um banho de soda gelada. Era o topo do mundo. Mas sem duvida foi muito bacana. Gosto do Killers, afinal.



Segundo dia: O melhor dia de um festival em solo tupiniquim de todos os tempos?

Cheguei bem cedo ao Jockey. Deu pra ver os shows de meio dia, tipo o da galerinha bacana do Stop Play Moon tocando umas tipo um som bem eletrônico e dançante. Bom até. Fui para as filas de fichas, peguei algumas. Poucas, percebi depois tendo que ter voltado a fila no fim da tarde e sabe-se lá Deus como achei meu lugar naquele momento. Depois logo vi um pouco de Ludov, passei na lojinha para pegar umas camisas e fui ver Toro Y Moi, que tinha acabado de começar. Bem bom, e ali sai pouco para garantir o lugar. Sai e vi depressa um pouco de Franz Ferdinand. Bem lotado no palco Butantã. Voltei ao meu lugar ali proximo ao palco Cidade Jardim, onde ocorreria o show do Two Door Cinema Club. A banda irlandesa deu o melhor de si em palco, fui bem bacana. De lá vi o que pude de Alabama Shakes. Do lugar do onde estava dava para ouvir seu voizerão, enquanto do outro lado rolava o Franz. Meio missão impossível eu ainda ter que ficar ali no outro palco para guardar o que estava por vir.
Ah, deu pra ver um pouco de Gary Clark Jr., muito bom. Até que entrou no palco do dândi Josh Homme, com a sua bela trupe para nos entregar o novo Queens Of The Stone Age. Ou melhor, ali foi mais sucessos da carreira e uma só do novo álbum, inédita. A poderosa "My God Is The Sun", do novo album "...Like A Clockwork". Foi excelente e melhor show da noite, e do dia no festival. Soltaram "Sick, Sick, Sick" para o meu delírio, além das clássicas "No One Knows", "Turnin On The Screw", "Make It Wit Chu". A banda tava muito boa no palco e soltando fogo pelas ventas, como dizem.
Homme soltando umas gags tipo, se auto denominando o beberrão do grupo.
Após um momento doloroso já, depois de algumas Heineken e muita sede ali no meio, entra a banda mais esperada por mim no dia, os agora headliners e primeira vez no país, os caipiras do The Black Keys. Um estrondo de banda ao vivo. Ainda bem que não sai muito de onde eu tava durante o dia, pois nos lados dizem que o som não rolou quase nada. Dali de frente de onde tava deu pra ouvir bem, graças a Deus. Todas as belas músicas que eu aguardava como "Nova Baby" (Que na hora foi até meio surpresa pra mim), "Gold On The Celling", "Run Right Back" e o hit "Lonely Boy", todas do mais recente album deles de 2011, "El Camino". Sem contar ao vivo ali "Tighten Up", "Howlin' For You" e "Strange Times". Uma das bandas mais preferidas por mim e que ali recompensou demais. Por que não é o melhor show da noite? Desculpa garotos de Ohio, mas Homme fez estrago. Fato.
Muitos blogueiros como o grande Marcelo Costa, do Scream & Yell, e o Lucio Ribeiro do Popload deram na certa que tinha algo de histórico no dia 30 de março. O segundo dia do Lolla BR, foi exatamente aquilo que se espera de um festival na Europa, e que nem lá muitas vezes rola com a perfeição (no mau sentido) de não poder ver todas as bandas legais por que todas elas tão rolando ao mesmo tempo. Foi o que rolou, tipo Alabama Shakes ou Franz Ferdinand? Steve Aoki, rolando no palco Perry de música eletrônica ou The Black Keys? Foi delirante.









Terceiro dia: Os anos 90 estão de volta!

