sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Historias de 2017. Contos sobre as séries que marcaram o ano.

Hora de ligar a TV.


* A TV brilha e transcende no ano que passou trazendo histórias que abre os nossos olhos para o surreal, o inacreditável, o vibrante e nos engaja de formas como nunca antes em causas atuais.

Last Week with John Oliver é de longe o melhor programa de noticias da televisão. 


Violência contra mulheres. Guerra de dragões no gelo. Aias de vermelho em um futuro distópico. Um buraco aberto libertando monstros em uma cidade americana. Uma outra cidade americana que retorna aos perigos como nunca antes desde a morte de uma moça de nome Laura. O fim do mundo na Austrália. Tantas histórias fizeram de 2017 um daqueles anos que foi dificil acompanhar tudo o que aconteceu na televisão e cada uma delas significou memorias eternizadas em cenas absurdamente bem feitas. Um flashback corre em nossas mentes com as muitas imagens impressas por cores, fotografias, atuações brilhantes, direção, figurino, aliados a roteiros instigantes e profundos.

Os mais brilhantes roteiristas e criadores vieram no ano passado com projetos bem interessantes para a telinha. Paolo Sorrentino (The Young Pope), Jean-Marc Valleé (Big Little Lies), David Lynch (Twin Peaks: The Return), Damon Lindelof (The Leftovers), David Simon (The Deuce), Gus Van Sant (When We Rise) e por ai vai. O nivel técnico das produções audiovisuais televisivas nesse ano foi absurdo. Isso representa uma alteração na percepção até mesmo de atores do primeiro escalão do cinema (Gael Garcia Bernal, Nicole Kidman, Ewan McGregor, etc) que entendem que a TV está mais provocativa e intensamente interessante que o proprio cinema.

Os melhores trabalhos na tela da TV não poderia ficar em somente dez, dada a infinita quantidade de boas produções, por isso segue os quinze melhores. E sem ordem porque todos aqui são o número um, os melhores.





The Young Pope (HBO, no Brasil pela FOX Premium)

Jude Law incorpora o melhor trabalho de sua carreira. Sarcástico, inquieto e impiedoso as vezes. Belardo se torna, após uma intervenção divina, no papa Pio XIII e traz a sua visão nada ortodoxa para uma igreja Catolica em frangalhos. Suas atitudes despertam reações inesperadas nas pessoas. A fotografia, a trilha sonora, a direção. Tudo funciona de forma brilhante. Paolo Sorrentino (vencedor do Oscar por 'A Grande Beleza') é o criador dessa obra-prima.


Big Little Lies (HBO)

No começo com todos os personagens dessa série em salas de interrogação fica evidente que ocorreu um crime. Mas qual seria esse? O diretor e criador da série Jean-Marc Valleé forma uma teia absurda em torno de relacionamentos entre casais e suas amizades, tudo ao redor de uma escola primária. O crime em si se revela somente no último episodio e é chocante. Com atuações fenomenais de Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Shailene Woodley e Laura Dern. Imperdivel.


The Good Place (Netflix)

E se você fosse uma péssima pessoa na Terra e mesmo assim por um acaso morresse e fosse para o céu? Bem, o plot dessa comédia do mesmo criador de Parks and Recreation transcorre o tempo onde os quatro individuos que morreram se dão conta que estão na realidade no céu. Será mesmo que estão? Ted Danson reprisa um papel que particularmente me remete muito ao seu antigo papel na série 'Bored to Death' da HBO. Impossivel largar a série. Queremos muito uma Janet ao nosso redor.


Master of None - temporada 2 (Netflix)

Aziz Ansari imcorpora um dos talentos mais notáveis da televisão em 2018. Se a primeira temporada foi ótima, essa segunda vai muito além e forma laços com personagens muito bem criados, em tramas que deixa no ar referencias ao cinema italiano dos idos anos 60, 70. As cenas com o garoto italiano em preto e branco é de levantar do sofá e ovacionar de pé. Bravo.


Legion (FX)

Noah Hawley emplaca duas das melhores séries de 2018 (a outra é a terceira parte da antologia 'Fargo'). Sua mente brilhante se vê diante de um desafio: adaptar a absurda HQ dos X-Men e transformar em uma série que emplacasse. O resultado visto é semelhante ao de tomar um alucinogeno e embarcar na mente de David Haller, o personagem principal. Agil, intrigante, muito belo visualmente. Legion abraça o espirito da HQ dos X-Men de mesmo nome e a criatividade do roteiro de Hawley.

Twin Peaks: THE RETURN (Showtime)

 A morte de Laura Palmer gerou muito barulho nas temporadas passadas, bem passadas lá nos anos 90. Agora, o gênial David Lynch teve uma grande ideia: trazer o criador da série original Mark Frost para ir além daquele material do passado e nos destruir a cabeça com uma trama que explora o surreal e o intangível. Os sons, as cenas, as formas, as cores, o sangue todo, a trilha sonora em um bar ao vivo. Tudo vai além de nossas compreensões e por isso explode as nossas cabeças.


Godless (Netflix)

O roteirista de grandes filmes como Minority Report (2002), Logan (2017), O Nome do Jogo (1995) Scott Frank, cria com a produção de Steven Sordebergh uma minissérie de western que busca referências aonde você puder imaginar. Em personagens cativantes, vamos pouco a pouco caindo dentro de reviravoltas intensas, cenas de ação de parar a respiração e nos conduz a um encantamento por vezes dificil de controlar. Jeff Daniels como o vilão sem braço foi sem duvida o melhor vilão. Temos um medo real por ele.


Sneaky Pete (Amazon Prime Video)

Uma das melhores séries do ano que quase ninguém viu. Produzida, criada e estrelada por Bryan Cranston junto de David Shore, o criador de House, o show ganhará uma segunda temporada pela Amazon e merecidamente. Trambiques, mentiras, traições. Cranston mostra o seu lado mais intenso com uma atuação brilhante, sendo ele apenas um coadjuvante. Giovanni Ribisi aqui é um monstro de ator. Ele é Marius Josipovic, mas se passa por Pete, um amigo seu dos seus tempos de cadeia, conhecendo toda a familia de Pete que não o via a tempo. Genial.


The Deuce (HBO)

Depois que The Wire (2002-2008) mostrou uma Baltimore contaminada por seus vicios e pecados, em meio a temporadas atrás de temporadas que desafiavam o olhar do espectador para observar o mundo ao redor, David Simon e George Pelecanos retorna propondo o mesmo em uma Nova York dos 70 em meio a prostitutas, sexo em cinemas, filmes pornô. James Franco (em dois personagens) e Maggie Gyllenhaal arrasam, e o figurino e ambientação dos anos 70 é de encher os olhos.


The Handmaid's Tale (Hulu)

O mundo cada vez mais sombrio. Mulheres passam a ser subjulgadas e mal tratadas em publico. Até chegarmos a um ponto onde elas ou morrem ou se tornam serventes. As aias são mulheres vestidas de vermelho com um capuz cobrindo os cabelos e que somente servem para a procriação. Na adaptação da obra de Margaret Atwood para a televisão temos a mais delirante e espetacular série do ano. Pela trilha sonora moderna sob cenas aterrotizantes. Elizabeth Moss faz uma personagem que marca a sua carreira. E sem duvidas fica marcado em nossas mentes o poder da liberdade em tempos onde o medo impera.


Patriot (Amazon Prime Video)

Roteirista de cinema, Steve Conrad cria uma série unica a sua propria maneira. Em "Patriot" temos uma comédia dramática que nos abre uma visão leve e bem humorada sobre espionagem, interesses governamentais e muitas boas sacadas. Michael Dorman faz John, um cara que apresenta canções folk cujas letras falam sobre tudo aquilo de bobagem que o seu país faz e que ele tenta ao máximo concertar. Um clima soturno mas uma boa surpresa do ano. Outra série que merecia mais atenção, do que a que foi dada.


