domingo, 2 de fevereiro de 2014

Altas expectativas: A dupla Tom Morello e Bruce Springsteen

Só alegria: com a adição de Morello, um novo disco, e a participação nas turnês do 'chefe'.

A história começa, de acordo com Bruce Springsteen, uma das maiores lendas vivas da música, quando seu primo Lenny Sullivan, um fã da banda Rage Against the Machine, diz pra ele que a banda fez uma incrível versão de 'The Ghost of Tom Joad'. Tom Morello, guitarrista da banda, foi a alguns shows de Bruce e ele já conhecia a irmã do 'The Boss' de Los Angeles, onde "após um período de tempo já nós tornamos amigos", diz Bruce. Aqui em uma entrevista extensa para a revista Rolling Stone, ele continua a descrição de como ambos se tornaram amigos: "Muitos anos antes nós dissemos, "Por que você não aparece e toca? Vamos achar algo que você possa tocar" Em outras palavras, "Vamos achar uma maneira de pegar o que você faz, e o que eu faço. [e] vamos achar o ponto onde eles se cruzam." Eu posso me lembrar, aconteceu em Los Angeles, e ele apareceu e tocou o 'The Ghost of Tom Joad' e o lugar explodiu em provavelmente uma das mais barulhentas reações de multidões que eu já ouvi em todos esses anos em que tenho tocado. Era como se algo realmente explosivo tivesse acontecido".

E a amizade entre eles foi crescendo desde quando subiram no palco em 2008 e tocaram juntos algumas canções, em especial 'Tom Joad'. "Eu não sou um fã qualquer do Bruce Springsteen - Eu sou um tremendo fã do Bruce Springsteen", confessa Tom Morello. "E 'The Ghost of Tom Joad' é uma das suas melhores canções. Atravessa a essência do seu senso de justiça social em sua escrita. Esta versão começa como uma balada melancólica, que parece como um lamento. e se torna uma passagem pesada que soa até como uma ameaça". Essa versão em que ele se refere é ao trabalho em que ele participou, dando uma nova roupagem a clássica canção de Bruce que aparece num tom bem ameno e calma, no disco de 1997 de mesmo nome. Bruce confessa que depois daquela noite em que tocou pela primeira vez 'Tom Joad' com Morello, já percebeu que era aquela pegada que a música deveria ter. "Algo empolgante aconteceu e algo imenso aconteceu. Foi o que ele trouxe.", diz o The Boss sobre a presença de Morello.

Devido a ausência de Steve Van Zandt na E Street Band, Morello foi convidado a fazer parte da banda nas turnês que Bruce faz pelo mundo, com parada na Africa do Sul, e Oceania. Nesse reencontro, os dois passaram a testar algumas faixas ao vivo em shows, e o resultado sempre acima da expectativa. Exemplos disso são as faixas "American Skin (41 Shots)", "Dream Baby Dream" e "Harry's Place". Ah, e "High Hopes". Voltando um pouco a fita, o guitarrista do Rage Against dirigia seu carro por Los Angeles quando descobre uma faixa gravada por Bruce de nome 'High Hopes' numa estação de rádio. Faixa que foi originalmente lançada num EP de 1996. "No meio da noite, mandei uma mensagem de texto para o Bruce e disse: o que você acha de 'High Hopes' para tocar na turnê? Ele concordou que puséssemos no set". Daquele momento, ambos passaram a definir como seria o som da E Street Band na ausência de Van Zandt, e o resultado mais visceral agradou Bruce tanto que ambos passaram a alimentar a ideia de colocar as ideias de Morello num disco. Mas não um disco qualquer, já que não estava sendo preparado nada anteriormente, a ideia simplesmente apareceu e um pouco em cada lugar começou a surgir as regravações de canções pouco conhecidas, outras que não foram aproveitadas de outros discos e alguns covers.

As gravações foram feitas com Morello na Austrália, e as outras divididas entre o estúdio em Los Angeles, onde estava Ron Aniello, produtor de longa data do 'chefe' e em seu estúdio na sua casa em New Jersey, durante paradas. O ápice da amizade entre os dois gerou seis faixas que fazem parte do décimo oitavo disco de Bruce, cujo nome "High Hopes", refere-se a uma faixa escrita por Tim Scott McConnell, e tocada pela banda de McConnell, o The Havalinas. Além de "High Hopes", outros covers feitos por eles dois foram "Just Like Fire Would", da banda australiana de punk Saints, e a dilacerante e bela faixa "Dream Baby Dream", de uma das bandas prediletas de Bruce, dos anos 70, o Suicide. "Eu amo eles, e eles tiveram uma influencia em 'Nebraska' de uma forma indireta". A intenção inicial de Bruce era regravar a faixa em homenagem aos fãs que acompanharam sob sol e chuva sua turnê. Inclusive feita e colocada em um vídeo mágico com fãs nos shows de Bruce, realmente tocante e inspirador, assim como a faixa na voz cortante em sussurros de Bruce, que acaba dando na guitarra um som denso e profundo a faixa de Suicide.