Foi tipo todo momento aquele clima apoteótico. O dia que teria Pearl Jam, ao lado do brazuca Planet Hemp, que retorna nos palcos do maior festival rolando no Brasil do mundo teve todos os ingredientes daqueles dias memoráveis. E de certo modo teve um pouco, sim, desse ufanismo de fato concretizado ali. Era de certa forma os anos 90 de volta para aqueles ali. Fui nesse dia com meu tio, que acompanhou in loco a vibe dos dias de "Ten", dos então cabeludos de Seattle. Chegamos lá por volta das 15h, ali bem no inicio, uma das bandas que mais ansiava em ver, os ingleses do Foals. Show ameno. Esperava mais. O som tava irregular, algumas vezes o que irritou alguns integrantes da banda em alguns momentos. Tocaram "Providence", "My Number" e "Inhaler". Poucas do segundo disco, o "Total Life Forever" e mais do primeiro e ultimo álbum.
Fomos beber um pouco. Vi um pouco de Hot Chip, e aquele momento "holy shit" veio da banda Kaiser Chiefs, que arrebataram o publico com aqueles hits lindos que só eles sabem fazer e tocar. Apresentação impecável do inicio ao fim, com direito a momentos de contorcionismo do vocalista Ricky Wilson (adoro ele, o cara é incrível), em meio as estruturas do palco. Acho que foi na "I Predict a Riot", não tenho certeza.
Vi pouco de Major Lazer e The Hives, uma pena. Foi ai que começou o Pearl Jam no palco Cidade Jardim.
Dava pra ver muito tiozão do meu lado entoando hinos da banda como "Jeremy", "I am Mine" e "Daughter". Eddie Vedder rodopiou, balançou os cabelos e criou um clima bem grunge para coroar a noite que umas duas horas atrás teve Planet Hemp entoando canções pró-liberalização da maconha. Não vejo graça nas música deles, e não vejo como a galera curte tanto, enfim. Vedder parabenizou - advinha, falando em português, hehe- a cidade de São Paulo por permitir o casamento de pessoas de mesmo sexo, lei essa do quel eu nem sabia. Pra variar tocou a cover do Ramones e The Who, as respectivas "I Believe in Miracles" e "Baba O'Riley". Gostei do pique e disposição da banda, que arrebentou em certos momentos. Vedder confessou que eles interromperam o período de gravação do novo álbum para os shows nos Lolla daqui e do Chile.








Ao fim, foi um baita festival. Fui ao final dos três dias, madrugada de domingo esgotado, mas quem disse que eu não faria de novo? Ano que vem tem mais.












Até.

domingo, 23 de dezembro de 2012

"Eu vi o futuro do rock 'n roll e ele chama-se Bruce Springsteen"



E completou dizendo: "Em uma noite em que precisei me sentir jovem, ele me fez sentir como se escutasse música pela primeira vez". Foi o então crítico musical Jon Landau que proferiu a tal frase que percorreu a mídia na época, inicio dos anos 70. O mesmo que posteriormente viria a ser empresário, produtor e amigo intimo do astro.

Um som saia de uma guitarra Telecaster em um ponto qualquer de Nova Jersey. Um garoto de vinte e poucos anos saia com sua guitarra e tornava em público o estrondo que suas canções ainda não tinham, mas que logo teriam. Em 1972, foi contratado pela CBS, que lhe entregou a alcunha de "novo Bob Dylan". Um garoto que trazia em suas canções a busca da identidade americana, num sentido libertário e inquieto que nos fazia chegar mais próximos dos aparelhos de rádio para prestarmos a devida atenção aos donos desse poder invisível, o simples trabalhador americano. O nobre e inquieto ser que vaga com seus anseios sendo demolidos por um sentimento de não pertencimento ao sonho americano. Sua voz ecoava num palco com tamanha eloquência que muitos consideram seus shows, a maior experiência ao vivo que se pode ter. Dada a energia e o poder que desmonta, trazendo canções demolidoras, que nos tomam de assalto e conduz a mente num misto êxtase e deslumbramento.

Bruce Springsteen, era o futuro do rock, e isso não era pouco. Ele demolia casas de show em Atlantic City, e fazia novos fãs a cada dia. Antes, teve que superar as dificuldade de uma vida sem recursos. Seu pai vivia de bicos e do que tinha para sustentá-lo. Ele nunca o encorajou a seguir na profissão de cantor, e sempre dizia que nunca daria em nada. A desilusão com a vida só o fez tornar amarga sua relação com o filho. Sua mãe, era secretária e foi quem comprou a primeira guitarra ao filho, após Bruce insistir demasiadamente. Ela foi uma das que viu nele uma vontade em ser um cantor. O que ela jamais imaginou foi que o filho se tornaria um dos maiores músicos da história, que viria redefinir o rock'n roll.