American Vandal (Netflix)

Aparentemente temos um 'mockumentary' sobre um criminoso de uma escola dos EUA que desenha diversas imagens de pintos em todos os carros do estacionamento. Quem seria o culpado? Obviamente, o único cara de toda a escola que desenha pintos na lousa todos os dias e importuna professores correquiramente. Bobo, com uma história ridicula mas que se torna uma das melhores séries do ano justamente por ser extremamente divertido.



Baskets - temporada 2 (FX, no Brasil pela FOX Premium)

O que mais me encanta em "Baskets" é o quão tudo é singelo. Seu modo de lidar com problemas corriqueiros e sob personagens bobos e honestos. O ator Louie Anderson como a mamãe Baskets nos enche de alegria. Zach Galifianakis sempre incrivel nessa série. Além da atriz Martha Kelly que faz a personagem Martha. Impossivel não se envolver com toda a história.



The Leftovers - temporada 3 (HBO)

O que o mundo ao redor significa para nós quando tudo está prestes a ter o seu fim? Criada por Damon Lindelof e pelo escritor do livro que deu origem a história Tom Perrotta, a série mergulha em cenas absurdamente espetaculares. Como em um retrato sobre o medo do fim de tudo, Kevin Garvey (Justin Theroux) e Nora Durst (Carrie Coon) vão para a Australia tentar impedir o fim do mundo. Uma obra prima da televisão que se despede na terceira temporada.



Mindhunter (Netflix)

A cabeça de psicopatas dissecada. David Fincher cria uma história baseada no livro que dá nome a série e faz um road movie com dois policiais do FBI indo de cidade a cidade para entrevistar psicopatas e entender as suas mentes, suas motivações e os seus desejos. Os atores são ótimos, o roteiro maravilhoso, onde a mente dos proprios policias lutam para manter suas sanidades intactas.



Claro que teria que fazer menção honrrosa a uma série que não coube aqui nessas quinze escolhas, dentre elas a incrivel 'Fargo' (FX), terceira temporada com Ewan McGregor e Carrie Coon.

Os Stussy tem que morrer. Mais uma sensacional temporada de Fargo, criada por Noah Hawley (FX). 


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Historias de 2017. Contos sobre os filmes que fizeram o ano.


Logan (dir. James Mangold) não entra na lista porque foram somente dez filmes que selecionei, mas é um filme inesquecivel e merece menção honrrosa na foto do post. 


O ano que se foi deixou um legado de filmes autorais cada vez mais autênticos. Em outros anos a quantidade foi menor, ou pelo menos a impressão deixada fosse essa. O mundo mudou muito desde aquele ano de 2016 onde muitos condenaram a falta de negros e gays entre os indicados ao Oscar. Em 2017, Moonlight, de Barry Jenkins levou a estatueta de melhor filme... Ou quase já que devido a uma gafe homérica, os realizadores do Oscar entregaram os envelopes errados nas mãos de Warren Betty e Faye Dunaway, que desconcertados foram corrigidos pelo diretor de La La Land, filme anunciado pelo o par no palco ao vivo para milhões. Moonlight conta a história de um garoto em três épocas distintas, percorrendo sua história de vida e descobertas sexuais e pessoais.

Esse ano para o cinema pode ser dividido em filmes que contam a história de indivíduos em busca de uma saida de algo que os prende. Seja dentro da mente (Get Out), seja de uma força policial que aflige (Detroit), seja de uma praia em meio a bombardeios nazistas (Dunkirk). O medo percorre as histórias dos melhores filmes do ano. Talvez o medo do presente com um presidente como Donald Trump na Casa Branca ajude a compreender a angústia que se transmite nas telas. Em Okja, filme do sul coreano Bong Joon-ho temos o medo presente nos olhos de uma garota que vê o seu bicho, um gigante porco sendo preso e levado para o abate, onde a dona de grande conglomerado alimentício (interpretado brilhantemente pela atriz Tilda Swinton) deseja fabricar um produto com a carne dos muitos porcos gigantes assim como okja, o animal da garota. E esse medo chega até Asgard onde o Thor dos quadrinhos da Marvel vê o seu planeta invadido e subjugado por uma filha de seu pai e deusa da morte interpretada por Cate Blanchett. 

Se o cinema expressa sentimentos de nossas miseráveis vidas, por meio de histórias sobre vidas que percorrem surreais caminhos e nos leva a atentar para o passado e futuro com os olhos para o presente, significa que o trabalho do diretor e equipe técnica foi feita com esmero. O poder dos filmes é subestimado. Além de um entretenimento que nos leva a percorrer filas para a compra de bilhetes e pipocas, cada tela que se acende abre buracos misteriosos que podem carregar enormes reflexões sobre a nossa existência nessa vida, apaziguar corações que foram machucados ou feridos, dar impulso a realizar sonhos que a vida pode ter os desencorajados. Em 2017, filmes atrás de filmes tocaram pessoas mais fundo dentro delas e as mostrou que o medo não resiste a força que está dentro de cada um dos que se deixaram levar pelas histórias contadas nas telas, seja as do cinema ou as do Netflix.

Aqui vou colocar os filmes que eu vi nesse ano, com muitas ausencias devido a agenda dos filmes cujas estreias nos Estados Unidos deixa de fora o Brasil somente para uma estreia em 2018. Aqui coloco alguns filmes que fizeram a minha cabeça e entra em certo dez melhores do ano. Voilá...

  • Star Wars: The Last Jedi (Os Ultimos Jedi)

Rian Johnson fez bem mais do que mostrar o porque é um diretor que abraça os filmes com o desafio de os tornar algo maior do que a média. O seu Star Wars se torna um filme ousado, que mantém o clima dos antecessores, sem perder a ousadia de mudar toda a história. Carrie Fisher se despede do papel que a eternizou. Um filme memorável e emocionante. 

  • Detroit 

A história que ocorreu em 1967 em um hotel em Detroit em meio a uma rebelião racial que ocorreu por todo a cidade por cinco dias, chocou o mundo. Policiais invadiram o local e fizeram pessoas inocentes em reféns onde por um mal entendido, boa parte dos ocupantes do hotel foram assassinados. As familias desses ocupantes que eram negros nunca viram justiça, já que todos os policiais foram absolvidos. A diretora de Guerra ao Terror, Katheryn Bigelow vai fundo e cria uma obra muito bem filmada, com uma ótima trilha sonora. 

  • Get Out (Corra!)

Vibrante, assustador e dilacerante. A obra prima do estreante Jordan Peele nos pega desprevenidos a todo o momento. Com um humor que se mostra presente na capacidade de nos chocar com a critica social e no preconceito racial, o casal Chris e Rose são tudo aquilo que você não espera que seja, com frames e fotografias que nos traga para dentro de uma história surreal. Melhor filme de 2017, indiscutível. 

  • The Lost City of Z (A Cidade Perdida de Z)

Por dentro da ambição humana, vemos como o desejo de se tornar algo maior do que nós mesmo nos transforma em algo que nunca esperavámos ser. Nesse filme de James Gray somos levados para uma obra que apresenta as muitas épocas em que o explorador Major Percy Fawcett (Charlie Hunnam) viveu em busca de achar sua glória maior em meio a floresta amazônica. Visualmente o filme é um delirio e o roteiro busca uma profundidade de uma epopéia monumental, ao final sendo uma obra muito bem realizada com muitas intenções e dentre elas a maior parte realizada. Esplêndido. 

  • Baby Driver  

Edgar Wright conhece os meandros de um filme pop até a medula. Em 'Baby Driver', o diretor nos entrega uma trilha-sonora matadora, em um filme extremamente bem editado e com atores muito bem em cena. O timing do filme nos deixa sem ar, da mesma maneira como o motorista de nome Baby sabe sair bem das fugas nos assaltos que participa. 

  • Colossal 

Aqui está um filme que hesitei em colocar mas parece improvável deixar de lado uma obra que aparentemente é uma comédia sem nenhum trunfo, quando na realidade deixa em seu humor negro uma história que envolve uma moral bem contada e extremamente engraçada. Anne Hathaway entre uma de suas melhores performances e o diretor Nacho Vigalondo captura bem a mensagem do filme por meio das surreais aparições dos monstros.