Um momento interessante na entrevista que deu à Rolling Stone mês passado no lançamento de 'High Hopes' foi quando questionado sobre o periodo entre os discos 'The Ghost of Tom Joad' e 'The Rising', Springsteen quando não lançou nada durante sete anos, e nesses ultimos tempos tem lançado albuns, feito turnês como nunca. Foi um momento intimo para ele deu para notar, e sua resposta honesta é o que faz de pessoas como eu amá-lo como pessoa. Ele relembra como se sentia naqueles anos, no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000. "É a velha história, aquela 'a luz do trem que se aproxima concentra a mente', [e ri] (...) Certamente, na década de 1990, eu olho para trás e penso: "Às vezes não estou satisfeito completamente com algo. Às vezes isso não é necessariamente uma razão para não se libertar." Há coisas que são apenas interessante por em si e que cedo ou tarde acabam acontecendo. Mas quando eu começar a morder a bala, eu sempre vou naquela de "Se isso não é o suficiente para mim, não é o suficiente para o meu público.". Você tem diferente níveis de sensibilidade sobre essas coisas em tempos diferentes. Eu acho que nos anos 90, eu realmente estava tendo me refinar. Eu farei o que? Farei apresentações acústicas? Eu não estava trabalhando com a E Street Band. Como eu vou continuar? Eu tenho o caminho para fazer a banda atual e relevante para os tempos que estava. Eu estava tentando responder todas essas questões que era meio que a ansiedade dos anos 90."






Enfim, o trabalho aqui foge do que Bruce fez em todas as suas obras anteriormente, ou seja, seguindo uma história, uma idéia central. Aqui há uma série de canções muito bem feitas e tocadas de maneira primorosa pela E Street Band e por Morello, que alcança tons apoteoticos nos covers do disco, em especial na sua favorita 'The Ghost of Tom Joad' e na balada dilacerante 'Dream Baby Dream'. Das regravações,
"Frankie Fell In Love", "Harry's Place" e "Hunter of Invisible Game" são faixas que achei muito boas. Há faixas não ultilizadas em discos passados como "The Rising" e Magic", que estão aqui como "The Wall", e algumas com tons religiosos, como "This is Your Sword" e "Heaven's Wall". Mas sem duvida talvez a minha favorita, a versão de Morello para "American Skin (41 Shots)" começa com sussurros e termina com um estouro de riffs explosivo. Essa faixa foi escrita por Bruce inspirada num crime que chocou os EUA, quando quatro policiais de Nova York atiraram quarenta e uma vezes no suspeito Amadou Diallo, um africano de 22 anos, que ao parecer aos policiais se tratar de um sujeito que vinha cometendo crimes na região do Bronx, foi abordado e revistado. No momento em que parecia tirar um objeto de sua roupa, foi quando começaram os tiros. Quando na realidade era apenas sua carteira. Conto a origem da música, para caso não tenham ouvido ainda, ao ouvir entendam a letra de Bruce que é comovente, e aqui nessa versão de Morello, uma verdadeira preciosidade. O disco, apesar de não seguir uma ideia central, é de longe uma obra excelente, com canções poderosas e comoventes. A dupla conseguiu superar as expectativas, e olha que foram altas.

Just Like Fire Would...

Shows catárticos pelo mundo.

  • Versão original de 'High Hopes' da banda The Havalinas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Relações Internacionais: México, o vizinho que incomoda os Estados Unidos.

Um dos pratos favoritos dos americanos: os tacos sendo vendidos em LA.


Para visualizar um panorama do que é as relações entre americanos e mexicanos na atualidade proponho um olhar lá atrás. Era 1845, quando o então presidente norte-americano James K. Polk abraçou uma ideia defendida pelo povo americano de que era um direito dado por Deus aos americanos para civilizarem e ocuparem os territórios da até então pouco desbravada América, uma ideia chamada Destino Manifesto, que ganhou força ainda mais conforme mais e mais americanos se estabeleciam em terras do oeste. Era de conhecimento de todos inclusive do governo americano de que essas terras da América já estavam ocupadas por nativos americanos e mexicanos católicos, porém o espírito democrático de muitos colonizadores ingleses parecia nutrir cada vez mais essa noção de idéias e éticas protestantes de que era responsabilidades deles fazer um trabalho melhor do que qualquer outro. A história acaba mostrando que se por um lado ouve tentativas e exito na compra em dinheiro de terras americanas (e aqui cito os dos nativos do continente), como no caso que nos anos de 1835 e 1845, os Estados Unidos ofereceram para comprar Califórnia do México, por US$ 5 milhões e US$ 25 milhões, respectivamente. Houve momentos em que não houveram exito agir pacificamente, como ocorreu no caso do Texas que acabou sendo tomado pelos Estados Unidos, reivindicado pelos mexicanos e assim travaram se um conflito que durou entre 1846 e 1848 e teve enormes consequências para o futuro das nações envolvidas. No fim das contas, os norte-americanos ampliaram o seu território em cerca de um quarto, enquanto México perdeu aproximadamente metade do seu.