Após o contrato com a Columbia, Bruce trouxe seus companheiros de NJ  para formar o que seria a "E Street Band" e lançou seu primeiro álbum em 5 de janeiro de 1973, "Greetings from Asbury Park", uma declaração de amor a cidade e ao lugar onde nasceu, New Jersey. O álbum não engrenou, mas trazia as canções que se tornavam comentadas graças as suas apresentações ao vivo. Seu segundo álbum  "The Wild and The Inocent & The E Street Shuffle", lançada no mesmo ano, em setembro, teve o aval da crítica mas continuou sem grande apelo comercial. Foi então no terceiro e definitivo álbum que ele tomaria de assalto a América: Em 25 de agosto de 1975, o álbum "Born to Run" trazia um cantor estiloso numa capa branca vestindo uma jaqueta preta. O álbum foi difícil de sair e teve diversos contra tempos, problemas na criação das músicas e na coesão do álbum. O disco ficou em 3° lugar nos Estados Unidos em número de vendas. Ao final, a canção-título hoje é uma das mais extraordinárias canções de todos os tempos.

Tente ouvi-la ao vivo, na versão tocado pelo "Chefe", em Hyde Park, em 2009.


O disco seguinte, "Darkness on the Edge of Town", foi mais sombrio assim como foram os dois seguintes: "The River" e "Nebraska". As letras ecoando um sentimento de desilusão e arrependimentos, em um folk e um r&b que o consagraria em faixas como "Out in the Streets", "Hungry Heart", "Racing in the Streets", "Badlands" e "The Promise Land". Ali estava a fisionomia do americano em frangalhos, buscando formas de se achar em meio as dificuldades, em cacos, rachada. Sua popularidade era grande, mas ainda carecia de hits e um disco a altura do seu nome. Veio "Born in the USA", em 4 de junho de 1984. Uma onda tomou conta do país como um todo e seu nome estava nas alturas. Bruce Springsteen ganhava na capa, sob a bandeira americana, com sua guitarra, seu boné vermelho no bolso de uma calça jeans, a figura icônica dos anos 80. Sua fama ganhou o mundo e suas canções mostravam agora o orgulho americano. Canções como "Dancing in the Dark" e "Glory Days" possuíam melodias irresistíveis e dançantes, assim como todo o álbum que exalava uma America mais alegre, e com frustrações ao melhor modo que Bruce sabia passar, em melodias fáceis e sintonizadas com as pessoas comuns, que davam o seu suor durante o dia e vivia seus anseios de alcançar o "american way of life" em sua plenitude. A ideia do título do disco é em menção aos soldados que vieram do Vietnã e regressaram ao país. Ele, assim como muitos sofreram a perda irreparável de colegas e amigos na guerra durante a sua adolescência  e de certa forma lidou diretamente com a dor desse conflito. Mesmo assim, foi acusado por muitos na época de ufanismo e nacionalista pelo modo como o disco exprimia o apresso pela terra natal, principalmente pelo modo como o disco, as canções e os videoclipes expunham a bandeira americana e a força de um país.




Após esse trabalho, ele se separou da "E Street Band" e passou os anos 90 todo em carreira solo, trazendo  álbuns como "Tunnel of Love", "Human Touch" e "The Ghost of Tom Joad", que teve relativo sucesso. Se reuniu novamente com eles em 2001, após um bom tempo separados. O disco "Live in the New York City", foi o recomeço com a banda que o acompanhou desde o inicio. Logo seguinte, lançou "The Rising", em 2002, com referencia explicitas a situação do país após o 11/09. Vieram "Devils and Dust", "Magic" e "Working on a Dream". O mais recente trabalho, lançado neste ano, "Wrecking Ball", foi anunciado por seu manager Jon Landau como o retorno do "The Boss" em um disco visceral e intenso, nos moldes de "Born to Run". O 17° álbum em estúdio é o retrato dos Estados Unidos nessa traumática fase pós-crise, onde a ganancia de Wall Street corroeu o Estado e deixou muitos cidadãos desamparados. Uma corrida insensata pelo dinheiro, sob o olhos de uma casa branca desatenta e preocupada com suas guerras. Um país em construção, onde seus trabalhadores, os protagonistas dos seus álbuns vivem na penumbra sem empregos. Alheio a tudo isso, sentiu que podia contribuir, como sempre, com canções de superação e entusiasmo.