  • Dunkirk 

Christopher Nolan mostra um filme que retrata a guerra sem uma mensagem de vencedores e perdedores, e onde não se vê  no horizonte nada além de sobrevivencia ao invés de vitoria. As cenas filmadas na praia deixam atônitos os mais profundos apaixonados por cinema. Em um ambiente cloustrofóbico, a trilha sonora que soa com tiques de um relógio e a determinação de simples individuos em busca de mostrar solidariedade humana torna o filme uma experiência transcedental.


  • The Square 

Um curador de um museu promove uma exposição sobre a indiferença humana entre os individuos de uma sociedade. O que ele não percebe é que a propria arte que ele conhece não retrata aquilo em que ele acredita. Em um misto de situações completamente absurdas vemos de propagandas com mensagens suspeitas a um ator imitando um simio e provocando as mais viscerais reações de uma platéia. O diretor Ruben Ostlund nos arranca uma das mais surreias experiências do ano no cinema.

  • The Discovery 

O que vem depois da morte? Uma pergunta respondida pelo diretor Charlie McDowell em The Discovery, um filme que conta a história de duas pessoas que se encontram acidentalmente e criam laços. Rooney Mara e Jason Segel criam atuações viscerais em um filme com uma boa história. 

  • Blade Runner 2049

Denis Villeneuve embarca em um desafio cinematografico muito maior do que qualquer outro já desafiado por um diretor de cinema depois dele: realizar uma boa continuação do classico filme de Ridley Scott (aqui como produtor) Blade Runner (1982) adaptação para o cinema da obra de Philip K. Dick. E o resultado é um filme tão imenso quanto. Tão forte quanto. Ryan Gosling agora é o policial e Harrison Ford mantem vivo o seu sarcasmo de antes. 2049 exagera na medida e é deslumbrante. Roger Deakins na fotografia tem o mérito todo.


Claro que tem mais filmes e esses aqui não é nem de longe o reflexo dos dez melhores, mas foram os que mais me impactaram e de certa forma foram os meus favoritos no ano (até o momento, já que devido a agenda de lançamentos no Brasil ainda não vi Call Me By Your Name, Darkest Hour, Three Billboards Outside, Ebbing, Missouri, Coco, entre outros).

Devo fazer uma lista dos filmes que mais gostei do Oscar que terá todos esses.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Histórias de 2017. Contos sobre os melhores discos, shows e histórias de vida.

*O mérito todo ainda é de Star Wars com um polêmico novo filme, um ano em que nos apaixonamos por Gal Gadot e vibramos com aias vestidas de vermelho. Claro que Kendrick Lamar reinou e me envolvi em viagens pela América Latina, fui em um baita show do Arcade Fire e tive esperanças de achar uma jóia rara que não existe afinal.

BBC foi com o U2 para o beco do Batman na Vila Madalena. 2017 QUE ANO.


Viver em 2017 foi descobrir a si mesmo de diversas formas e maneiras. A capacidade que temos de lidar com o mundo torna peculiar a nossa propria identidade. Ao invés de imaginar o ano nesse começo de texto sob os filmes, livros e canções que experimentei vou falar sobre o que eu fiz de grande nesse ano. Grandes coisas morrem junto de nós mesmos, exceto se elas falarem por si só. Um instante em que pude dizer 'gosto muito de você' encoberto na indiferença dos tempos em que vivemos seria um ato de grandeza. A paixão se perde na mensagem e vai parar no vacuo das horas de dias. Me apaixonei sim nesse ano, mas foi mais por coisas do que por pessoas, o que me passa a mensagem de que deixei de amar algo real. Duas coisas moldaram a grandeza desse ano para mim: a viagem monumental para Chile e Argentina e ir morar sozinho que vai ter um upgrade em 2018, mas fica aqui os passos iniciais neste ano.

Quando me perguntam como foi o meu ano, eu sei que foi de mudanças. Nessa toada toda sei que a arte em forma de expressão inquieta e indomável esteve presente em tudo aquilo que experimentei nesse ano. Agradeço a Deus por estar vivo em 2017 e ver um show ousado como o do Arcade Fire em São Paulo com a turnê do disco lançado esse ano, o opulente 'Everything Now'. Estive também no show do U2 com a turnê comemorativa dos 30 anos do album The Joshua Tree em que Daniel Lanois esteve no palco recebendo os aplausos merecidos por ser parte dessa obra em um concerto memorável.

Deus me abençoou com o sentimento de inquietação. Estive em uma profusão de necessidades diversas ao buscar ser um homem capaz de responder ao aflito sentimento de busca por experimentar o medo de viver pobre ou morrer sabendo que fez o que precisava. Nesse tempo o que eu fiz foi acordar e perder o ar de repente quando vi ao redor de mim um outro alguém incapaz de ser eu mesmo. Eu lutei contra isso e contra imagens. O que fiz foi criar o meu próprio modelo de pessoa nesse mundo.

Achar um consolo seria um caminho fácil se trouxesse respostas para dores da vida. A solidão tem resposta sobre isso. Ela diz que não somos mais como antes e joias raras nessa vida se escondem na necessidade pelas realizações de algo grandioso. Grande e memorável como os sonhos que ainda carrego das coisas que ainda não vivi. E que com certeza vou estar atrás em 2018.


... Estou perdendo a minha idade, mas eu estive em 2017 e ouvi muita música

Para variar ouvir música significou horas e horas e horas com os aplicativos do Apple Music, Spotify, TIDAL, BBC Radio Player, Popload Radio (Brazil, zil, zil) abertos e botando para quebrar. Ouvi muito mesmo, e em todos os possiveis e impossiveis lugares. No metrô, no ônibus, nas ruas brasileiras, chilenas, argentinas, paulistanas e seja lá onde estava: carregava a pulsação de uma criatividade incrível de produtores, mixadores, engenheiros de som, artistas, músicos.

Em James Murphy com o seu arrebatador retorno com o LCD Soundsystem testemunhamos a capacidade de render um clássico (mais um) mesmo depois da ressurreição da banda. E que retorno. American dream é uma ode sobre esses tempos. Em Kendrick Lamar e o seu DAMN. o sentimento foi de estupendo torpor com um som político, forte e outro clássico instantâneo desse ano. Assim como em St. Vincent que se veste de pop para proclamar um ato de bravura contra nós mesmos e nossos costumes. Na faixa 'New York', ela faz uma canção íntima e pessoal sobre amizades e perdas. Claro que Ryan Adams mostrou aqui quem faz canções sobre perdas e corações partidos de cair o queixo. No seu 'Prisoner', o artista norteamericano desnuda o medo da solidão com tanta intimidade que nos leva junto consigo. Assim como Father John Misty e o seu 'Pure Comedy' que desconstrói a América de Trump e a nossa sociedade como um todo.

Lamar mostra que é o maior artista dessa década com o seu DAMN.


Um som mais eletrônico, guitarras pesadas e um desejo de libertar-se de si mesmo. Em 'Sleep Well Beast', o The National ainda mantém a mesma sensibilidade nas composições e isso os faz uma banda mais completa com o tempo. Do outro lado do atlântico temos os franceses do Phoenix trazendo um disco novo caloroso como as ruas da Itália no verão. 'Ti Amo' é o sexto álbum da banda liderada pelo saltador de platéias Thomas Mars.

Se o ano de 2017 teve um álbum profundo e envolvente que tente chegar perto do novo do The War On Drugs, o grandioso 'A Deeper Understanding' vai ficar para trás. O vocalista Adam Granduciel, que ao vivo já causa, aqui nesse disco novo explora novos caminhos com melodias mais envolventes e melodias mais interessantes, como na dolorosa e estupenda 'Pain'. Um disco para guardar na parede.