Nessa breve retrospectiva das relações entre os dois países, México e EUA vemos que houve sim, cicatrizes que foram por um lado curadas ou melhor esquecidas pela superioridade norte-americana com o passar dos anos, mais precisamente no século seguinte onde com a importância do dólar, da economia pungente e diversificada não deu espaço para que houvesse outro ator internacional com semelhante relevância, tanto economicamente como já veio a ser citado, como politicamente. Venho ressaltar que não se trata de exaltação ou engrandecimento, porém nação nenhuma foi capaz de usar das tradições religiosas e culturais, aliadas a posturas no sistema internacional que pouco a pouco deram a ela a uma notável importância em meio as outras nações do mundo, gradativamente se tornando tão poderosa como se tornou ainda mais nos anos pós segunda guerra mundial, no recrudescimento da Guerra Fria e no seu derradeiro fim nos anos 90. A geração yuppie, a dos ganhos e lucros em meados dos anos 80, é o perfeito exemplo de como a nação americana mostrou ao mundo uma sociedade baseada na corrida por ambições e superioridade sobre o mundo.

O mais importante aqui é ressaltar a evolução dos Estados Unidos como uma nação provinciana e dominante, para uma nação pioneira e dominante. No cerne da questão está a relação com seu vizinho México, que amargurou em sua história por diversas crises, golpes de Estado, abandono de uma sociedade que se viu mercê de grupos milicianos do narcotráfico, da falta de educação e segurança, além da corrupção endêmica. A instabilidade social no vizinho, assim como em toda a América Latina vem de anos de exploração espanhola e portuguesa apenas do território abandonando qualquer interesse na sociedade, diferentemente do que podemos ver de uma nação fugida da monarquia inglesa que desceu no continente descoberto por Colombo, com diretrizes e projetos a construir.

Essa falta de estrutura e educação faz com que milhares busquem oportunidades de melhor bem estar e recursos financeiros do outro lado da cerca elétrica. De acordo com o New York Times, as detenções de imigrantes ilegais de outros países além do México -principalmente de Honduras, Guatemala e El Salvador- nos EUA mais que duplicaram na fronteira sudoeste do país no ano passado, de 46.997, em 2011, para 94.532. O que leva a questão de que a situação aqui é sim generalizada e o México a porta de entrada. Razão pelo qual muitos norte-americanos - ainda mais em tempos de crise - sintam preconceito e odio pelos mexicanos. E isso como a história nos traz, carrega junto com o subconsciente a noção de inferioridade na relação EUA e Mexico, por parte da sociedade ianque. Por outro lado, os governos dos dois países sempre procuraram num plano diplomático evitar rusgas ou alimenta-las, entretanto nem sempre eles conseguiram agir dessa maneira.

No estado de Arizona, no ano de 2010 houve uma lei criminalizando o estrangeiro que não portar uma identificação aprovada pelo Estado, quando esse indivíduo permanecer por mais de 30 dias em solo norte-americano. A chamada lei "Arizona Senate Bill 1070", foi aprovada pela governadora do Arizona, teve seu texto alterado, mas ainda se torna vigente, mesmo em meio a toda a controvérsia. No dado momento, o presidente do México, Felipe Calderón, o maior atingido por essa medida, disse que condena a aprovação da lei e a criminalização da migração. Disse ainda que a lei é uma "violação dos direitos humanos". Em visita a Casa Branca, Calderón fez pessoalmente uma critica a lei para o presidente Barack Obama.

Mesmo tendo sido frequentemente caracterizado de maneira negativa, o México é o terceiro maior parceiro comercial dos Estados Unidos, atrás apenas de Canadá e China. E vem tendo nos dias de hoje um potencial extremamente reconhecido como uma das futuras potencias econômicas. Se não fossem pela crise de 2008 nos EUA, a da Europa em 2012 e do fracasso total que foi os países do Brics (Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul), muitos analistas econômicos veem no México um lugar com uma economia mais estabilizada e com maiores condições de atuar como líder regional. De acordo com o jornal 'Market Watch' (subsidiária do Wall Street Journal), num artigo publicado ano passado traz de maneira otimista a seguinte manchete:
"México: Nova China do Investidor". E não para por ai, ainda revela que boa parte do mercado financeiro vai voltar os olhos para a nova promessa. O 'The Economist' publicou um artigo de opinião intitulado "O mexicano global: o México é aberto para os negócios" com destaque para as empresas mexicanas que estão investindo localmente e nos EUA e argumentando que o México é um terreno fértil para mais investimentos, especialmente no setor manufatureiro. Já o britânico Financial Times revela que os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) já perderam relevância para os próximos anos, o México está agora a tomar sobre essa distinção.

Como revela o 'Diplomatic Courier', as relações entre México e Estados Unidos, para se ter uma dimensão, a pauta não será mais ancoradas em problemas regionais como imigração ilegal ou o tráfico de drogas, em vez disso, a economia, as finanças e o comércio vai ditar os termos entre os países vizinhos. Entretanto, devido a lei já citada 1070, vinda do estado do Arizona, a frequente vinda de imigrantes legais na fronteira, violências e abusos, o tema Imigração ainda deve ser tratado pelo presidente Barack Obama, de acordo ainda com a revista 'Diplomatic Courier' com firmeza e o mais bipartidária possível, mesmo apesar do assunto correr de maneira polarizada nos Estados Unidos, acentuada pelo país ainda ter um numero expressivo de desemprego. Essa é uma questão que é vista como uma necessidade dos Estados Unidos tratarem em suas politicas federais, deixando a responsabilidade ao México de proteger suas fronteiras ao sul da vinda de imigrantes da América Central, que entram através da Guatemala. 