Na primeira faixa do álbum  "We Take Care of Our Own", é a voz da América se perguntando, "quem olhará por nós?". A música é poderosa como uma Born To Run, sem tanta daquele romantismo, e mais com um desejo de escapar tão somente, mas sozinho em meio a "armadilha" da vida. Em "Rocky Ground" e "Land of Hope and Dreams", o piano e as guitarras trazem a dor, mas com uma dose cavalar de esperanças. Verdadeiros hinos dessa geração, vindos de um senhor de 62 anos de idade. Ele brilha com maestria com sua guitarra Telecaster (sempre), soltando faíscas. O álbum todo é um dos melhores que ele já fez em sua carreira, e definitivamente o melhor da atual safra com a E Street Band. Apesar da ausência do saxofonista Clarence Clemons, que morreu em 2010, com quem dividiu os palcos, vida e estrada, a banda consegue dar uma voracidade tremenda como seu estivéssemos nos anos 70, 80, vivenciando o seu apogeu. E quem disse que eles não estão?  É impressionante. E de Bruce, temos a mesma força e energia das décadas passadas.

Ano que vem, vou comprar meu ingresso e vou ao Rio de Janeiro. Vou vê-lo. Pretendo dormir dias na fila para sentir de perto essa fúria que só quem já ouviu falar de seus concertos ao vivo, entende a minha expectativa. Sou fã incondicional desde quando vi o famoso videoclipe em que ele dança com uma jovem Courtney Cox, num palco, a música icônica "Dancing in the Dark". Ele é um dos artistas que quero ver ainda nessa minha vida, e não posso dar bobeira mesmo. Minha expectativa é de saber que é no ano que está preste a começar que o verei de perto. Em seu site está lá, e meu coração bate forte, por que desde 2007, ano que me lembro, foi onde me enfurnei em suas canções, buscando o que somente nelas me senti confiante em compreender e virei fã. Sempre pensando comigo mesmo, sua ultima vinda ao Brasil foi em 1993, num show no Parque Antárctica  no então estádio do Palmeiras. Saber que ano que vem ele tocará aqui no país é um alento.


Nesse ano foi lançada também sua biografia, "Bruce", escrita por Peter Ames Carlin, que conta sua vida particular, sua infância, seu sucesso e a sua consagração como uma das maiores lendas do rock'n roll. Revela seus sonhos e pesadelos, sua história. Quero ler antes de embarcar para conhecê-lo, em setembro do ano que vêm. Ele é uma pessoa que me inspira como ser humano, que buscou sempre alcançar seus limites e ultrapassá-los, quando jovem ao buscar mostrar-nos a força de um sonho, em se tornar um grande cantor. Todos que estiveram ao seu lado durante sua vida dizem que ele é uma das pessoas mais humildes e simples que já conheceram, mesmo sendo um dos grandes da música. Acho muito nobre isso, mas acima disso, gosto do modo como ele transmite sua música, com inventividade e criatividade mesmo tendo 62, e contando. Me inspira ele ter calcado sua história sem ambição desmedida e deslumbramento com o sucesso que teve.


Em sua carreira já ganhou dezenas de prêmios importantes, como vinte Grammys, quatro American Music Awards e um Oscar. Símbolo de uma America que vivia sua plenitude econômica e politicamente nos anos 80 e 90, ele mais do que traduz a força de um país, mas de sua incapacidade de se resolver seus anseios e fracassos. Ele traz para sua música, não somente os residentes do seu país, mas de todo o mundo, que se servem de letras que exprimam nossa fragilidade humana, e isso ele o faz como ninguém, porque o modo como molda as melodias e as suas apresentação ao vivo, nos faz perceber que apesar dos problemas, temos o exemplo do que há de melhor no espirito protestante e capitalista da América, que é esse sentimento de sempre se renovar e crescer, vindo do que há de melhor da música no lado norte do continente.