A dupla mais gente boa do indie Kurt Ville e Courtney Barnett juntos fizeram um album genuino em muitos aspectos. 'Lotta Sea Lice' tem a assinatura dos dois, como se eles pudessem ter um filho juntos, unindo o que caracteriza bem o som de ambos, em um resultado bem mais do que satisfatório.

Na categoria sons que falam sobre amor perdido e um certo fim da inocência temos dois segundos álbuns de novos artistas de 2013 que estão de volta. Em 'Something to Tell You' das babies do HAIM e a mega super estrela Lorde com o seu 'Melodrama' trazem o que de melhor sabem explorar. As primeiras trazem aquela pegada Fleetwood Mac com baterias envolventes E a segunda bebendo de Phil Collins e Kate Nash. Dois discos tão dentro de si que fazem um dos mais belos registros da música feita neste ano, com um olhar no passado e caminhando no presente.

Babies HAIM de volta com o seu melhor trabalho em 2017.


Os irmãos Gallagher retornam em um duelo onde ambos saem muito bem em qualidade de seus respectivos álbuns. Liam Gallagher retorna com o seu primeiro album solo carregando boas composições e melodias que remetem ao seu tão amado Oasis. Já Noel Gallagher e o seu High Flying Birds mergulha no que ele próprio chama de um pop cósmico. 'Holy Mountain' e 'If Love is the Law' sem dúvidas já são uma das melhores coisas que o compositor da ex-banda de Manchester criou.

Bandas consagradas também conseguiram retornar a boa forma nesse ano. Neil Young trouxe dois novos trabalhos. Um antigo gravado nos anos 60 que ganhou a vida em 2017 ('Hitchhiker') e outro super recente com a sua banda Promise of the Real, 'The Visitor'. Robert Plant traz um dos seus melhores trabalhos de sua carreira com 'Carry Fire'. Assim como Morrissey que traz o seu 'Low in High School' com incríveis composições. Outro destaque vai para Thurston Moore que apresenta o seu 'Rock'n Roll Consciousness', que inclui uma faixa de somente 16 minutos que já é uma das melhores canções do ano.

O Arcade Fire que já virou banda consagrada retorna com o peso de discos extremamente consagrados com um disco ousado e completamente diferente do som anterior da banda. Em 'Everything Now', a banda traz reggae, sintetizadores absurdos e puro som vindo ali de ABBA e bandas dos anos 70 e 80. Uma deliciosa viagem por sentimentos humanos que se perdem com um mundo muito informado e acomodado com seu consumo que acaba perdendo a si mesmo.

Tudo Agora. Arcade Fire retorna em 2017 com o seu trabalho mais ambicioso. 


E claro teve U2 e o seu 'Songs of Experience' que tomou vida após anos em formação. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. desnudam temas como mortalidade, motivações na vida, amor e família em um disco muito poderoso e envolvente.

Queens of the Stone Age e Foo Fighters que farão uma tour pela América Latina em 2018 retornam com os melhores discos de suas carreiras em 2017. Os primeiros trazem o seu de inicio polêmico album com o renomado produtor e DJ Mark Ronson chamado 'Villains' que acabou carregando o espírito da banda, desde os seus primordios. E o segundo com o seu 'Concrete and Gold' volta às origens de seu passado mesclando um som mais rock como o que era feito nos anos 90 por eles proprios.

Top 5 - Albuns do ano
1 - Ryan Adams - Prisoner
2 - Arcade Fire - Everything Now
3 - St. Vincent - MASSEDUCTION
4 - Spoon - Hot Thoughts
5 - Phoenix - Ti Amo

Ryan Adams fez o melhor álbum de 2017 muito pela sua capacidade de saber destrinchar sentimentos. Em 'Prisoner' vemos um compositor exímio e consciente de sua genialidade em divagar sobre o que amar significa de uma forma clara e por vezes sem quaisquer filtros. Na faixa 'Haunted House', Adams nos permite observar atentamente cada detalhe do lugar deixado pela amada no espaço real ou metafórico do relacionamento entre eles. Em outra faixa, a grandiosa 'Outbound Train' temos Adams trazendo em sua letras a sua visão moldada sob guitarras bem construídas e que crescem a medida que forma uma certa urgência, ao passo em que a canção encaminha-se ao refrão. Impossível não imaginar o que significa um coração partido ao ouvir esse disco, um dos retratos mais íntimos já realizados por um artista.

O show do ano foi o do Arcade Fire com a turnê Infinite Content. Em São Paulo, a banda de Win Butler faz um dos mais empolgantes shows ao vivo já visto por esse interlocutor. O mundo anda de mal a pior com tanta informação que nos perdemos ao redor de pessoas que não conseguem nutrir discernimento com o que é real ou não. No trabalho da banda vemos sobretudo no recente disco lançado esse ano, o monumental e muito subestimado 'Everything Now' essas fissuras expostas onde as pessoas não conseguem amar, viver, compreender informações. Ao vivo, a banda em um dos raros momentos em que somente o Arcade Fire conseguiria tal proeza vemos pura energia saindo do palco, onde nas letras desse disco inspirado por Talking Heads, Abba e na melodia entoada pelo público ali presente no Anhembi entregou um dos mais honestos retratos da simbiose música e sua importância com a do transmissor da mensagem a banda ali em cima de um palco com telões gigantes e cordas percorrendo o palco como em um ringue de luta. A banda ainda no término desceu o palco e foi batucar com a escola de samba Acadêmicos de Tatuapé. Em pleno Anhembi. Que show.

E feliz 2018 para todos!


domingo, 19 de março de 2017

A fé em Deus testada por dois grandes diretores de cinema

Em 'Silence', o grande Martin Scorsese realiza um projeto ambicioso.

Em sua primeira série de TV, o italiano Paolo Sorrentino mostra a grande beleza da Igreja Catolica

Deus existe? A pergunta que norteia a humanidade desde que foi descoberta as escrituras sagradas e onde desta toda a existência humana baseou-se sob o prisma de que de fato Deus existe. Entretanto há uma comunicação direta como o Todo Poderoso? Como se daria esse contato direto? Em momentos que mais desejamos como clamar por essa visão? Muitos acreditam que a fé é testada sobre nós e que somente dessa forma Deus sabe distinguir os que crêem de verdade e de coração. Mas para as respostas humanas, no calor da vivência da carne pode parecer mais dificil de aceitar tal tarefa. Essa pergunta milenar está presente nas histórias contadas pelos provaveis dois maiores diretores de cinema vivos.

O primeiro é Martin Scorsese. Um dos maiores diretores do século XXI, que já tratou de religião em outros filmes, sobretudo em A Ultima Tentação de Cristo, de 1988, baseado no livro de Nikos Kazantzakis, traz a tona um projeto que levou décadas para finalmente ser realizado. Em 'Silencio', cujo filme foi baseado no livro de mesmo nome escrito por Shusaku Endo, a fé é testada nos limites mais profundos do ser humano em suportar a dor pela verdade, tal qual Cristo sofreu em nome da humanidade, como se mostra no Novo Testamento. O projeto que Scorsese mais tinha paixão se mostra agora concluida, uma obra muito bem filmada, com cenários incriveis. A fotografia de Rodrigo Prieto é um deslumbre, das cenas nas cruzes no mar ao modo como as cenas são levadas do alto nas escadas de igrejas, até aos momentos de tensão nos vilarejos.

Aqui Scorsese chama a atenção a um tema ocorrido no século 17, quando dois jesuitas portugueses (Adam Driver e Andrew Garfield) resolvem ir atrás do paradeiro do mestre (Liam Neeson) que não deu mais noticias após visitar um Japão sombrio sob uma lei que proibi com pena de morte a pratica do cristianismo. Ao se ver no fim do mundo, a fé é colocada a prova para os dois jesuitas. Largar a fé em Cristo passa a ser necessário para suas proprias sobrevivências, assim como para os proprios japoneses que seguem a religião proibida. A escolha pela morte por muitos que se recusam a pisar na imagem sagrada mostram o preço a se pagar pela fé no desconhecido, pelo preço de uma vida eterna.