Construir muros e barreiras entre os dois países não será mais importante. A despeito dos problemas que o problema da migração cause, ela deverá ser atuada de maneira a continuar decrescendo dadas as medidas que esperam-se serem adotadas por ambos os países, a saida agora é deixar essas questões domésticas num plano que não arrisque os dialogos no plano comércial, economico e de negocios. A postura de Obama, mesmo com um novo governo mais conservador no México, do recém eleito presidente Enrique Peña Nieto, é de estreitar as relações, usando dos mais diferentes meios possíveis.


A razão principal da imigração ilegal de mexicanos nos Estados Unidos pode ser definida aqui como a falta de oportunidades de emprego e dinheiro, certo? Se o México hoje anda mostrando ser uma economia mais robusta, não haverá necessidade de procurar emprego em qualquer outro lugar. Para o México é extremamente importante que os EUA sobrevivam a crise e voltem a ser uma economia pungente como antes, claro. Se o México produz uma série de produtos, a preferencia é a possibilidade de exportar para o vizinho, e assim sendo os EUA investirem no México ainda mais. E vice-versa. Isso não quer dizer que já não em andamento hoje acordos com o Oriente Médio e China, sim e isso é um dos maiores temores dos norte-americanos: perder um espaço cativo. A publicação 'Diplomatic Courier' em artigo ressalta: "Com a economia dos EUA se apresentando em um ritmo irregular, e ao mesmo tempo um crescimento na ênfase em exportações que agora ressurgiu, mas a maior parte gira em torno da Ásia. Isso é lamentável, porque o nosso vizinho ao sul, está discretamente posicionado para ser o próximo joia econômica de mercados emergentes."

Reflexos de uma bolha prestes a estourar no setor imobiliário e de negócios, além do enfraquecimento dos PIB fazem da China bem menos cheio da bola. As previsões do FMI, é que ela deva crescer algo em torno de 7% para baixo. Bem longe do impulso que deu anos atrás. Isso não é um indicativo pleno se não mostrasse outra coisa, a expectativa do mercado no gigante asiático. E o Brasil? Promessas foram despejadas durante duas anos atrás. Hoje elas podem ser vistas como a maré. Chegou até onde pode e anda voltando, para as profundezas do oceano. Uma indústria frágil, tributação excessiva, poucas reformas e o peso excessivo da máquina governamental fazem das promessas feitas sobre o Brasil soarem perfeitas para uma bossa nova ao fundo: melancólica e que deixa saudades. De acordo com um relatório Nomura Equity Research, o México, na próxima década vai superar Brasil e ser a maior economia da América Latina. Ao ser comparado em uma base de PIB per capita, o México passa a ser menos desenvolvida do que Argentina, Chile e Brasil. Pode soar negativo, mas isso deve ser música para os ouvidos dos investidores: quanto mais recuperar o atraso para o México, isso significa mais investimento e atividade empresarial. O que no fim das contas é apenas que a economia deverá se dar bem. Não diz por quanto tempo, da mesma forma que os mesmos citados Brasil e China se deram bem nos últimos anos e não souberam aproveitar por completo a bonança.

Nas relações entre ambos, a economia do México é altamente ligada com a americana. Cerca de 80% das exportações hoje são para a terra do Tio Sam e algo próximo de 50% das importações são a partir de custos de fabricação dos EUA que para o México se comparadas com os custos da China por exemplo, são mais vantajosas. Outro dado, é que há dez anos, os custos trabalhistas na China eram quatro vezes mais barato do que os no México, mas com os salários trabalhistas na China inflando, o México agora tem uma vantagem comparativa, ainda mais devido a sua proximidade com os Estados Unidos. Ao invés de utilizarem a carga marítima optando pelo transporte percorrendo todo o Pacífico que pode sair mais caro e difícil, quando podem estar usando cargas de caminhões do norte do México e entregando para Wisconsin, em questão de dias.

Fica a pergunta se os Estados Unidos vão continuar fechando as fronteiras ou construindo barreiras com cercas elétricas dificultando as trocas de mercadorias entre os dois países. Felizmente, o NAFTA (North American Free Trade Agreement, o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) já está em vigor, agora aguardando posições mais enérgicas de EUA e Canadá a respeito da redução de burocracia para simplificar o movimento comercial entre eles.

Passos sim, já podem ser vistos. Li no 'International New York Times', que investidores estão colocando dinheiro em um projeto que promete criar uma ponte que ligue a cidade de San Diego, com o aeroporto de Tijuana. A intenção de interligar um aeroporto (o de San Diego, na California), com o General Abelardo L. Rodríguez International Airport, em Tijuana. Muitos que vivem em San Diego, já utilizam do aeroporto em Tijuana para economizar. Se do lado mexicano, as liberações necessárias para as obras saem rapidamente, as do lado americano emperram devido ao congresso. O projeto que custou 90 milhões de dolares parece finalmente ter saido do papel, mostrando a disposição em atingirem acordos para interligar os dois tão conflituosos países.



domingo, 26 de janeiro de 2014

Sinto que eu errei nessa manhã.