Incrível relato que deu a revista The New Yorker, sobre sua vida em 30 de julho desse ano. Emocionante. Links: http://www.newyorker.com/reporting/2012/07/30/120730fa_fact_remnick?currentPage=all

Ouça aqui o álbum que ele lançou em 11 de novembro de 2003, com suas maiores canções:




sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Crítica: Argo




Observando de longe, há algum tempo atras, Ben Affleck era um ator mediano e sem muita consistência. Fazia o tipo de um galã que assumia a frente de filmes com pouco conteudo e que não fazia muita a diferença frente as cameras com a atuações que o detacasse. Bem, isso não mudou aqui e nem é algo que veio a melhorar, mas ele cresceu. Não como ator, que venha a ficar bem claro, nada contra afinal tenho por ele grande estima. Apenas o reconheço como um ator bom e regular. Os roteiros fazem a diferença e aqui não quero deixar de fora e nem ao menos ocultar que tendo escrito um roteiro com o também ator Matt Damon,  venceu o Oscar de melhor roteiro original por Gênio Indomável. Sua reputação talvez tenha sido manchado um pouco sua trajetória, ou engrandecido seu leque de experiencias em diversos tipos de generos. Sua ambição talvez sempre esteve enquanto filmava Demolidor - O Homem sem medo ou A Sombra de Todos os Medos. Dois blockbusters que definiram sua filmografia ao lado de outros tantos. Almejava se tornar um diretor de cinema. E se voltarmos àquele Ben Affleck capaz de escrever roteiros oscarizados, não devemos subestima-lo. 

Após dois filmes muito bons. Medo da Verdade (2009) e Atração Perigosa (2010) são duas espécimes que possuem algo de catártico, intrigante e que prende a atenção. Adoro o clima frio e ágil que conduz sua câmera  E aqui em Argo (2012), Ben, ator que atualmente é casado na vida real com a linda atriz Jennifer Garner, vai além de suas ambições, até mesma aquelas suas em que devia pensar enquanto almoçava no seu trailer no intervalo das filmagens de seus antigos blockbusters. A dimensão que seu filme anda tomando pode levá-lo a ganhar o Oscar de melhor diretor ano que vem. E não é pouco. O filme é brilhante. Conta a história de um grupo de diplomatas americanos que escapam da embaixada em Teerã, no ano de 1979 em meio ao tumulto causado pela revolução islâmica no Irã, cuja a causa é a decisão de os Estados Unidos dar asilo ao seu antigo aliado, o xá Reza Pahlavi, despertando o ódio e a fúria de toda a população pelos EUA. Sem ter para onde ir, os diplomatas encontram abrigo as escondidas na embaixada do Canadá. Sob o risco de comprometer o país vizinho, a CIA convoca seu melhor agente para desempenhar o papel de socorrer os diplomatas americanos que ali se viam prestes a serem executados pelo regime de Ali Khamenei, radical que dominou o país. Esse agente interpretado por Ben Affleck tem a ideia de socorre-los fazendo um filme fictício que tenha como cenário o ambiente iraniano, para servir de desculpa para o plano ser posto em prática. Ai é que o filme degringola.
Com uma edição de arte e maquiagem impressionantes, somos tragados para os anos 70 em sua plenitude (desde a trilha sonora, passando de Aerosmith a Led Zeppellin), aos cabelos grandes e costeletas. Tudo nada superficial, mas verossimil. 

A tensão que o diretor Ben Affleck nos causa é sufocante e conduz o espectador a um deslumbre sem precedentes. O contraponto é a história referente a trama de Argo, o filme falso, que traz a tona atores brilhantes como John Goodman e Alan Arkin. O primeiro interpreta o maquiado vencedor de um Oscar, por o Planeta dos Macacos, John Chambers, já Arkin, faz o produtor Lester Siegel. Ambos nos brindam com dialogos hilários sobre a Hollywood que se desdobrava já naqueles tempos. Um humor que não contradiz, nem minimiza a tensão do filme, mas engrandece o filme. 
O ator Ben Affleck agora um dos mais interessantes diretores da nova safra, pode ver sua carreira deslanchar se vencer mesmo o prêmio da Academia ano que vem. Tô gostando do que ando vendo, desejo boa sorte a ele e que faça jus a tanta expectativa que deposito nele.