Já o segundo diretor, Paolo Sorrentino, italiano, vencedor do Oscar por seu maginifico retrado da alta sociedade na delirante vida noturna de Roma, em A Grande Beleza, traz o seu ousado novo projeto. Em 'The Young Pope', Sorrentino filma imagens do Vaticano de tirar o fôlego, assim como injeta uma alta dose de cultura pop sob uma imagem tão pouca dissecada (tirando claro o otimo 'Habemus Papam', do diretor Nanni Moretti). O papa jovem é Jude Law que emprega uma baita interpretação no papel do soberano da Igreja Catolica Romana. Destaques no elenco aqui para Diane Keaton, Silvio Orlando e Scott Shepherd.

O mérito de The Young Pope é nos mostrar que nem mesmo o Papa está imune de uma imagem satirica. O modo como o cômico se mostra presente no secretario geral que é um enorme entusiasta do time do Napoli, até aos vicios maiores dissecados de forma contundente tais como o homossexualismo e a pedofilia. O papa aqui é o Pio XIII, que se mostra um Trump de batinas, fumante compulsivo, que adora Cherry Coke. Seu desprezo por tudo aquilo que deveria servir para unir a todos, se torna indiscutivel, sobretudo a forma como encara temas espinhosos como aborto, divorcio, etc. A crença em Deus é negada em seu intimo o que causa espanto nos clérigos ao seu redor (Como o Papa não crê em Deus?).

Seja no tom mais ameno da já obra prima de Sorrentino, para a obra pessoal de Scorsese, a fé aqui é o tema principal. Como lidar com as incerteza do mundo? O que fica é a certeza que crer é mais importante do que saber a verdade, porque afinal é o que nos resta enquanto seres mortais habitantes em um planeta no Universo vasto que paira sob algum lugar.


Um papa diabolico: Jude Law em um de seus melhores papéis da carreira.


sábado, 18 de março de 2017

Ryan Adams nos torna prisioneiros do amor

* Nenhum outro artista traduz tanta melancolia em canções tão profundas sobre o maior sentimento do ser humano: o amor.


Em casa. Ryan Adams mostra o que tem mais de intimo nele proprio em seu novo album 'Prisoner'

O garoto prodigio.

É raro para quem está descobrindo o artista nascido em Jacksonville, Carolina do Norte, dono de discos que já estão entre os mais vendidos e venerados por milhares de fãs, ter a capacidade de não se ver parado refletindo sobre a propria vida. As letras que carregam dramas e sentimentos profundos desarmam corações pesados e conquista um degrau junto de outros artistas que buscam a mesma sensação através da música, tais como Neil Young e Bruce Springsteen. Para entender o nascido David Ryan Adams, em 5 de Novembro de 1974, hoje com 42 anos de idade, é preciso entender a sua vida cheia de percalços. Na música se vê a propria redenção.

Em sua pré adolescencia, passava os fins de semana sozinho indo a um shopping onde havia uma loja de discos. "Embora fosse muito longe de casa..." admite, ele juntava o dinheiro do almoço durante semana (em torno de $ 1 dolar) para na sexta comprar um disco, se tudo desse certo e não fosse preciso gastar. Lá fez amizade com um funcionário da loja, chamado Jere Mcilwean. "Ele fazia de tudo para ser parecido com Mike Ness do Social Distortion", brinca. Com ele, confessa em uma entrevista a revista Rolling Stone australiana, teve muitas conversas sobre suas bandas prediletas Sonic Youth e Meat Puppets. O seu primeiro contato com uma guitarra foi na mesma época de adolescência em Jacksonville. Adams trocou o seu skate e mais $ 75 dolares por uma guitarra, uma Les Paul falsa, de um amigo do seu irmão Chris, embora confessa nunca ter dado os $ 75 dolares ("Não porque eu sou um bastardo, mas porque era pobre"). A paixão pelo instrumento veio de forma inesperada e gradual. "Eu lembro de ter pensado, deve ter algo de errado com essa coisa, porque não soa como deveria aparentemente soar", confessa. "Ninguém me ensinou nada (como tocar). E eu realmente olhava para isso (a guitarra) como um homem das cavernas olharia uma calculadora". Adams hoje entende melhor do que ningém como soa uma guitarra. E como criar sons etéreos.




Dos anos 80 para o ano de 2017, muito nele se transformou de feridas, decepções e alegrias. Sua relação com os seus pais nunca foi um motivo de orgulho. Adams foi criado por uma mãe solteira e seus avós após o pai abandonar ele aos cinco anos de idade. A relação com sua mãe não era boa, levando o garoto a buscar passar o tempo com os seus avós. Após a morte do seu avô, do qual guarda o modelo de pessoa que deseja ser, por enfisema pulmonar, ele resolve tomar novos passos para sua vida. Um dos vicios do avô, o cigarro, por anos foi o que manteve ele proximo das lembranças dele. "O cheiro me fazia lembrar dele, as fumaças me faziam lembrar dele. Esse era o meu jeito de estar proximo dele."

Adams passa a morar sozinho e se muda para Raleigh, Carolina do Norte e se vê diante dos momentos mais assustadores de sua vida. "Eu não tinha mais parentes. Muitos não gostavam de mim". Em meio a 'bicos' como lavador de pratos e trabalhador de construção civil, ele passa anos depois, em 1994, a tocar em uma banda de alt-country chamada Whiskytown, que em meio ao boom da cena Americana de musica country, assinam em 1997, um contrato com uma grande gravadora. Entretanto, ele se arrepende dessa época: "Eu comecei essa maldita banda country, porque punk rock era bem dificil de tocar.", confessa em uma entrevista para a revista inglesa Q. "Eu estava sob aquela influência musical quando eu tocava aquilo. Era tipo, 'Eu preciso fazer isso, porque eu tenho esse trabalho terrivel cantando nessa porcaria de banda horrivel' - quando isso vai acabar?". Até que um dia Adams demitiu metade da banda em uma apresentação em Kansas City. Era o fim de um ciclo.







Ele por ele mesmo.

Ao se mudar para Nova York, Adams passa a viver com sua namorada a uns blocos de Greenwich Village. Foi onde, após terminar com sua então garota, ele começa a escrever e compor o que viria a ser o primeiro disco de sua carreira. Tendo permanecido no mesmo apartamento, envolto com as lembranças dela ele compôs 'Heartbreaker' sobre ela.


Na época de 'Heartbreaker': 17 anos depois


Ryan Adams passa a ser o artista prodigio. É considerado o novo Bruce Springsteen. Vira o xodó de Elton John. Revistas como Rolling Stone passa a considera-lo um dos grandes artistas de sua época. Foi com o album 'Gold' que ele passa a se tornar um dos maiores artistas de fato. Com a etérea 'New York, New York', os holofotes passam a se movimentar em seu rosto. Uma das canções que mais embalaram o tributo as vitimas do 11/09. Com o sucesso de 'Gold', ele embarca no sucesso de The Strokes e The White Stripes, com um rock progressivo e grandes canções, namora as maiores beldades da época como Winona Ryder, Beth Orton e Parker Posey. Produzido por Ethan Johns, filho do legendário produtor dos The Rolling Stones e The Who Glyn Johns, o disco se torna uma mudança de 180° na sua carreira.

Outros grandes discos passam a vir mantendo a mesma qualidade unica de suas composições e letras. 'Demolition', de 2002, 'Rock'n Roll', de 2003 e 'Love is Hell', de 2004 foram lançados em sequencia tornando ele um dos artistas mais criativos e geniais de sua geração. O problema surge quando ele mantem o ritmo anual de lançamento de discos, mas soa saturado pelo processo criativo que sucumbe a discos não ruins, mas não tão bons e que vem a coincidir com o periodo em que esteve sob a influencia de bebidas e drogas . Após se unir a banda The Cardinals, Adams passa por um momento de transição para aquilo que se tornou, longe dos vicios. Com os albuns 'Easy Tiger', em 2007, 'Cardinology' de 2008 e 'III/IV' de 2010, ele passa a canalisar sua emoções através das canções. "Foi na realidade tão saudável partir nessa, é um lugar seguro para examinar você mesmo, e eu realmente o fiz. Eu usei esse tempo, minhas amizades ali, e eu comecei a ter bons momentos, que era inacreditável.", confessa para a Rolling Stone australiana. "Eu ia para o estudio todos os dias e aquilo me curou."