Pretendo ser mais prático e suficientemente consciente das coisas de que fazemos durante a vida. Ok, mas há nessas tentativas a certeza de que somos incapazes de sermos emotivos e racionais numa medida equilibrada. Morremos sem durante a vida nesse ou naquele exato momento saber a exata medida do copo. Se estava cheio ou se estava vazio. Se parecia, mas não era. Os apertos no coração pelos erros que nos assombram. Pelo tempo que parecia nos permitir viver mais. Se vivemos demais e exageramos, pelo menos vivemos. Sim, mas não por muito tempo. O fim sempre está próximo do começo mesmo nós não nos percebendo disso.




Sinto um vazio. Por mais que eu conhecesse o terreno, o termo e o tempo, tudo que eu fui saber depois é que eu não tinha noção do que eu dizia. Era tudo tão prático. Gastamos nossos dinheiros cheios de felicidades momentâneas, e quando vemos eram felicidades de duração pífia e mínima. Me consumiu e me abateu como um açougueiro com a carne processada, trazida em caminhões de frigoríficos. Quando o som do martelo, da cutela correndo do braço forte do açougueiro encontrando na carne produzindo um som, uma marca no pedaço do boi e um belo bife servido a mesa nos fins de semana. Era um fim, era conhecido. Estávamos despreparados. Porque fomos tolos e inocentes. Só queríamos ver no que dava.

Quanta presunção. Achar que isso não teria sentido algum. Eu senti bem agora o que eu fiz. Ninguém nunca diria o que teria de ser feito. Eu apenas não fiz. Só não sei porque o meu erro me levou a pensar que eu saberia como preveni-lo. Simplesmente não havia. Era tarde demais. A certeza de que eu estava bem e de que mundos não teriam como me fazer cair e tropeçar. Nem Deus, nem o diabo e nem mesmo a morte. Tudo tão ousado e nem um pouco preparado. Patético, fui descobrir que errei e que errar é humano. Só não é certo que eu não vou errar de novo. O golpe atordoante que sinto só me faz estar zonzo, inebriado e pouco certo se eu tenho jeito. Vamos fazer assim, daqui 10 anos, em 2024, se eu João Henrique estiver vivo poderei ler isso e dizer. Consegui dinheiro para o que eu queria, consegui aquele trabalho e namoradas?

Um adendo qualquer não teria mais importância. Poucos se importam de verdade. Apenas olham e riem. Dão boas vindas e sentem que tiveram grandes experiências. Os bons modos só trouxeram uma etiqueta fraudada. Desqualificada e agora, vai responder as acusações de ter sido pouco atento? Talvez eu precise pensar melhor. Respira melhor. Pensa age agora. Desse instante em diante aprendemos que fomos longe demais e descobrimos pelo menos, por termos tido a oportunidade dada por nos mesmos, de descobrir o que tinha lá longe demais onde muitos pensam duas vezes antes de ir. Eu vi...



...Que o fracasso agora tem um rosto igual de sempre. Não era muito estranho pra mim que já o conhecia de outros más dias. Era um rosto que te faz desacreditar na vida. Um rosto tão cheio e parecido como um pesadelo tremendo que tivemos numa noite qualquer de verão, suando acordado. Vimos (ou melhor, vi, porque nenhum dos que lê isso daqui viu o que eu vi) que não era tão simples assim. Que não era tão glamouroso e grandiloquente nossos sonhos. Que eles teriam de ser reeducados para uma compreensão melhor da vida que teremos. Grandes coisas podem acontecer. Poderemos ser deuses, reis e jogadores de curling, nada pode nos deter. Só tenho que apreender que o que a voz da consciência diz é que temos que nos sentirmos menos e insignificantes até lá. Não reis e deuses sem termos as portas dos céus e do universo. Sem os sapatos de ouro calçado nos pés somos baratas. Isso se quisermos isso mesmo. Podemos nos contentar em comer hot dogs num beco perdido de uma cidade qualquer desse país.  




domingo, 29 de dezembro de 2013

As cinco versões de 'Afterlife' em videoclipes...

Win Butler comandando a festa.


A bombada faixa do novo disco dos canadenses e cada vez mais haitianos do Arcade Fire, "Afterlife" de versos lindos como esses: "Afterlife, oh, my God, what an awful word. After all the breath and the dirt and the fires are burnt. And after all this time, and after all the ambulances go. And after all the hangers-on are done hanging in the dead light", foi uma das melhores faixas de 2013, se não a melhor.

Para tanto fizeram não só um video mais 3 clipes. E como a faixa é linda, tem versões ao vivo em programas de auditorio dos EUA que ficaram bem legais.

Seguem os videos:

5 - Versão Oficial da música, criada pelo The Creators Project e dirigida por Emily Kai Bock.