Com a ex-esposa Mandy Moore.

Em 2011, sob o efeito do amor por sua esposa, a atriz Mandy Moore, ele traz 'Ashes and Fire', um dos seus maiores discos. Com canções alegres e belas, como 'Chains of Love' e 'Lucky Now', foi a fase do redescobrimento de si mesmo mais uma vez. Após trabalhar num album mais parecido com esse último, Adams vê dentro de si um desejo de contar um pouco mais sobre sua vida pessoal e sobre a si mesmo. Vem então o bombástico e fantástico disco com o seu nome no titulo. 'Ryan Adams', 2014. "Aquele disco foi eu mesmo começando a me sentir eu mesmo. Era eu mesmo indo, eu posso tocar uma guitarra acustica e é sobre isso do que se trata. Mas eu sei tocar uma canção como 'Gimme Something Good' e essa é a minha chance de mostrar como eu sei tocar uma guitarra elétrica. Eu ainda posso ter aquele momento do Grateful Dead, e momentos de Daydream Nation do Sonic Youth e aqueles todos envoltos em Don Henleyisims"




O sentimento mais humano.

Houve diversos EPs lançados nos ultimos anos e um LP de canções punk rock num experimento muito bem sucedido, o album '1984' e além de um cover de todo o album de synth-pop da cantora Taylor Swift, '1989'. A versão de Adams foi além e trouxe o seu talento a uma visibilidade do qual ele não tinha até então, tornando-se um sucesso. O resultado traz ecos de um 'Nebraska' de Bruce Springsteen. Soturno e tocante. Em meio a sua separação traumatizante com Mandy Moore, ele confessou certa vez que o album de Swift falava mais sobre o que sentia do que qualquer outra coisa que havia feito em toda sua carreira. A resposta ao seu momento de separação o fez ficar recluso ainda mais e gravar por dias e noite produzindo um enorme material. Todo o material é feito por meio de sua propria gravadora, a Pax-Am, que fundou para se livrar de problemas que teve no passado com gravadoras.

Doze canções desse enorme material estão no seu novo disco lançado mês passado. 'Prisoner'. O que vemos aqui é o melhor trabalho desde 'Gold', com canções que são extremamente bem trabalhadas, com letras dilacerantes. As guitarras elétricas estão presentes como nunca, com sequências em riffs inacreditaveis como na 80's canção 'Anything I Say To You Now'. A faixa titulo é outra demonstração de como as baterias tornam de certa forma um disco de rock que trata de amor com a furia do rock oitentista. O primeiro single 'Do You Still Love?' é puro Bruce Springsteen, assim como 'Haunted House', que soa a fase 'Tunnel of Love'. 'To Be Without You', como nota bem a revista Q inglesa, traz bem realmente ecos do disco Sea Change, do Beck. 'Outbaund Train' é uma canção que te conforta em como uma separação deve causar em um coração partido, com um ritmo envolvente. Em 'Breakdown' estamos novamente com as guitarras elétricas dilacerantes.


Na Rolling Stone: Sua maior paixão são gatos.


Ryan Adams retorna com o coração costurado prometendo distância na faixa que fecha o disco 'We Dissapear'. Animado com a turnê do disco, e a vontade em fazer shows para grandes arenas, já estão marcados diversos shows pela Europa, Australia e EUA... quem sabe até América Latina ano que vem ou final do ano? :-) O mais importante é essa nova fase em que ele se apresenta. Renovado e com todo uma nova energia, cercado de seus gatos e de sua nova namorada.


Na capa da Rolling Stone australiana.


Em uma entrevista para a radio KCRW, Adams decifra o que significa amar nos dias de hoje. Ele conta que não devemos nos privar do amor, e que sim se lançar sempre para amar as pessoas. Que somos assim, é de nossa natureza humana amar e estar preso a isso. "Aquilo que eu vivi foi o máximo do meu esforço em estar vivo. Ser romântico é estar consciente da propria existência de nós como seres humanos." E completa. "(As guitarras elétricas no disco fazendo muitas canções soarem alegras apesar de melancolicas) foram o meio de celebrar essa consciência humana em estar vivo e poder amar". Por mais que doa eventualmente a separação. Ainda para a Q inglesa ele declara "Eu tenho 42 anos, você não pode me parar nem ferrando. Eu não tenho que pedir para ninguém permissão para ir para lugar nenhum." ele comenta por possui sua propria gravadora, a Pax-Am. "Eu não sou essa celebridade que aparece na TV toda hora. Eu não tenho paciência para isso." O cantor que não sabia mexer direiro em uma guitarra foi além e hoje usa ela para reparar sentimentos perdidos e achados.

No clipe de 'Do You Still Love Me?': clipe sobre a turnê do músico.

 Para os que não querem ter somente o novo disco nos serviços de streaming (esquece o box com as miniaturas do cantor e discos de vinil com diversas capas para cada canção - está esgotado, uma pena)...







Sim, um box com miniaturas do Ryan Adams e banda (e gatos, claro).


Abaixo a entrevista incrível de Ryan Adams com o bamba Zane Lowe no Beats1 da Apple Music, e o album 'Prisoner' na plataforma TIDAL.





domingo, 5 de fevereiro de 2017

Histórias de 2016. Contos sobre os melhores discos, filmes, séries e histórias de vida.

*Nada vai tirar o mérito de que tivemos um ano com novo disco do Wilco, show(s) do Wilco em São Paulo, Louis CK fazendo a melhor série dos ultimos tempos e um Star Wars tão majestoso.


Alec Baldwin imitando Trump. Os EUA foram a loucura. 


Vou começar a lista que todos os anos faço juntando tudo o que me impressionou e quero ser breve. Não houve um 2016 ruim. Não concordo com esse julgamento feito em todo canto. Separar frustrações e decepções numa caixa de 365 dias nos faz crer que haverá uma outra caixa que vai ser aberta e por ai vai até o virarmos pó de estrelas novamente. É uma forma de ver o mundo em caixas e não numa longa pista de corrida, que no meio do caminho tropeçamos, caimos, liberamos nossas endorfinas e conquistamos muitos podios e ficamos atras as vezes. O que aconteceu ano passado nos faz estar mais preparados para viver e não a aceitar que vivemos para sempre. Pessoas morrem, queridas como David Bowie, Leonard Cohen, Carrie Fisher, Prince, por ai vai. Pessoas elegem e apoiam figuras que nos dão nenhuma inspiração, pelo contrário, lideres que vieram para causar discordia. Pessoas ficam tristes. Eu fiquei muito. No final, isso tudo nos faz despertar do medo e da frustração e necessário para aprendermos a cultivar as nossas esperanças e confiança. Duas frases de dois pensadores do país que mais nos decepcionou em 2016 nos servem de espelho para terminar essa introdução minha do que foi os 365 dias que se passaram. A primeira de um pastor e uma das vozes mais influentes do protestantismo nos Estados Unidos, Henry Ward Beecher. "Our best successes often come after our greatest disappointments." ("Nossos melhores sucessos vêm depois de nossas maiores decepções") e a de Martin Luther King, que disse "We must accept finite disappointment, but never lose infinite hope." ("Nós devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a nossa esperança infinita").

O que eu lembro dos filmes que eu vi...

The Lobster. De longe uma das obras mais inteligentes e interessantes do ano que se passou.