4 -  Primeiro video divulgado, as cenas foram estraidas do filme franco-brasileiro Orfeu Negro (1969), dirigido por Marcel Camus.





3 - A canção interpretada no programa britânico The Graham Norton Show no final de novembro.





2 -  Ela agora interpretada no programa badalado Saturday Night Live.




1 -  A faixa Afterlife numa deslumbrante versão dirigida por Spike Jonze na abertura do primeiro YouTube Music Awards há dois meses atrás. Interpretada pela atriz Greta Gerwig (Frances Ha), o resultado tudo gravado ao vivo é lindo. 


Thats it.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Lily Allen e sua mensagem ao mundo machista.

Pronta para provocar: Aquela velha Lily, agora mais rechonchuda e mais feroz nas letras.
Sumida da música por quase quatro anos, a inglesa polemica e gata Lily Allen volta as paradas. Ela que pretende lançar novo album ano que vem já liberou o seu novo single, "Hard Out Here", uma canção genuinamente pop nas batidas e no som, que faz uma espécie de satira com o mundo musical pop dos dias de hoje (Miley Cyrus, Rihanna, Beyoncé e por ai vai...) que vende o sexo dentro do seus repertórios. A letra do single é bem legal: "If I tell you about my sex life. You call me a slut. Them boys be talking 'bout their bitches. No one's making a fuss. There's a glass ceiling to break. Uh hu, there's money to make. And now it's time to speed it up. 'Cause I can't move at this pace." O resultado é bastante interessante, apesar de ter achado a cantora bem rechonchuda para meu gosto. As pernas aumentaram e já não é mais aquela Lily esmirrada. Parece que devido a gravidez ela tenha ficado assim, não sei. O fato é que sua música continua interessante. Vamos ver o que mais ela tem a mostrar.




* A moça participou de uma apresentação no London Eye mês passado numa promoção da marca de energéticos Red Bull. Enquanto não retorna aos palcos, a inglesinha faz a festa (literalmente) dando uma de DJ. hehe




Tin-tin.


2013 O ANO: Os 30 Melhores Álbuns do Ano

* O ano em retrospectiva para esse ouvinte compulsivo de discos sejam eles em vinil, CD's e em streaming.

O ano acabou e como sabemos 2013 foi para a música aquele ano que parece que tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo. Da hibernação de grandes nomes da música (David Bowie), a lançamentos de grandes bandas sem o menos alarde (The Strokes), contrastando com lançamentos de grandes bandas com o maior alarde (Arcade Fire). 

Se fizessemos uma playlist só das coisas lançadas nesse ano teriamos uma profusão de canções que sempre serão lembradas por nossos filhos e netos e não custa lembrar que bandas que darão o que falar daqui a alguns anos lançaram seus primeiros albuns nesse ano. Exemplos que se expremem numa profusão sem tamanho. (Peace, Haim, Savages, Parquet Courts, Jake Bugg, Lorde, Palma Violets, Kurt Ville, por ai vai).

Não serei justo com essa lista. E nem tem como o ser. 2013 foi daqueles anos que 30 ainda é pouco. O correto seriam 200 albuns, mas soaria cansativo. Não é exagero meu. Esse ano grandes produtores voltaram fizeram novas coisas com grandes e novos artistas. Não vou encher a bola de 2013, já enchi demais. Seguem os 30 albuns que considero na minha opinião serem albuns memoraveis daqui para frente. 

30 - Primal Scream - 'More Light'


29 - Kurt Vile - 'Wakin In A Pretty Daze'


28 - Cults - 'Static'


27 - Yeah Yeah Yeahs – 'Mosquito'


26 - Neko Case – The Worse Things Get, The Harder I Fight, The Harder I Fight, The More I Love You


25 - James Blake - 'Overgrown'


24 - Suede - 'Bloodsports'


23 - Savages – 'Silence Yourself'


22 - Parquet Courts - 'Light Up Gold'


21 - Palma Violets – '180'


20 - Peace - 'In Love'


19 - Nine Inch Nails - 'Hesitation Marks'


18 - MIA – 'Matangi'


17 - Blood Orange - 'Cupid Deluxe'


16 - The Strokes - 'Comedown Machine'


15 - Queens Of The Stone Age – '...Like Clockwork'


14 - Daft Punk – 'Random Access Memories'


13 - Kanye West - 'Yeezus'


12 - Franz Ferdinand - 'Right Thoughts, Right Words, Right Action'


11 - Haim - 'Days Are Gone'


10 - Foals - 'Holy Fire'


9 -   Phoenix - 'Bankrupt!'


8 -   Paul McCartney- 'New'


7 -   The National - 'Trouble Will Find Me'


6 -   David Bowie - 'The Next Day'


5 -   Disclosure - 'Settle'


4 -   Lorde - 'Pure Heroine'


3 -   Arctic Monkeys - 'AM'


2 -   Vampire Weekend - 'Modern Vampires Of The City'


1 -   Arcade Fire - 'Reflektor'



Esse post terá uma atualização nas próximas horas com meus comentários para cada album...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Refletindo um novo som épico. Arcade Fire atrás da batida perfeita.