Apesar de estar de saco cheio de filmes de super-herois, Deadpool e Guerra Civil: Capitão América foi boas surpresas. O primeiro é um dos melhores filmes já feito nessa safra (original, corajoso e nenhum pouco censurado). Os filmes que venceram o Oscar, O Regresso sem duvida virou já um clássico, pela forma como foi filmado e pelos efeitos e a camera do diretor Alejandro Gonzalez Inarritu. Zootopia me chamou muita atenção também, filme de animação com tema de adulto que vai de se aproveitar dos outros a mostrar como não é facil a vida. O novo do Nicolas Winding Refn, "The Neon Demon" é uma das coisas mais vicerais e profundas do ano, que só perde para "Elle", do Paul Verhoeven. Desconstroi todas as nossas boas intenções e formas de lidar com o certo e o errado. Colin Farrell faz a mais brilhante interpretação de sua carreira no genial "The Lobster", do diretor grego Yorgos Lanthimos.

Rogue One, de Gareth Edwards é um filme muito bem feito e que nos enche das melhores sensações que um filme de Star Wars pode proporcionar: emoção, nostalgia e personagens muito bem feitos.


"There's a 97.6 percent chance of failure". K2SO melhor personagem.


O que mais me chamou a atenção sem duvida foi Manchester a Beira Mar. Drama poderoso, bem escrito e capaz de nos tirar do chão quando Casey Affleck e Michelle Williams discutem, depois quando se encontram anos depois. Poderoso e profundo. A Chegada faz algo assim também, mas aos poucos. Dennis Villenueve faz uma obra sobre nos mesmos e nossos conflitos internos, quando uma invasão alienigina parece ser capaz de despertar nossas reações mais profundas. Sing Street, um filme modesto feito pelo grande diretor irlandês John Carney, sobre garotos que formam uma banda parece ser um baita filme, quando termina um filme avassalador. O singelo torna gigantesco. Sem contar "La La Land" que estreou no começo já desse ano, mas é um filme que saiu ano passado e chegou aqui esse ano antes de eu escrever aqui. Ryan Gosling e Emma Stone vão ganhar todos os prêmios (e devem) pela forma unica de despertar o gênero de musicais para uma outra dimensão. Damien Chazelle, o mesmo garoto que dirigiu e escreveu "Whiplash" engata um filme que eleva o seu nome como a mais bela mente criativa de Hollywood.
 
Menções especiais ainda para: Sully, do Clint Eastwood, A 13ª emenda, documentário da Ava DuVernay, Dois Caras Legais, de Shane Black e Slow West, de John McLean que só vi ano passado.



O que eu lembro dos discos que eu ouvi...

Bowie nos deixa com uma obra prima. Blackstar é um adeus ao mundo em forma de música.


Começo pelo disco que abalou o ano. 'Blackstar' seria apenas o novo disco do grande David Bowie, se não acabasse sendo o seu derradeiro e postumo album. Com canções como 'Lazarus', que é uma confissão de sua morte, Bowie nos avisa "Look up here man I am in heaven. I got scars it can be seen." O seu ultimo disco é uma obra prima acidental. Traz a beleza da vida e da morte, em versos que caminham para nos levar para a finitude de toda uma vida e o que nos espera. Com oito musicas, o disco já entra para um dos melhores dos seus discos.

Sem duvida houve outros discos tão impressionantes quanto o de Bowie. Beyoncé realizou um dos seus mais ousados discos. LEMONADE tem o vigor de um discurso de protesto a favor de feminismo e preconceitos raciais. Faixas como DONT LOSE YOURSELF, parceria com Jack White soa como um Led Zeppelin junto de sua voz marcante. FREEDOM talvez a mais poderosa canção. Radiohead voltou com um disco profundo, com letras que norteiam a nossa busca por respostas. 'True Love Waits' assim como outras canções já haviam aparecido em shows, mas aqui no disco 'A Moon Shaped Pool' se torna um hino. Destaque para 'Daydreaming'. O rebelde Kanye West pode ser um completo perdido na vida real, mas nos seus discos ele dá o seu melhor. 'The Life Of Pablo' é uma obra prima cheia de nuances e com canções unicas. 'Ultralight Beam' é um hino gospel que abre o disco majestosamente. 'Famous' e 'Waves' são ótimas canções.

Angel Olsen fez um baita disco. Quem é ela? "My Women" é um instantaneo disco que catapultou a carreira dela. Dizem que os seus shows são ainda melhores. Um dos melhores discos de rock do ano. Em se tratando de rock, o melhor sem duvida é dos Car Seat Headrest, o brilhante "Teens of Denial". O disco é repleto de sons que vão até nove minutos, mas não fica chato. As guitarras e baixos constroem sutilezas, sons etéreos e a capacidade de transcender o sentidos. Wilco retornou com o excelente "Schmilco", trazendo menos a profundidade do ser humano, para tratar de sentimentos que nos remetem a mémorias de infancia, primeiros amores, decepções, vitorias.

Os ingleses do The 1975, e o seu "I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It" alardeado como melhor disco de 2016 pela NME é um dos belos discos do ano, com canções muito boas. A banda Fat White Family trouxe o arrebatador "Songs For Our Mothers" com a já inesquecivel "Whistest Boy on the Beach". Os The Last Shadow Puppets fizeram um disco incrivel, o 'Everything You Come to Expect' e o EP fantastico com direito a cover de Leonard Cohen, 'The Dream Synopsis". Ao falar de Leonard Cohen, esse foi outro grande nome da música a nos deixar com um recente disco. "You Want It Darker" fecha uma discografia inigualavel de canções que já ficaram para sempre guardadas em nossas mentes.

Parquet Courts vai fundo no novo disco num tom mais pop que os experimentais ultimos discos. "Humam Performance" dialoga com a vida ordinaria do dia a dia, aos molde de Talking Heads, cria hinos capazes de nos levar a compreender as nossas vidas através do espelho. Um dos maiores retornos desse ano foi dos rappers do A Trible Called Quest. Com o discaço "We Got From Here... Thank You 4 Your Service" eles foram além do comum mais uma vez e entregam canções poderosas para esses tempos sombrios que surgem.

Fonte: Scream Yell - Show do ano: Wilco no Auditorio Ibirapuera.


Menções especiais para: Iggy Pop e o seu "Post Pop Depression", Blood Orange trazendo o lindo "Freetown Sound", PJ Harvey e o seu disco de protesto "The Hope Six Demolition Project", Kings Of Leon e o pop interessante "WALLS", o retorno de Richard Ashcroft com o belo "These People", Pixies trazendo o som poderoso em "Head Carrier", Band Of Horses e o bem divertido "Why Are You OK" e o brilhante novo album do Jimmy Eat World, "Integrity Blues".


O que eu lembro das séries de TV que eu vi...


As crianças e seu RPG. O mundo que saiu do jogo e virou realidade. 'Stranger Things' marca a cultura pop do ano.


A "eleven" ou simplesmente "él" deixou as nossas cabeças cheias de questões mal resolvidas. A série 'Strange Things' foi um dos maiores acontecimentos na cultura pop no ano que se passou. Graças aos irmãos Matt e Rosss Duffer e do produtor e diretor Shawn Levy, uma história saida dos anos 80 com direito a referencias da época (da trilha sonora as citações de filmes), três garotos mais a misteriosa "eleven" saem em busca de pistas que levem ao paradeiro do amigo deles que desapareceu por razões misteriosas.

O ano que se passou mostra sem duvida que estamos na era de ouro da TV, com produções criativas e com um peso maior que o cinema, como palco para as grandes obras audiovisual. O maior exemplo disso são séries como Atlanta, criada pelo músico, ator, futuro Lando Calrissian Donald Glover, que mostra um rapper, um amigo e seu primo em dialogos existenciais em busca de sucesso em meio a dura realidade que vivem. A profundidade só é vista de longe, nas cenas, dialogos. BoJack Horseman, desenho do Netflix e This Is Us seguem pelo mesmo caminho.

Os gigantes da transmissão por streaming dominaram mais uma vez o ano. Netflix, Amazon Prime e Hulu (ainda não presente no Brasil), mostram que as gigante tem de competir o máximo que podem. A HBO, Fox, Showtime, Starz, entre outras mostram estarem trabalhando bem o suficiente para competirem.

O mega estrondo Game Of Thrones foi a grande série da HBO, que agora deixa mais duas temporadas antes do final da série para sempre. O final da ultima temporada mostra que as coisas estão chegando a um final incerto. Os ecos de poder em mãos erradas ao final lembra bem o que os proprios norte-americanos estão vivendo. A rainha dos dragões agora segue para a maior batalha de todas pelo trono. Aonde isso vai nos levar?

Em paralelo, a HBO já deixou as cartas expostas para a sucessão de GoT com o western futuristico Westworld. A série de Jonathan Nolan, JJ Abrams e Lisa Joy tem um roteiro absurdo, atuações acima da média. A trama nos coloca dentro de uma métafora sobre a nossa vida humana em paralelo a de um mero robô. A trilha sonora com Radiohead, The Rolling Stones no piano é um dos pontos alto. O compositor da trilha é o mesmo de GoT, Ramin Djawadi. Outros destaques execelentes da HBO foi Veep, com uma surpresa no final da temporada. Julia Louis-Dreyfuss continua acima da média; The Night Of, trazendo debates raciais em meio a um crime sem solução. A genial Silicon Valley, na sua melhor temporada até aqui. Girls na penultima temporada. A sensacional série 'Vinyl' com Martin Scorsese, Mick Jagger e Terrence Winter não sobreviveu a uma segunda temporada, mas deixou uma incrivel experiencia visual, auditiva vibrante. O ator Bobby Cannavale está absurdo como o dono de uma gravadora em meio a efervecente Nova York dos anos 70.

Claire Foy estonteante.


A Netflix teve o seu ponto alto, além da série da "eleven", com a história da rainha Elizabeth no começo de seu reino como rainha. 'The Crown' escrita por Peter Morgan expõe os dramas vividos pela ainda jovem rainha (vivida pela atriz absurda de boa Claire Foy) em busca de dialogos com o parlamento, seus problemas em familia, primeiro com sua irmã e posteriormente com seu marido. Um requinte em fotografia, trilha-sonora, edição, figurino, cenários estonteantes. É impossivel estar indiferente a essa série.

Outra atração da plataforma de streaming foi a nova temporada de Black Mirror com um primeiro episodio já classico, sobre os vicios na exposição causada pelas redes sociais. Destaque ainda para Love, escrita por Judd Apatow, Master Of None, escrita e estrelada pelo ator Aziz Ansari. The OA, produzida pela produtora de Brad Pitt.

Louie é uma série incrivel do gênio do stand up Louie CK, mas se podemos dizer que ele esteve em um projeto que beira a uma obra prima é a série 'Baskets' da FX. Com Zach Galifianakis no papel principal se dividindo em dois papéis hilários, ainda não chega perto do quão é hilário sua mãe na série. O ator Louis Anderson faz Christine Baskets, uma dona de casa gorda a ponto de entrar em coma por causa de uma diabetes contraida pela dieta comum a todo norte-americana (baseada em fast-food e comidas cheias de calorias). Outro destaque é a Martha (interpretada por Martha Kelly). Chip Baskets (Zach) é um palhaço que estuda como ser palhaço na França. Lá ele se apaixona por uma francesa ambiciosa. O seu destino acaba sendo a de um drama sem fim, mas no fundo de tanta coisa ruim, os roteiristas aqui extraem o melhor da comédia no ano.


Louis CK atrás das camaras e Zack Galifianakis. Geniais em 'Baskets'

Menções especiais para: Mozart in the Jungle, da Amazon Prime, com Gabriel Garcia Bernal; Halt and Catch Fire da AMC, com uma terceira temporada boa; Red Oaks, da Amazon Prime, produzida por Steven Soderberg, a assustadora 11.22.63, com James Franco e produzida por JJ Abrams junto com Stephen King, baseado em sua obra; Animals, desenho da HBO sobre pombos, gatos, cães; Catastrophe, brilhante série inglesa com os atores Rob Delaney e Sharon Horgan como um casal e um bebê em dialogos cheios de referencias e situações hilárias; Fleabag, outra série inglesa com a revelação Phoebe Waller-Bridge no papel de uma mulher na casa dos trinta superando tragédias pessoais; High Maintenance, da HBO baseada numa série de curtas exibidas pela internet sobre um sujeito vendendo maconha; Outcast, da Fox, criado por Robert Kirkman, o mesmo de The Walking Dead. Creppy as hell; a segunda temporada de Mr. Robot, com uma trama não tão interessante quanto a primeira, mas vele a pena dar continuar vendo; The Night Manager, série incrivel com Tom Hiddleston e Hugh Laurie, da BBC com a AMC; The Get Down, uma grande surpresa vinda do diretor Baz Luhrman, australiano diretor de Moulin Rouge, O Grande Gatsby, que cria uma história brilhante sobre o hip hop em meio a um carrossel de musicas, danças e improvisos de hip hop; Ash Vs Evid Dead, Blunt Talk, Insecure, You're the Worst, Man Seeking Woman fecham a lista.

E claro ainda tivemos o futebol brasileiro...

Fonte R7 - É campeão, rs

domingo, 23 de outubro de 2016

Kings Of Leon voltam para cantar alegrias e decepções para grandes arenas

Image: NME - Explorando o pop rock

Há algo de interessante acontecendo. A banda dos Followill abdica de vez a imagem de sujeitos cabeludos e de roupa caipira e embarca de vez em uma mistura de pop radiofonico e visual hipsters moderninhos. A transição pode assustar os fãs dos primeiros discos, como "Aha Shake Heartbreak" e "Because of the Times". O choque é ruidoso e sonoro, porém não há como negar que a banda descobriu ser capaz de fazer bons hits.


Entretanto, por outro lado eles se mostraram talentosos o bastante no ultimo disco "Mechanical Bull" em dosar boas quantidades de profundidade nos discos mais country-garage do começo da carreira. Claramente que amadurecer faz bem, e aqui eles estão no auge limitados por uma sensação que fica de que a banda é agora comercial sem espaço para o indie. A sensação de que ter o frescor de uma banda independente faz muitas bandas criar uma atmosfera bela e não tão manchado e estridente como faz o pop muitas vezes.


Retornando as arenas... They're back to the chorus.


O mérito de "WALLS" é explorar todo a força das grandes canções feitas para festivais e estádios, com as letras bem feitas e refrões que vão do som pegajoso a delicada canção com tons interessantes. "Around the World", "Reverend" e "Find Me" são bons exemplos das canções que inundam o album de "catching songs". Não por isso são ruins. Estão mais para uma forma como a banda resolveu encarar o visual para esse sétimo disco. (Entretanto espero que não se torne uma marca para os próximos discos). Visual esse que segue os esteriotipos dos fãs decepcionados com o som visto de "Only By The Night" para cá: um pop barato e comercial. Na defesa dos Followill, eles são capazes de fazer mais do que músicas que tocam nas radios, mas eles fazem isso de uma forma boa e envolvente.


A faixa titulo "WALLS", talvez seja ao lado de "Muchacho" e "Waste a Moment" canções incriveis. A canção passeia por guitarras que dilaceram corações. "You tore out my heart. / And you threw it away. / The western girl with eastern eyes. / Took a wrong turn and found surprise awaits. / Now there’s nothing in the wayIn the way. / In the way. / In the way", canta Caleb Followill com a voz de um coração partido. Deixa ao final com essa música fechando o disco o vazio de todo sentimento de alegria e festa do começo do disco. Isso não faz de "WALLS" um disco primoroso, mas traz mais do que eles fizeram alguns albuns atras. Levando em conta que eles tiveram desintendimentos sério dentro da banda que poderia culminar no fim e separação, esse disco pelas entrevistas dadas parece ter revigorado a união entre eles. Se foi um disco de celebração e reunião entre eles, espero que inovem mais no proximo disco. Por hora, está muito bom assim.