* O som dançante vindo das festas do Haiti


O carnaval que influenciou o som da banda canadense.

A hipnótica banda de Montreal se distancia das inspirações que os conduziram até aqui e fazem sua obra máxima indo até as raízes da música caribenha. Win Butler, Regine Chassagne, William Butler (irmão de Win), Sarah Neufeld, Richard Parry, Jeremy Gara, Tim Kingsbury, Howard Bilerman, Brendan Reed, Tim Kyle. Sim todos são integrantes do Arcade Fire. Uma das bandas mais incríveis da música hoje.

A música é algo que se transmite e que variando de culturas diferentes possui sentimentos e significados variados. Faz parte de uma mensagem, de um significado para todos numa comunidade. Na concepção dos integrantes do Arcade Fire, a música transcende pré-concepções e simulacros. Pertence a ideia geral que conduz o que a música pode significar para nós enquanto seres espirituais, que sofrem, que amam e se alegra. Talvez uma das suas maiores virtudes seja esse caráter único que se vê em suas composições e versos das canções. Adicionando a isso a forma apoteótica que torna suas canções lindas e majestosas. O que eles trazem agora nesse quarto disco bebe da fonte da cultura haitiana e caribenha, uma cultura que se aproxima do que a música produz nos nossos espíritos e de que forma ela nos atinge. Influenciada pelo som dos RAM, um grupo musical criado por compositor e músico Richard A. Morse (de onde deriva as iniciais), famoso no Haiti que une o rock'n'roll moderno, com instrumentos de vodoo, como rara e petwo, eles se inspiraram para fazerem o som que pode ser notado em faixas como "Here Comes The Night Time" e "Reflektor".  

Isso tudo ocorreu em 2010, quando cada membro da banda experimentou o poder da música para os haitianos e como isso está presente no cotidiano e em suas vidas. Eles estiveram no Haiti no período de karnaval, uma celebração carnavalesca das ilhas, onde as pessoas se vestiam com roupas repletas de alegorias diferentes. "É 10 vezes mais elaborado que qualquer show de rock que eu já estive um dia", disse Win Butler para a NME, "e são só pessoas com papelão, um pouco de tinta e algumas flores feitas de papel maché e conduzindo isso ao extremo, num show visceral". 

O quarto álbum da banda foi descrito pela mesma New Musical Express como uma mistura de influencia que vão de The Cure, Michael Jackson, Talking Heads e The Clash. Ao contrário dos discos anteriores da banda, ("Funeral", "Neon Bible", e o premiado "The Suburbs"), "Reflektor" não possui uma unica concepção narrativa, diferente de "Suburbs" que ganhou vida quando Win viu uma foto de um amigo de infância com uma criança nos ombros no bairro onde viviam. Aqui só os ritmos jamaicanos e haitianos se sobressaem. O disco acabou se tornando duplo, com canções de oito minutos. Tecnicamente, eles tinham a intenção de gravar tudo em um único disco, mas Will diz que eles estavam temerosos de que o disco soaria "pesado demais". "Houve uma conversa para fazer um álbum curto com uma temática realmente bem substancial, como o "Remain In Light", do Talking Heads", ele disse. "Nós até brincamos com a ideia de fazer um "Sandinista!" ou um "White Album", completa.

Qual o lugar da banda no Rock nos dias de hoje? Win Butler, confrontado quando citam o verso de "Normal Person", quando ele antes de começar a canção ele comenta para a platéia num tom de voz bêbado e exausto: "Do you like rock'n'roll music? Because I don't know if i do", o que é o rock para ele nos dias de hoje? Ele responde: "Eu achei engraçado, começar uma canção de rádio com isso",  e continua: "Há muita visceral simplicidade na música de rock'n roll, mas ha tempos o "roll" se perdeu. Nós estamos tentando manter isso (na expressão)". A banda é vista por muitos como indie e esquisita por muitos meios de midia ainda, mesmo tendo alcançado o mainstream com o Grammy pelo disco "The Suburbs". Muitos o consideram uma banda de rock fraca. "Nós somos uma banda esquisita muito nesse contexto mainstream, um pouco como uma ovelha negra, entende?", desabafa Win sobre o lugar que reservam para a banda até mesmo na hora de tocar nas rádios como veio a reclamar da BBC Radio 1, que na Inglaterra não tocaram "Reflektor".



Após uma massiva propaganda espalhando símbolos de inspiração haitiana em diversos lugares do mundo, eles fizeram dois shows secretos em Montreal no clube Salsatheque no começo de setembro, se auto denominando The Reflektors. Eles alertaram para que todos viessem fantasiados. Para que fossem "parte das performances da banda", para que pudesse haver uma interação entre a banda e o publico. 

"Reflektor" foi produzido pelo bamba James Murphy (ex-LCD Soundsystem) nas gravações feitas no estúdio Electric Lady em Nova York. Antes houveram gravações feitas pela banda na Jamaica, num castelo chamado Trident Castle, onde o produtor Markus Dravs conduziu as performances ali feitas, no clima da experiencia que tiveram no karnaval. Dravs já havia trabalhado com eles em "Neon Bible" e "The Suburbs". Todos os produtores que auxiliaram a banda concordam com uma coisa em comum: todos citam o perfeccionismo de Win Butler e da banda em criar um trabalho único. "Para eles, só está terminado até o momento em que o disco chegar nas lojas", James Murphy disse a NME. Enquanto isso, toda a dedicação faz produtores dizerem que eles seguem uma "metodologia U2" para finalizar um álbum. Não estão tão preocupados com tempo ou dinheiro, e sim com o que o disco tem a dizer."

De longe uma obra prima da banda, que despeja aqui influencias que vão do mito de Orfeu e Eurídice (da arte conceptual da capa do disco, às letras e canções do disco, principalmente no segundo disco), aos ritmos dançantes e contagiantes trazidos do Haiti e Jamaica. O Arcade Fire vai além e traz um trabalho mais humano, do que jamais eles haviam trazido até então. Os discos anteriores todos brilhantes e extremamente bem feitos só fez aqui esse disco ser tão aguardado. E justamente por esse motivo tão esmiuçado provocando algumas criticas a esse trabalho. Em 2007, como lembra a NME, a critica musical do The New Yorker Sasha Frere-Jones se queixou de que "se a banda trazia traços de influencias de soul, blues, reggae ou funk só poderia ser filosofico, porque não poderia ser ouvido", sempre ouve a preocupação de trazer ritmos que pudessem ser tocados pelo mundo e que sonoramente fosse curtido em diferentes culturas.

A faixa-titulo que abre o disco é uma alegoria que representa bem o que eles acham do mundo hoje em dia, onde não se observa o que está bem diante dos nossos olhos. "Now, the signals we send. Are deflected again. We’re still connected. But are we even friends?", canta Win Butler. "I thought I found the connector. It’s just a reflektor (it’s just a reflektor, just a reflektor)". As faixas que no total somam treze faixas, cujas as sete primeiras faixas formam o primeiro disco e as seis restantes o segundo disco que focam na ideia de vida e morte, tão presente no mito de Orfeu e a faixa "Porno", uma das melhores do disco. "We Exist", parece querer chamar atenção para alguma dificuldade de se enxergar o outro. "Walking around. Head full of sound. Acting like. We don't exist.Walk in a room. Stare after you. Talking like. We don't exist", diz Win que tem baixos bem presentes. Reggae aqui e acolá. As faixas seguintes, "Flashbulb Eyes", "Here Comes The Night Time", "Normal Person" e "You Already Know" tem essa pega dançante pop carnavalesca e deliciosa. Ritmos africanos, pega dançante anos setenta talvez. Um primor. "Joan Of Arc" é uma balada que traz uma atmosfera com batidas e swing dançante. "Now they tell you that you're their museYeah, they're so inspired. But where were they when they called your name. And they lit the fire?"

A segunda parte do disco começa com sussurros de "Here Comes The Night Time II", uma transição do lado dançante para o lado sombrio e épico. Que trazem as românticas "Awful Sound (Oh Eurydice)" e "It's Never Over (Oh Orpheus)". "Porno", uma das mais brilhantes músicas da banda (e olha que não é facil dizer isso de uma música só) fala da falta de sentimentos humanos num mundo tomado pelo individualismo e indiferença alheia. O pornô superior ao sexo, por exemplo. "And all your make up. Just take it all off. I've got to find you. Before the line is lost. I know I hurt you. I won't deny it. When I reach for you. You say, "I'm over it. "But I know.", canta um Win Butler sussurrando como se estivesse sem folego muitas vezes.

A majestosa e melhor faixa do disco, "Afterlife", é uma sintese talvez do que o proprio disco quer tratar. Até onde vai o amor quando ele morre?, se pergunta a música ao tentar se aproximar do momento em que alguém parte, o que resta? As relações humanas esticadas e colocadas sob os nossos olhos parece ser o que a banda quer, e consegue exito ao fazer isso com tamanha beleza e encanto. "Afterlife, oh, my God, what an awful word. After all the breath and the dirt and the fires are burnt. And after all this time, and after all the ambulances go. And after all the hangers on are done hanging in the dead light. Of the afterglow.", diz Win que grita: "I've gotta know. Can we work it out? We scream and shout 'till we work it out. Can we just work it out? Scream and shout 'till we work it out? 'till we work it out, 'till we work it out.". Linda, sem mais. E o disco termina com a incrivel "Supersymmetry", com ecos de que o fim é só o começo se formos fortes o bastante, e reagirmos as reações do corpo.

Repleto de momentos apoteóticos, "Reflektor" é a melhor coisa feita nesse ano, e olha que isso é na minha opinião pois esse foi um ano em que muitos artistas lançaram novos materiais. O próprio David Bowie que surge ao fundo em "Reflektor", a faixa titulo do disco dos canadenses, lançou o excelente "The Next Day". Não consigo não me emocionar com discos do Arcade Fire, sempre tão impecáveis. Esse não fugiu a regra e por momentos se supera a tudo que fizeram até aqui. Bravo!




  
E um visual dançante e embalado em ritmos africanos. Sons cada vez melhores.